sexta-feira, setembro 18, 2020
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Milionário Flamengo enfrenta o falido e rebaixado Vasco.

Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: Esperança e desilusão, euforia e decepção, expectativa e realidade.
Vasco e Flamengo medem forças nessa quarta-feira, no Mané Garrincha, em
Brasília, às 21h45 (horário local), pela quarta rodada da Taça GB, como
exemplos de que três meses é tempo mais do que suficiente para que sentimentos
tão antagônicos mudem de lado no futebol. O devastado pelo terceiro
rebaixamento em oito anos surpreendeu ao manter a base, a paciência, e tem
motivos para sorrir invicto no ano, líder e 100% na competição. O renovado pela
manutenção da gestão que está “arrumando a casa” e que tanto investiu
para uma temporada de resultados também dentro de campo sofre sem gols, sem
lugar no G-4, e com muita cobrança do torcedor. Vascaínos e rubro-negros estão
aí para mostrar que não há lógica que o futebol não desafie.

– É
uma pressão pela necessidade de retomar resultados, não é o fato isolado de
ontem (invasão ao CT na segunda-feira) que vai fazer (a retomada da vitórias).
É o trabalho que está sendo feito até agora, com jogadores jovens e
experientes. Alguns que estavam aqui no Flamengo. Todos sabem, temos que ter
mínimo de tranquilidade, senão é eterno recomeço a cada 15 dias. Sei que é
difícil observar o trabalho que está sendo feito. Mas no nosso entendimento é
bom, e os resultados vão aparecer – disse o diretor executivo rubro-negro
Rodrigo Caetano.
No
Vasco, técnico mantido, dois reforços considerados pontuais e manutenção dos
principais jogadores apesar de ofertas financeiras superiores alimentam mais um
renascimento do time de São Januário. Na Gávea, a troca de treinador trouxe de
volta ao futebol do Rio Muricy Ramalho, um dos mais vitoriosos do futebol
brasileiro. Na bagagem, a promessa de grandes contratações e esperança de
títulos. Vieram nove jogadores – entre destaques em seus clubes no último
Brasileiro, Juan e apostas em gringos caros. Olhar para a tabela, para as ações
e para os resultados dos dois times até aqui pode inverter o pêndulo do time em
alta e do clube em baixa.
O
cenário amplamente favorável não ilude Jorginho. Apesar de viver um momento de
tranquilidade, o treinador, que já defendeu o Rubro-Negro, tem total
consciência do peso de uma partida contra o maior rival e evita se estender ao
comentar as realidades opostas que os clubes vivem:
Imagem: GloboEsporte.com


Sabemos que o clássico não tem nenhum favorito. Tudo pode acontecer. Sabemos o
quanto o Flamengo é perigoso. É uma boa equipe, merece todo respeito. Por isso
estamos encarando com muita seriedade esse jogo. É fundamental para nós. Pode
nos colocar numa situação muito boa na classificação. Jogo contra o Flamengo é
sempre muito difícil, independentemente se a equipe está sob pressão ou não.
Também estamos sob pressão. Querem tirar a invencibilidade de nós. Sabemos o
quanto será importante.

Não
que antagonismo na história do Clássico dos Milhões seja novidade. Da distância
de São Januário, na Zona Norte do Rio, até a Gávea, na Zona Sul; à diferença de
personalidades que vão de Eurico e Bandeira, de Nenê e Guerrero e até dos
capitães Rodrigo e Wallace, Vasco e Flamengo voltam a exibir particularidades
que marcam esta rivalidade centenária. Há grande diferença no modelo de
administração dos dois clubes. E também, hoje em dia, nas receitas. O
Rubro-Negro tem folha salarial de cerca de R$ 4,3 milhões – a dos vascaínos
fica em torno da metade dessa cifra. Dos dois lados, pelo menos até este
momento do ano, os salários estão em dia. Em comum, perdas recentes de receitas
– a Viton 44 não renovou com o Flamengo e fez acordo para deixar a camisa do
Vasco e rescindir contrato.
Em São
Januário, a duras penas, o Vasco de Eurico Miranda leva há mais de dois meses a
queda de braço com o departamento de marketing da Caixa Econômica Federal. O
banco público renovou com o Flamengo por R$ 25 milhões e queria abaixar para
cerca de R$ 10 milhões para seguir na camisa vascaína. Até agora, não há
definição sobre o assunto, mas um acordo ainda está longe.
Folha e arrecadação do Vasco são a metade
do Flamengo
Na
arrecadação, a diferença aumentou nos últimos anos – seja por cotas de TV (o
Flamengo recebeu cerca de R$ 130 milhões em 2015, contra aproximadamente R$ 80
milhões do Vasco) – ou pela remuneração mensal que vem do programa de sócio
torcedor. O Rubro-Negro somou rendimentos de R$ 30 milhões no ano passado com o
projeto, enquanto o Vasco ainda engatinha e começa a tirar do papel o programa
Gigante, lançado no último fim de semana e com quase cinco mil inscritos em um
dia.
Se
fora de campo, a grana está mais curta para o lado de São Januário, dentro das
quatro linhas o emergente Jorginho mostra consistência frente ao medalhão
Muricy Ramalho. Chegaram Yago Pikachu e Marcello Mattos – o volante já é
titular -, subiram cinco garotos, com destaque para Caio Monteiro, que vem
aparecendo bem no time principal nas últimas partidas.
O
início tranquilo de Muricy no Flamengo não resistiu à primeira turbulência, que
veio em Aracaju – na derrota por 1 a 0 para o Confiança. Time que mais investiu
em 2016, o Flamengo gastou mais de R$ 20 milhões em contratações – casos de
Alex Muralha, que está na reserva de Paulo Victor, Rodinei, Cuéllar e
Mancuello, embora só vá quitar boa parte desses valores nos próximos dois anos.
Por
outro lado, o Vasco não investiu praticamente nada, ao pegar Pikachu e Mattos
sem contrato. A contratação de um atacante, um pedido de Jorginho, ficou para
depois, em misto de falta de grana e novas chances para o questionado Riascos e
o instável Thalles. Até agora, deu certo – o colombiano marcou seis vezes, o
garoto fez o seu quinto, no domingo, o gol que decidiu o clássico do último
domingo contra o Botafogo.
Nenê, estrela vascaína, mais decisivo que
Guerrero
Oferecido
ao Flamengo no ano passado, Nenê veio para o Vasco em meio à luta contra o
rebaixamento e se firmou no futebol brasileiro como, talvez, nem o próprio
esperasse mais. Tem sido em São Januário tudo aquilo que se espera de Guerrero
na Gávea. Não que o peruano venha mal – este ano, por exemplo, já fez seis
gols, três na Primeira Liga e três no Carioca -, mas ainda não é o atacante
decisivo e fatal da melhor fase no Corinthians. O camisa 10 do Vasco fez cinco
gols e participou de outros cinco, com passes para os companheiros marcarem.
Entre
os coadjuvantes, Emerson Sheik, que voltou à Gávea depois de seis anos em 2015,
vem sendo contestado pelos torcedores do Flamengo. Campeão brasileiro com
Muricy no Fluminense em 2010, o atacante não corre risco de perder a posição e
é até o artilheiro do time no estadual, com quatro gols, mas, aos 37 anos,
rende menos – ainda mais com a função de voltar e ajudar na marcação, igual a
Cirino, que é bem mais jovem e iniciou bem o Carioca, mas ainda não apareceu
bem em jogos decisivos pelo Fla. Por sinal, é provável que Cirino perca a vaga
para Gabriel no time titular para este jogo. Muricy barrou o atacante no treino
da véspera do clássico.
Do
lado vascaíno, Andrezinho tem complementado Nenê. Enquanto o craque tem
liberdade para criar e ficar solto no ataque, o camisa 7 se desdobra na
marcação e ainda ajuda na saída de bola, como quase como volante. Contra o
Botafogo, os dois tabelaram, mas Jefferson evitou o gol de Andrezinho no fim da
partida. Até mesmo nomes de menor destaque, casos de Julio dos Santos e Jorge
Henrique, têm cumprido bem suas funções e viraram peças importantes para o
esquema do treinador Jorginho.
Em
três meses, as expectativas para o ano dos dois clubes se inverteram. Na
capital federal, Flamengo e Vasco medem forças e modelos antagônicos em 90
minutos. A vitória para os vascaínos significa mantém supremacia recente sobre
o rival – foram cinco vitórias vascaínas nos últimos sete jogos do duelo. No lado
rubro-negro, Muricy e companhia veem no resultado positivo a retomada no rumo
planejado para o Fla de 2016.
Errata:
o Flamengo informou que a folha salarial é de R$ 4,3 milhões, não cerca de R$ 6
milhões, como dizia a reportagem, que se baseava no balanço do clube.

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