Maurício Prado analisa goleada “esquisitona” do Flamengo.

Damião e Renê comemorando gol do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

RENATO
MAURÍCIO PRADO
: Um  jogo em que Rafael
Vaz fez um gol, querendo; Réver outro, sem querer e Leandro Damião marcou de
letra, não pode ser normal. E a goleada que o Flamengo aplicou no fraco
Palestino foi assim, esquisitona. Teve de tudo um pouco. Inclusive, uma virada
do time chileno, que após sofrer o primeiro gol (aquele, do Réver, sem querer,
nos primeiros minutos do segundo tempo), reagiu e chegou a estar vencendo por 2
a 1 – algo também impensável, diante da abissal diferença de categoria das duas
equipes.

Esse
jogo, tão animado na segunda etapa, foi um horror, na primeira. Mesmo dominando
completamente as ações, o mistão rubro-negro não conseguiu marcar porque, num
retrocesso lamentável, em relação à ótima atuação contra o São Paulo, se
limitou a alçar trocentas bolas na área, sem efetividade alguma.
Após o
intervalo, em mais um cruzamento alto, num escanteio, Réver marcou sem querer –
a bola passou por meio mundo e bateu na canela dele, indo morrer no fundo do
gol. Parecia, então, que acabariam os problemas do Mais Querido. Pois, sim.
Para espanto geral (inclusive dos chilenos), o Palestino partiu para o ataque e
graças a falhas grotescas do sistema defensivo dos brasileiros, chegou à
virada, fazendo dois gols em sequência.
O
absurdo começou a ser desfeito com um gol de Berrio, numa jogada confusa na
qual o colombiano tentou duas vezes e acabou balançando a rede. A essa altura,
a partida era uma pelada escancarada. Não havia mais esquema tático,
estratégia, nada.
Num
lance pela esquerda, Éverton, enfim, preferiu o cruzamento rasteiro ao
chuveirinho e Leandro Damião, que não acertara nada até ali, completou de
letra, marcando um autêntico golaço. O Flamengo voltava a liderar o placar
(3  a 2) e começava a espantar a zebra.
O
quarto gol confirmaria o clima bizarro da partida, quando Damião errou uma
cabeçada e a bola sobrou para Rafael Vaz (sim, ele!) marcar, também de cabeça.
4 a 2 e fatura liquidada.
A
cereja do bolo coube a Éverton Ribeiro, derrubado na área, já no finalzinho e
marcando de pênalti, que ele fez questão absoluta de cobrar.
Apesar
da zorra total, deu para pescar algumas coisas nos alucinados 45 minutos
finais. Éverton Ribeiro confirma que tem tudo para se tornar peça
importantíssima no time, completando com Diego e Guerrero, o trio mais talentoso
do elenco; Berrio mostra, de novo, que poderá ser uma excelente opção no banco
e Cuellar se firma cada vez mais. Em compensação, William Arão segue sendo uma
decepção completa e o jovem goleiro Thiago ainda não inspira confiança.
Resta
à torcida do Flamengo torcer para que, no sábado, contra o Vasco, o time de Zé
Ricardo não volte a abusar dos inúteis cruzamentos altos sobre a área. Já tem
talento suficiente no time para jogar bola de verdade e não achar que o
chuveirinho é a melhor tática do mundo.
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