sábado, setembro 26, 2020
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Marcas trocam camisas por placas no Futebol brasileiro.

Dinheiro
em Jogo – Em tempos de economia em baixa e ajustes fiscais, é comum que
empresas invistam no que é seguro. A margem para erro é menor, o medo de tentar
algo diferente é maior. Isso acontece no mercado todo, inclusive no futebol.
Por isso no próximo domingo, quando ligar a televisão para assistir aos
primeiros jogos do Campeonato Brasileiro, você verá mais marcas nas placas
publicitárias no entorno do campo do que nas camisas dos clubes. De empresas
maiores, com mais dinheiro, principalmente. O que torna a perspectiva
desanimadora para o futebol brasileiro como um todo.

É
sabido que placas publicitárias têm menor qualidade de exposição na TV, porém
com maior tempo de exibição, como mostra estudo da Ibope Repucom sobre o
Brasileiro de 2014. Mas elas são mais baratas. A CBF comercializa um par de
placas por R$ 8 milhões, expostas em todas as 380 partidas do campeonato,
enquanto clubes querem em torno deste valor apenas para colocar o logotipo nas
mangas que aparecerão em 38 jogos. Como patrocínio no futebol brasileiro se
restringe a isso, exibir marca na TV, na cabeça do executivo da empresa fica
mais em conta colocar dinheiro na placa do que no clube. A Fisk, que pagava R$
12,5 milhões pelas mangas do Corinthians em 2014, nesta temporada estará na
beira do campo. É um exemplo. A Semp Toshiba, que nas últimas temporadas esteve
nas camisas de São Paulo e Santos, preferiu investir R$ 5 milhões nos árbitros
do Brasileiro e da Copa do Brasil e numa campanha de cartões vermelhos contra o
racismo e a violência. Outro exemplo. De muitos.
O
efeito disso já se viu nos Estaduais. No Campeonato Paulista, enquanto Santos e
São Paulo somam um único patrocinador nos dois uniformes, as placas, sobretudo
atrás do gol na final da competição, exibiam Italac, Prevent Senior, Dolly,
Ferracini, Sil, Marabraz, Contini, Subway, Havan, Algar, 51, Pado, Maratá,
Special Dog. É marca que não acaba mais – e que talvez ninguém lembre que estava
lá.
Na
primeira divisão, São Paulo, Cruzeiro, Santos, Goiás, Avaí e Ponte Preta
começam o Brasileiro sem patrocinador máster. Corinthians, Flamengo, Vasco,
Sport, Atlético-PR, Coritiba, Figueirense e Chapecoense têm uma marca no peito
porque a Caixa despeja mais de R$ 100 milhões por ano no futebol, investimento
que pode minguar tão logo o ajuste fiscal de Dilma Rousseff e Joaquim Levy
chegue ao esporte. Grêmio e Internacional estão seguros porque têm patrocínio
de longa data do Banrisul, também estatal. O Palmeiras tem Crefisa e FAM, ambas
do mesmo grupo de empresas que tem um palmeirense como dono, e o Atlético-MG
tem a MRV, pertencente a um atleticano. Excluídos patrocínios políticos ou
“torcedores”, sobra a Viton 44 na cota máster do Fluminense. É pouco
diante do potencial.
A fuga
das marcas para placas publicitárias tem porquê. De um lado, a economia aperta
e amedronta executivos. Do outro, clubes falham em gerar resultados a
patrocinadores além da exposição na TV. O resultado faz mal. São clubes que
pagam salários de atletas e comissão técnica, transferências e empréstimos,
estádio e centro de treinamento, não federações. São essas despesas que tornam
o campeonato mais competitivo e atraente, para torcedores e para outros
potenciais patrocinadores, não mesadas pagas a cartolas. E a perspectiva é
continuar do jeito que está, porque vem Copa, vai Copa, o quadro continua
igual. Enquanto não surgir uma liga, de clubes ou empresas, patrocínio será
apenas isso.

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