segunda-feira, setembro 28, 2020
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Mané Garrincha, o colossal elefante branco.

Foto: Getty Images

EPOCA:
Com os cotovelos na mesa e a fala pausada, Aldo Rebelo (PC do B) defendia
legados da Copa do Mundo em audiência pública no Senado naquele 13 de agosto de
2013. “Aqui mesmo em Brasília, que era apontada como um futuro elefante branco,
um jornal da cidade já indica que o elefante branco é na verdade um elefante de
ouro”, disse. O então ministro do Esporte repetia o discurso criado pelo
governo federal e pelo então governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz
(PT), de que o estádio Mané Garrincha levaria a Brasília não só grandes jogos
de futebol, mas grandes espetáculos, nacionais e internacionais. Passados quase
três anos daquela audiência pública, a promessa não se cumpriu. O que sobrou de
grande é o prejuízo.

O Mané
Garrinha provou ser um elefante de ouro apenas para clubes como Flamengo, Vasco
e Fluminense. Os cariocas fizeram quatro partidas no local em 2015, todas mais
lucrativas do que as sediadas por eles no Rio de Janeiro. Há uma lista de
motivos para isso. A população do Distrito Federal tem a maior renda per capita
do país. Dos 2,8 milhões de habitantes, 48% são flamenguistas, 12% são
vascaínos e 5,5% são tricolores, segundo pesquisa feita pelo governo. E há
muita demanda, uma vez que esses clubes raramente jogam em Brasília. Mas o
elefante só é de ouro para os clubes, que jogam, arrecadam e vão embora. Para o
cidadão, o bicho é caro.
A
renda de R$ 1,98 milhão obtida pelo governo do Distrito Federal com a arena em
2015 não cobriu as despesas. O prejuízo foi de R$ 6,5 milhões. A administração
é estatal, feita pela Secretaria de Turismo estadual, portanto o prejuízo é
pago com dinheiro público.
O
estádio não seria um problema do cidadão se ele tivesse sido privatizado, como
prometeu o ex-governador Agnelo Queiroz. Não foi. Desde 2013 os prejuízos do
Mané Garrincha são pagos com dinheiro dos contribuintes. O atual governo, de
Rodrigo Rollemberg (PSB), não sabe dizer quanto a arena custou em 2013 e 2014.
Na transição entre um governo e outro, no início de 2015, a equipe de Queiroz deixou
com a Secretaria de Turismo uma tabela com nomes de eventos e públicos
aproximados. Não há nela dados sobre receitas e despesas. Agora, em meados de
2016, o estafe de Rollemberg ainda espera que empresas manifestem o interesse
em assumir a administração do Mané Garrincha. Até que isso aconteça, o prejuízo
é público.
Tornar
o Mané Garrincha numa arena lucrativa é desafiador por uma lista de razões. A
colossal capacidade para 72.788 pessoas faz com que a manutenção fique cara. As
partidas de times locais, como o Brasília e o Gama, não atraem público
suficiente para gerar renda. Os clubes cariocas só levam jogos de primeira e
segunda divisões se as condições forem favoráveis a eles – ou seja, se o Estado
aliviar no preço do aluguel. Tudo isso faz com que o estádio abra os portões
poucas vezes no ano. Em 2015 foram só nove partidas. A baixa atividade mata
outras receitas que o estádio poderia ter com alimentação, estacionamento,
camarotes e patrocínios.
O
colossal elefante do Distrito Federal é mesmo branco.

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