Mansur destaca diferenças entre Flamengo e Botafogo.

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CARLOS
EDUARDO MANSUR
: Promover o casamento entre as ideias de jogo planejadas para um
time e a vocação de um elenco é dos grandes desafios do futebol. Pensados em
torno de estilos bem diferentes, Flamengo e Botafogo, donos de boas virtudes e
de totais condições de avançarem na Libertadores, convergem num ponto: a nova
temporada impõe desafios maiores a dois técnicos jovens e de ideias bem claras.

Em
quase dez meses, Zé Ricardo dotou de virtudes um Flamengo que, no Chile, não
jogou mal, apesar da derrota. É um time programado para ter a bola e a
iniciativa dos jogos. Em futebol, construir é sempre mais difícil do que
destruir, mas é neste ponto que falta algo de fluência ao Flamengo, em especial
quando tenta iniciar as jogadas e trocas de passes desde a defesa. A ponto de
produzir um personagem que é a face rubro-negra de um debate nacional: Rafael
Vaz.
A
discussão erra o foco. Não cabe questionar se zagueiros devem iniciar a
construção de jogadas. Esta é uma necessidade em times que tentam implantar um
modelo que busque controlar jogos e atacar. A questão é em que contexto o
fazem.
O
conceito é novo no país, uma espécie de transição cultural. Ainda não sobram
defensores habituados a ter atribuições na posse de bola, critério nos passes e
aptidão para jogar longe da própria área. Vaz tem a personalidade de tentar e a
perigosa irregularidade de quem não foi preparado, desde a base, para isso. Mas
o problema não reside só nele.
Joga
num time em que, frequentemente, as linhas ainda se distanciam. Zagueiros e
volantes, ao iniciar as jogadas do Flamengo, enxergam muitos metros à frente
sem tantas opções de passe. O que favorece a bola longa e amarra o jogo contra
times fechados. Ou seja, impede a tal fluência.

Ricardo admite que este Flamengo, veloz quando encontra espaço, organizado e
com ótimos solucionadores de problemas no ataque, “precisa melhorar a
construção”. A solução com dois meias — Mancuello e Diego — ainda não rendeu
frutos.
No
Chile, o técnico confiou em Márcio Araújo, de mais fôlego e recuperação, para
ocupar o largo espaço entre defesa e meias. E adiantou Rômulo que, fisicamente,
parece fora do ideal. Ganhou vigor, mas não acerto na saída da bola ou
profundidade ao pôr Willian Arão na direita. O Flamengo é forte. Mas é na
construção de rotas mais seguras rumo ao gol que há margem de evolução.
Um dilema para Jair
No
Botafogo, Jair Ventura moldou, desde o ano passado, um time vocacionado para o
jogo veloz, de soluções e transições rápidas. A base de tudo era a marcação
forte no meio-campo, a capacidade dos volantes de se aproximarem do ataque e o
rápido acionamento dos homens de frente. O Botafogo não fazia questão de ficar
muito tempo com a bola para resolver seus problemas. E resolvia.
A
montagem do elenco para 2017 impõe uma decisão. Sempre que escolhe seus onze titulares
levando em conta a capacidade técnica de cada um, Jair Ventura manda a campo um
time com tendência distinta. O trio Camilo, Montillo e Roger torna a equipe
menos sólida e, acima de tudo, menos veloz. Uma formação que pede mais trabalho
de bola, induz a um jogo mais pausado e controlado.
Mas a
transformação de estilo, de identidade de um time não se produz da noite para o
dia. E, neste aspecto, as circunstâncias da temporada não ajudaram. O Botafogo
teve que disputar decisões desde os primeiros dias de 2017 e conviveu com
lesões, entre elas as de Camilo e Montillo. Não houve tempo para que se
implantasse uma nova ideia.
Contra
o Estudiantes, enquanto os argentinos entregaram a bola ao alvinegro, o jogo
não fluiu. No fim, o cansaço do rival, a entrega notável deste Botafogo aos
confrontos da Libertadores e as opções de Jair pelos raros homens rápidos de
que dispõe ajudaram a encontrar o atalho: o alvinegro mostrou o quanto é
perigoso quando volta às origens, a um jogo que está na memória de boa parte do
elenco.
Ideias
são a pedra fundamental de um time.
Por: FlaHoje

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