sexta-feira, setembro 18, 2020
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Modelo Teórico de Funcionamento do Futebol.

Imagem: Divulgação

BUTECO
DO FLAMENGO
: Sim, sei que na teoria tudo é s
upostamente bonito e funcional. E a
realidade é dura, é um lutador de UFC batendo sem piedade deixando suas
crenças, ensaguentadas, espalhadas no ringue da vida. Mas sem o imaginário não
se constrói sequer castelos de areia. E, em um exercício mental, ouso levar sob
a forma de proposta alguns pensamentos que venho tendo há algum tempo, sobre o
que poderia ser um Departamento de Futebol eficiente e de sucesso em resultados
esportivos e na formação de cidadãos.

Para
começar não acho o modelo atual eficiente. Evidente que pode gerar resultado
esportivo se uma cachoeira de dinheiro inundar o Departamento e aumentar as
chances aleatórias de escolha de elenco e comissão técnica. Compra-se os ditos
“melhores” e voilá. Pode ser que ganhe campeonatos. Dispute tudo em
alto nível. O Orçamento maior dita esta regra. O gigante comprador devora o
mercado vorazmente.
Mas
não é este modelo que proponho. Até porque, a longo prazo, pode gerar uma
dívida impagável, gigantesca, além de prejuízo enorme de imagem. Mas como é o
modelo atual? Um dirigente amador, VP de Futebol, interferindo no Departamento,
diretor de futebol, um CEO por ali, metendo o bedelho, afinal o Diretor de
Futebol está abaixo de sua hierarquia, o que pode causar confusão com VP de
Futebol e o próprio Presidente do clube, dando aquela impressão que “todos
mandam e ninguém obedece”. O Diretor de Futebol tem a comissão técnica
abaixo de si, escolhendo ou aceitando a mesma, mas não parece ter poderes para
maiores decisões em relação a própria. O “crivo” deve vir do
dirigente amador, que, como vimos, também participa de negociações. O que não é
necessariamente bom, haja visto a pouca experiência neste mercado e pouco
conhecimento de seus agentes e de técnicas específicas de negociação. Temos um
“Centro de Inteligência que avalia jogadores que podem ser contratados,
assim como a performance dos próprios jogadores do elenco. E comissão técnica
com poder de indicar jogadores e “bypassar” o crivo deste Centro de
Inteligência desde que autorizados pelo Diretor de Futebol e estejam dentro do
orçamento do Departamento. Pode não ser exatamente assim, mas para podermos
continuar, imaginemos que seja.
Enfim,
funciona? Não. Precisa de um orçamento grande para contratações que supram
constantes e perenes deficiências de elenco. OK então. O que proponho?
Proponho
o resgate do Flamengo como Centro de Excelência técnica na formação de
jogadores e uma supervisão técnica, digamos assim, que garanta ao clube a
utilização ótima de seus recursos.
Explicando.
O Flamengo tem uma base, certo? Sub13, sub15, sub17 e sub20, o jovem vai
passando por estas etapas para ver se chega no profissional, um jogador
formado. Mas chega? Não. O que poderia mudar? O Conceito de certificação do
jogador. Cada jogador para passar de um nível para outro, deveria ser
certificado, isto é, reunir o mínimo de qualificação técnica, física,
comportamental, emocional, psicológica para subir de nível. Como faixas de
judô. O jovem nas categorias inferiores, até o Sub17, aprenderia fundamentos,
técnica de jogo, habilidades específicas, obediência, disciplina, para criar
jogadores efetivamente técnicos e habilidosos, com boa finalização, ótimo
passe, boa marcação e senso de jogo. Saber chutar e passar com as duas pernas, cabecear,
driblar, enfim, seria exigido um bom nível, com testes periódicos que
definiriam a “faixa” do jogador em cada categoria. No sub17 os
jogadores, além dos fundamentos aprendidos exaustivamente nas categorias
inferiores, aprenderiam um amplo aspecto de “esquemas táticos” e como
se posicionar e atuar em cada um deles, alterando marcação em linha, individual
e por zona. Nesta categoria se definiria, enfim, a melhor posição para o jovem.
Caso “certificado” nesta categoria, o jogador iria para a sub20, na posição
selecionada, para aprimoramento máximo. Toda e qualquer deficiência deveria ser
suprimida. Suas qualidades aprimoradas. E estes jogadores, de alta qualidade
técnica, deveriam suprir o elenco profissional, o dispensando de contratações
desnecessárias. Aqueles que não fossem aproveitados, poderiam ser emprestados
com bom potencial de retorno financeiro, visto que seriam certificados, o que
garantiria jogadores disciplinados, de bom nível técnico, ótimos fundamentos e
conhecedores de sistemas táticos diversos, facilitando o trabalho dos técnicos
com quem vierem a trabalhar.
Os
jogadores da base do Flamengo, não seriam largados ao léu. Seriam oferecidos
boa educação, curso técnico profissionalizante, preparação para o ENEM e
créditos para universidade. O Flamengo formaria atletas e cidadãos, facilitando
suas vidas em caso de insucesso no futebol. O dinheiro para custear tudo isto
viria da venda de direitos destes jogadores certificados, mais valorizados pois
sabidamente muito bem preparados, e da utilização dos mesmos pelo profissional,
que retornaria em créditos para o departamento de Base, como compensação às
compras não efetuadas no mercado.
E o
Profissional? Bem, proponho o conceito de uma Supervisão Técnica Superior, com
componentes de alto conhecimento técnico e tático, que avaliariam os trabalhos
de campo, da base e do profissional, e, no caso do profissional, traçariam o
perfil do técnico a ser contratado ou cuidariam da preparação dos técnicos da
base do Flamengo, que também “subiriam de nível” e receberiam
treinamentos UEFA, por exemplo, para depois serem aproveitados dentro do clube
ou alocados em clubes parceiros para teste aplicado de seus conhecimentos
adquiridos. Esta Supervisão Técnica analisaria, com o elenco disponível, o
estilo de jogo que poderia ser aplicado e se há jogadores da base para suprir
eventuais deficiências ou se deve ir ao mercado. Toda e qualquer indicação
deverá passar pelo crivo do Centro de Inteligência, sem exceção. E a comissão
técnica? A comissão técnica contratada pelo perfil desenhado pela Supervisão
técnica na qual aceita o estilo de jogo definido.
A
Comissão técnica chega no clube, se não for formada por um técnico oriundo do
próprio Flamengo, com o conceito de Head Coach, isto é, um treinador principal.
O Flamengo disporia a ele vários outros “treinadores” ou auxiliares:
auxiliar de defesa, auxiliar de ataque, auxiliar de fundamentos e auxiliar de
análise do adversário. Todos estes formariam uma comissão de modo a armar o
time da melhor forma possível, tanto defensivamente como ofensivamente. O
técnico teria a seu dispor uma equipe que o ajudaria a tomar as melhores
decisões tanto em escalação como de enxergar lacunas no adversário a serem
aproveitadas.
Preferencialmente,
os jogadores seriam contratados no modelo de “ganho de performance”,
isto é, a maior remuneração seria na premiação por resultados. E com um elenco
vencedor os resultados viriam, facilitando a contratação de jogadores neste
modelo. Evidente que jogadores figurões podem não aceitar. É do jogo e teria
que saber lidar com isto, mas a ideia seria sinalizar ao mercado o quanto o
jogador pode ganhar com a remuneração variável.
O
Diretor Executivo teria metas por resultados e seria cobrado por isto. Seus
gerentes, seriam cobrados por ele para atingirem suas metas. Os bônus
financeiros só seriam distribuídos se o Departamento atingisse uma meta mínima
de resultados.
O
Departamento de futebol cuidaria de seu próprio orçamento, com staff
(adm,financeiro, comercial, jurídico, etc) próprio, para não se misturar com
outras unidades de negócio do clube. Seria encarado como uma “empresa
independente”. Teria também negociadores experientes, olheiros espalhados
no Brasil e outros mercados. O futebol do Flamengo ganharia peso como local
atraente, não só pela remuneração mas como pela qualificação contínua técnica e
física do elenco, em CT de alto nível.
Caberia
ao VP de Futebol cuidar da política do departamento frente ao clube, mas sem se
meter na parte técnica ou operacional. Esta seria exercida exclusivamente por
profissionais capacitados. A Supervisão Técnica poderia se reunir
ocasionalmente com o VP passando alguns relatórios e avaliações que são
discutidos com o Diretor e comissão técnica.
A
ideia é construir uma instância de futebol com rendimento ótimo e altamente
profissional. Focada em resultados e alta performance tática e técnica,
certificando jogadores e profissionais em formação.
Flavio
H Souza

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