sábado, setembro 19, 2020
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Mauro vê Zé Ricardo inseguro e cobra diretoria do Flamengo.

Zé Ricardo, técnico do Flamengo, em jogo contra o Internacional – Foto: Lucas Uebel/Getty Images

MAURO
CEZAR PEREIRA
: É inegável que na sexta-feira a entrevista coletiva do
presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, tendo ao lado seu diretor-executivo,
Alexandre Mattos, foi constrangedora. Reclamações veementes contra um gol
ilegal anulado em meio à suspeita de interferência externa numa partida que não
era do seu time. E silêncio após a vitória sobre o Figueirense dois dias depois
num festival de erros da arbitragem e queixas de bastidores. A reação do presidente do Flamengo foi mais do que obrigatória,
se ficasse calado seria visto como um “banana”. Mas isso não basta ao
clube carioca, que tem problemas a resolver em sua equipe, dentro de campo.


Ricardo já provou ser um bom técnico, promissor e com potencial para crescer na
função. Nenhum treinador disponível no mercado, mesmo os chamados medalhões,
parecem ser, hoje, mais capazes do que ele. Mas há alguns meses era apenas o
comandante dos juniores, seu salto na profissão foi rápido e gigantesco. Está
sentando numa cadeira que já fritou vários na atual gestão do clube, inclusive
“professores” dos mais renomados. E está inseguro. Como esteve por
quase dois meses, esperando uma efetivação. É essa situação que o limita, o
impede de arriscar como deve, a ponto de priorizar os cuidados defensivos e não
dar ao time a agressividade de que precisa, ainda mais a quatro pontos do
Palmeiras.
O
primeiro colocado do certame tem 11 gols a mais do que o Flamengo (54 a 43),
que sofreu 29 gols contra 28 do líder. As opções pelos “pontinhas”
que marcam, que fecham o corredor, evidenciam preocupações defensivas. E isso
deixa de fora Mancuello, o melhor finalizador de média distância do elenco e
ótimo em bolas paradas. Isso porque o argentino não seria tão eficaz quando a
equipe se defende. Contudo, ele oferece muito mais lá na frente, e a equipe
precisa arriscar, não existe outra alternativa. Zé demonstra sua insegurança ao
não colocá-lo em campo e “prender” William Arão como volante, sem a
mesma liberdade para chegar na área adversária como antes.
E a
insegurança do jovem treinador é compreensível. Primeiro foram as longas
semanas esperando uma efetivação, mesmo demonstrando ser, hoje, muito mais
preparado para armar um time de futebol do que seu antecessor, o vitorioso
Muricy Ramalho. Depois as pesadas cornetadas de conselheiros e até cartolas,
como após o empate (3 a 3) com o Botafogo, quando vozes pediram sua demissão.
Um técnico que trabalha nessas circunstâncias, e ainda sem a “casca”
que apenas o tempo pode dar, sente-se vulnerável, claro. Ele sabe que um ou
outro tropeço pode significar a volta dos pedidos por sua cabeça, clamando por
alguém mais conhecido, como Abel Braga, por exemplo.
E
depois de tantos técnicos demitidos na gestão de Eduardo Bandeira de Mello, é
natural que fique, no íntimo, com receio, inseguro em determinados momentos.
Diante do cenário que se desenhou após a rodada, ficou mais claro que falta ao
Flamengo agredir mais, arriscar mais. Isso significaria insistir, por exemplo,
em algo que tentou e logo deixou de lado, com Alan Patrick no lugar de um dos
pontas. Barrar Guerrero se preciso for, como fez antes da partida diante do
Vitória em Salvador. Dar reais chances a Mancuello, mais decisivo do que
Everton, Gabriel, Fernandinho e Cirino juntos, e que nunca mais entrou no time
depois que fez o gol da vitória sobre o Cruzeiro.
Por
que o treinador só em situações extremas abre mão de Márcio Araújo? Por mais
que ele proteja a retaguarda, o que representaria ter no time mais atletas que
criem mais, agridam mais, finalizem mais, faça mais gols? Sem isso, com esse
desempenho ofensivo e dependendo da defesa para segurar vantagem de um
golzinho, o Flamengo não terá qualquer chance de título. Com a semana inteira
para trabalhar, ele tem o momento adequado para preparar o time e começar a
mudar isso domingo. É arriscado, sim, pode dar tudo errado, mas não existe
outra chance. No entanto, isso passa por uma outra postura dos dirigentes, que
precisam dar mais respaldo ao treinador. Bancá-lo!
Já que
os clubes gostam tanto de ações de marketing, deveriam convocar uma
apresentação do técnico para 2017. Reunir a imprensa, alguns sócios-torcedores,
claro, e comunicar em alto e bom som que Zé Ricardo passa a ter um contrato de
técnico, não de interino, tapa-buraco, “funcionário”. De preferência
com o presidente, que falou grosso ao responder seu “colega”
palmeirense, utilizando o mesmo tom para deixar claro que o treinador ficará,
aconteça o que acontecer. E com total autonomia para mandar seu time para a
frente, fazer o que for preciso. Está na hora dos ótimos administradores da
“empresa” Flamengo apresentarem conhecimento sobre futebol.

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