domingo, setembro 27, 2020
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Mansur fala em ‘Vasco heróico’.

Mansur
– As trajetórias são semelhantes, talvez o desejo ou as necessidades, também. O
fato é que a atitude também foi a mesma. Provavelmente, nenhum clube quisesse
tanto, ou precisasse tanto do Estadual quanto Vasco e Botafogo. E os dois farão
a final. Dois clubes em reconstrução após rebaixamentos — o Vasco em 2013, o
Botafogo em 2014 —, que refizeram elencos quase inteiros, exibiram na mesma
proporção limitações técnicas e obsessão por um título que lhes permite a
afirmação, o reencontro com a alegria. Jogaram as semifinais como decisões de
Copa do Mundo. O Botafogo o fizera no sábado. Ontem, o Vasco repetiu a fórmula
com 90 minutos de intensidade.

Verdade
que a bola do jogo foi um pênalti inexistente. O que não mascara, pelo menos,
65 minutos de um domínio tático e técnico do Vasco. Mereceu amplamente o
resultado. A sensação é de que, se não fosse no pênalti, o gol poderia vir de
outra forma. Foram justos o 1 a 0 e a classificação para a decisão em preto e
branco.
Tão
heroico quanto o Vasco que bateu após dois jogos um Flamengo que manteve base e
tinha, em tese e no papel, mais recursos técnicos, são o Campeonato Estadual e
o torcedor carioca. Este último, quando lhe coube a tarefa, tratou de criar o
que houve de melhor até agora numa competição que é um produto sob intenso
ataque. Foi belíssimo o ambiente, a guerra de gritos em um Maracanã com 53 mil
pessoas. Gente que ignorou os conflitos de cartolas, os desgovernos da
Federação, as tentativas de desmoralizar um torneio que é guardião da história
de rivalidades que dão alma ao futebol.
E como
sofre este campeonato! Não é só fora de campo. Dentro dele, jogadores que, nos
180 minutos do confronto, ignoraram as leis do bom senso e da esportividade. Só
ontem, fizeram 54 faltas. E, como se faltasse alguma coisa, outra vez o torneio
entra para a história com a mancha de um erro grave. No ano passado, lucrou o Flamengo
com um gol em impedimento no último minuto. No domingo passado, o rubro-negro
poderia ter ficado com menos homens no primeiro tempo. Ontem, um pênalti em
momento vital, decisivo, influiu dramaticamente no resultado. Como se não
bastasse, Gilberto, o autor do gol, foi comemorar junto ao público. Já tinha
cartão amarelo. Pelo critério que valera até este jogo, deveria ser expulso.
No
sábado, também o Botafogo se valeu de um gol em impedimento na vitória sobre o
Fluminense.
As
arquibancadas do Maracanã, nos clássicos, foram uma ilha de beleza cercada por
incompetência de todos os lados. Aconteceu de tudo com este campeonato. Mas ele
insiste em resistir.
Em
campo, limitações à parte, o fato é que o Vasco ganhou quase todas as
divididas, prevaleceu no controle do meio-campo. A exceção foram os 25 minutos
finais do primeiro tempo. E ali ficou uma estranha sensação. Após ter o rival
neutralizado e ter chutado as duas bolas mais perigosas da primeira etapa, o
Flamengo voltou para o segundo tempo com uma mudança que lhe roubou
consistência: a saída de Luiz Antônio e a entrada de Arthur Maia. Perdeu vigor
e transição para o ataque.
No
início do jogo, um Vasco decidido comandou, mas criou pouco. Finalizou em dois
lances aéreos após escanteios. Na segunda metade da primeira etapa, os volantes
rubro-negros cuidaram de Marcinho, Luiz Antônio segurou Christiano de um lado
enquanto Éverton e Marcelo Cirino seguravam Madson do outro. Era difícil para o
Vasco descobrir nas costas de que marcador Éverton se colocaria para ligar os
ataques. Ele e Alecsandro quase marcaram.
Então,
por que Vanderlei Luxemburgo mexeu? Mais fácil entender que Doriva acertou.
Marcinho perdera fôlego e qualidade. Então, o treinador vascaíno colocou
Dagoberto, que ajudou o antes isolado Gilberto. Guiñazú, Serginho e Julio dos
Santos seguiram vencendo as batalhas no meio, tinham mais presença. A partir
daí, foi impossível ao Flamengo fazer com que qualquer bola viajasse da defesa
ao ataque. A não ser em lançamentos infrutíferos de laterais ou zagueiros. O
Vasco foi o senhor da segunda etapa.
Enquanto
foi possível, Paulo Victor evitou o pior. Primeiro, em cima da linha na
cabeçada de Rafael Silva. Depois, em chute de Gilberto de média distância. O
mesmo que converteria, aos 17 minutos, o pênalti mal marcado de Wallace em
Serginho.
Por
falar em Gilberto, vale traçar um paralelo entre ele e Marcelo Cirino. Talvez
seja cruel e precipitado rotular o principal reforço rubro-negro da temporada.
Mas Cirino, que fez nove gols no Estadual, colecionou várias boas atuações.
Nenhuma delas num clássico, num chamado “jogo grande”. O que não significa que
não o fará no Brasileiro. Trata-se, apenas, de uma constatação do que fez até o
momento. E há, de verdade, jogadores com dificuldade de brilhar em ocasiões de
gala, ou de pressão.
E
Gilberto? Marcou oito vezes. Fez gol contra o Botafogo e em dois duelos com o
Flamengo. Não é exatamente um primor de técnica, mas tem sido decisivo num time
que nem lhe propicia tantas chances de gol. Se voltar a marcar nas finais, fará
história. Terá dado ao Vasco um título esperado há 12 anos pela torcida.

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