sexta-feira, setembro 18, 2020
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Minutos que desconstroem.

Primeiro gol sofrido pelo Flamengo contra o Botafogo – Foto:Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

BUTECO
DO FLAMENGO
: Salve, Buteco! Uma das vantagens (para mim) do jogo no sábado é
não precisar escrever o texto de segunda-feira sob o calor das emoções. O
Buteco tem uma tradição e não é fácil escrever algo de qualidade a respeito de
uma uma goleada sofrida em poucos minutos no Itaquerão ou de uma vitória que se
foi também em questão de minutos contra o Botafogo, na estreia da caricata e
improvisada arena que leva o nome do time do canil. Não sei se a expressão
“queixo-de-vidro” ainda é a mais adequada, mas exemplos recorrentes
evidenciam que o atual time do Flamengo em poucos minutos é capaz de desmanchar
toda uma atuação convincente contra um dos adversários mais fortes da
competição ou uma vitória eficiente, embora sem exibir um futebol de maior
qualidade (como no sábado), contra um adversário mediano, fraco, porém muito
aplicado e determinado, além de ser um rival muito tradicional.

A
disparidade técnica entre os dois times, na minha opinião, é algo evidente,
inquestionável, não aberto à menor discussão. Leio em vários portais análises
no sentido de que “o Botafogo foi melhor”, mas acho que essa
conclusão é bastante relativa. Acho que, naquele primeiro tempo, correu mais,
admito que se postou de forma muito mais aplicada e até organizada dentro de
campo, mas melhor? Bem, nas poucas vezes em que o Flamengo colocou a pelota no
chão e tocou de primeira, envolveu o adversário de forma tão fácil e simples
que só lhe restou o recurso das faltas grosseiras. Pergunto-me por que não fez
mais vezes? E para quem ainda tem dúvida, eu faço questão de mostrar os
números: o “melhor Botafogo” (ao longo da partida) teve 46,5% contra
53,5% de posse de bola do Flamengo, além de 293 (duzentos e noventa e três)
passes certos e 50 (cinquenta) errados contra 343 (trezentos e quarenta) e três
passes certos e 43 (quarenta e três) errados do Flamengo. O melhor, então, é um
tanto discutível nesse caso, concordam?
Arrisco-me
a ser mal interpretado, mas há muito tempo tenho a convicção que o Flamengo tem
enraizado, em nível cultural, o mau hábito de “rebolar no 1×0”. Às
vezes nem no 1×0. O Flamengo é capaz de fazer graça sequer estando em vantagem
no placar.  Basta estar envolvendo o
adversário e começam as reboladas, os toquinhos e a descontração tática. [email protected]
do Buteco, lembro-me disso acontecer em partidas contra os mais diversos
adversários e nas mais distintas situações e locais do país e no exterior, há
décadas. Não tenho dúvida de que, no primeiro tempo, foi esse relaxamento que
levou Marcelo Cirino a estar pensando em qualquer coisa, menos em suas
obrigações defensivas quando deixou Diogo Barbosa livre para a conclusão em um
momento no qual o Botafogo simplesmente não demonstrava ter forças para chegar
ao empate.
***
Veio o
segundo tempo e os 3×1 construídos com naturalidade e na base da superioridade
sobre o adversário. Um time superior impondo-se sobre outro inferior. Ponto.
Consultando o Footstats (www.footstats.net), constato que aos 23 (vinte e três)
minutos da segunda etapa o Flamengo já vencia por 3×1, mas Canteros estava em
campo desde os 15 (quinze), entrando no lugar de Marcelo Cirino, que teve
atuação individual simplesmente desastrosa. O porquê do recuo do Flamengo, a
partir de então, é o “xis” da questão.

Ricardo não está errado quando afirma ser natural um time que está em
desvantagem no placar, ainda mais em um clássico, lançar-se ao ataque em busca
da reversão do resultado. Condenar a substituição de Marcelo Cirino por
Canteros é exagero, pois o atacante fazia uma de suas piores atuações pelo
Flamengo e [email protected] sabemos que sua tenebrosa fase, repleta de más atuações, já
dura alguns meses. Mas com a entrada de Canteros e pelas ausências de Alan Patrick
e Ederson, o Flamengo não tinha um meia autêntico para escalar e então estava
com quatro volantes (primeiros volantes ou não) em campo – Márcio Araújo,
Willian Arão, Mancuello e Canteros, além de um misto de ponta e meia entre
esses quatro volantes e Guerrero, Everton.
Ricardo
Gomes, aos 27 (vinte e sete minutos), com 1×3 no placar, substitui Bruno Silva,
volante, por Juan Salgueiro, atacante. O Botafogo ganha o meio de campo e parte
com tudo para o ataque, pressionando o Flamengo. O esquema, com Canteros, que
não entra bem, não funciona. Aos 34 (trinta e quatro) minutos, Neilton marca o
segundo gol do Botafogo. Aos 36 (trinta e seis) minutos, Zé Ricardo então
substitui Everton, autor de um gol e de assistências para dois outros, por
Cuéllar, e o Flamengo passa a ter cinco volantes em campo (Márcio Araújo,
Gustavo Cuéllar, Willian Arão, Mancuello e Canteros) e Guerrero isolado no
ataque. No minuto seguinte, ou seja, aos 37 (trinta e sete) minutos, Juan
Salgueiro empata a partida para o Botafogo.
Aos 39
(trinta e nove) minutos, Zé Ricardo substitui Mancuello por Fernandinho. O
Botafogo continua a atacar, mas o Flamengo volta a responder, tanto que aos 46
(quarenta e seis) minutos do segundo tempo Fernandinho passa para Canteros, que
por muito pouco não dá números finais à partida, e tudo termina mesmo no
frustrante (para nós) empate em 3×3.
Mais
uma vez, o Flamengo se desmanchou em poucos minutos. Os jogadores, novamente se
apequenaram dentro de campo, mas dessa vez, fora das quatro linhas, temos a certeza
de que o treinador também tomou as decisões equivocadas (há dúvidas se foi ele
mesmo que estava à frente do time contra o Corinthians no segundo tempo no
Itaquerão). Falta estabilidade emocional e preparo psicológico para lidar com
momentos de maior tensão e competitividade?
***
Para
mim, foram dois pontos perdidos. Zé Ricardo se perdeu em meio a uma série de
decisões infelizes. Se acertou em cheio na escalação do Everton, foi infeliz
nas decisões que tomou nas substituições. Não sei se Zé Ricardo treinou o
esquema com cinco volantes (primeiros volantes ou não) e Guerrero isolado no
ataque e para a situação de jogo que se apresentava (“segurar o
placar”), mas fiquei com duas certezas e uma dúvida após a partida de
sábado. Primeiro, a dúvida: acho muito difícil essa formação ter êxito. Agora,
as certezas: a) falta muito para que dê certo e b) se treinou, Zé Ricardo
precisa refletir bastante e aprimorar o seu senso para decidir o momento exato
para utilizar suas novas ideias, pois a verdade é que o time ainda não sabe
jogar de forma eficiente fora das variações 4-3-3 e 4-2-3-1, ou seja, com dois
pontas abertos. Uma pena, pois o ideal seria conseguir variar taticamente. Quem
sabe com menos rachões e mais treinos as certezas e variações táticas não aumentem
em qualidade e quantidade?
***
Por
outro lado, por mais que eu ache (e tenho a impressão que [email protected] hoje concordam
comigo) que o Botafogo, no cenário nacional, não pode mais ser considerado um
clube grande, e sim um clube médio forte e tradicional, o confronto com o
Flamengo ainda é repleto de muita rivalidade. Se esse confronto pode ou não ser
chamado de clássico é um simples detalhe, um jogo de palavras, talvez. O certo
é que a rivalidade existe, é forte, antiga e muito tradicional. O confronto de sábado
mostra que falta a alguns jogadores do elenco o verdadeiro espírito de
competição, especialmente em partidas como essa. A verdade é que tivemos um
adversário com postura muito mais nobre e aguerrida dentro de campo para
encarar o confronto, ainda que com qualidade bastante inferior.
Cito
como exemplos claros, dentre os atletas, Willian Arão, que novamente
decepcionou ao enfrentar seu ex-clube e não se apresentou para o jogo (ao
contrário, escondeu-se), e Marcelo Cirino, disperso e com atuação tecnicamente
horrorosa. Menciono ainda o Márcio Araújo, que, embora seja um jogador que
corre muito dentro de campo, ainda no primeiro tempo, com o time na frente do
placar, várias vezes abandonou a função para tentar “armar o jogo” na
intermediária adversária, o que acarretou a perda da posse de bola e
contra-ataques perigosos, podendo assim ser citado com um exemplo da falta de
seriedade e concentração tática que mencionei no início do texto.
***
Mais
uma semana de treinos até o confronto na segunda-feira, dia 27.7, contra o
América/MG, em Cariacica/ES. A torcida rubro-negra capixaba está convocada.
Resta-nos aguardar evolução maior do que a ocorrida nesta última semana de
treinos após o confronto contra o Atlético/MG.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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