domingo, setembro 27, 2020
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Muricy dá indireta ao Flamengo: “Quero ver segurar.”

UOL – São
quase 7 meses sem exercer a função de treinador de futebol. O tempo já foi o
bastante para Muricy Ramalho, afastado por obrigação para cuidar da saúde.
Reabilitado, a expectativa agora é a de que possa iniciar um trabalho ainda no
final deste ano em um grande clube do Brasil e provar os conceitos adquiridos
durante o tempo inativo. “Precisa por em prática. Tenho as ideias, mas
quero ver como elas funcionam. Vão encontrar um técnico mais interessado e
evoluído”.

Muricy
está em Barcelona há uma semana a convite de Neymar dos Santos, o pai de
Neymar, para conhecer a fundo o Barça. Na cidade, atendeu à reportagem do UOL
Esporte e disse estar vivendo a maior experiência da carreira. Ao ver a
administração do clube e o time de Luis Enrique treinar, destacou ter ganhado a
inspiração que faltava para voltar ao cargo de técnico.
Entre
clubes que gostaria de treinar, Muricy diz ter várias opções. Relevaria
problemas políticos para voltar ao São Paulo pela questão sentimental ou
apostaria no bom relacionamento com o Internacional. Fez também elogios ao
Palmeiras, clube o qual julga como bem estruturado e promissor. Citou também
Cruzeiro e Atlético-MG como equipes historicamente com boa estrutura. Mas
ressaltou que não conversou com nenhum clube.
UOL Esporte: O que achou de conhecer o
Barcelona?
Muricy:
Aqui era mesmo o que eu imaginava. Queria vir, mas conhecer a diretoria, ver
como eles pensam e como se organizam. Aqui são profissionais que cuidam do
futebol. Não é treinador que chega aqui e vai mudar alguma coisa. O argentino
lá, o Tata Martino, sofreu por não se encaixar na filosofia. Agora estou vendo
de perto. Na base, no feminino, no profissional, é tudo uma metodologia a ser
seguida. A base aqui me empolgou. Para você ter uma ideia eu conheci os dois
fisioterapeutas da base, e eles são ex-jogadores do clube. Então aqui se forma
o social, é um negócio diferente.
E acha que isso pode ser seguido no
Brasil?
Muricy:
Eu tive um convite para cuidar disso a fundo no São Paulo. Tentar implantar
isso, uma coisa parecida. Eu ia treinar o profissional, mas em uma ou duas
vezes por semana iria a Cotia ajudar lá. Ajudar a criar um padrão. Mas a
verdade é que para isso dar certo no Brasil é necessário tudo que tem no país
acabar e começarmos novamente. Não adianta imaginarmos a viabilidade, pois isso
é um aspecto cultural, de educação.
O que mais você gostou aqui foi conhecer a
base?
Muricy:
Foi a gestão como um todo. Me chamou a atenção. O treinador aqui fica com a
liberdade para trabalhar, mas seguindo uma linha do clube. Isso é um respaldo
muito grande. Aqui acontece um erro como o do Bartra no domingo – zagueiro
errou passe na saída de bola e o Eibar fez 1 a 0 contra o Barça no Camp Nou – e
você não ouve o treinador berrar e nem a torcida vaiar o zagueiro. E ele depois
disso saiu várias vezes jogando, pois é um conceito que eles não abrem mão e a
torcida comprou a ideia.
A filosofia do Barcelona não cabe no
Brasil?
Muricy:
Ela é viável em algumas coisas. Eu tinha posse de bola com o São Paulo. Como a
gente era um time lento, sem velocidade na frente, jogadores pesados como o
Luis (Fabiano) e o Ganso, que é de posse, nós tinhamos que chegar com ela no
pé. Só que no Brasil se acontece o que aconteceu com o Bartra ele não joga
nunca mais. A torcida vai xingar, vai ser criticado pela imprensa, pelos
dirigentes, e vai acabar que o treinador vai tirar o cara. Isso é muito complicado
de implementar isso no Brasil, mas pode acontecer dependendo do técnico. No meu
caso eu sou costas largas e seguro a bronca.
Pelo que conheceu no Barcelona, acredita
que os treinadores no Brasil estão defasados?
Muricy:
As pessoas confundem. Nós não estamos tão ruim de treinador. Muitos chegam aqui
para estudar, mas não adianta querer implementar o que se aprende, pois não vai
dar certo. Só que nosso pensamento de gestão é antigo. O (Carlos) Ancelotti,
Luis Enrique, Guardiola, são mais evoluídos que nós como treinadores pelos
clubes que trabalham. No Barcelona, por exemplo, você tem uma variação de 3-4-3
para 4-3-3 e sempre será assim. O Vanderlei (Luxemburgo) quis implementar outra
coisa no Real Madrid e caiu. Não adianta lutar contra a cultura deles. Eles são
mais evoluídos nesse sentido: têm uma mentalidade padrão Europa e a respeitam.
É ela é bem melhor que a nossa mentalidade.
 E a
visita te deixou com vontade de voltar a ser técnico?
Muricy:
Não tinha muita vontade de voltar, mas achei a inspiração. Estou com saudades
da bola e voltei a gostar do futebol e do dia a dia. Claro que daqui a pouco
volto para a minha realidade no Brasil, mas não é um problema. Achei muita
coisa boa que quero levar. Estou fazendo 25 anos como técnico e foi a melhor experiência
que tive no futebol. Não é algo astronômico, complicado. É objetivo. Isso achei
muito legal.
E o grande clube brasileiro que contratar
o Muricy vai encontrar o que de novidade?
Muricy:
Vai encontrar um técnico mais interessado. Com a melhoria do próprio clube, com
a melhoria do jogador, e do ambiente. Cada vez que você dá um tempo para
descansar e estudar, acaba evoluindo. Vão encontrar um treinador evoluído.
Se acha taticamente mais evoluído?
Muricy:
Precisa por em prática. Tenho as ideias, mas quero ver como elas funcionam.
Pode ser que com treinador de mais peso, os jogadores confiem e entendam o que
você quer passar. Não adianta passar para o cara diminuir espaços se ele não
confiar no treinador. Aí ele acha que o campo fica grande e tem risco de erro
maior. Com a experiência que tenho acho que ainda posso ajudar no futebol
brasileiro. Hoje no Brasil os times estão mais compactados, mas outras coisas
ainda podem ser melhoradas bastante. O pensamento é escolher um time com boa
estrutura, que possa ganhar.
E qual o time que te agrada mais
para comandar no momento no Brasil?
Muricy:
Tem vários times. Claro que a gente não pode falar o nome, mas tem vários.
Estou olhando. Hoje tem times que se encaixam com mais facilidade, como é o
caso do Internacional e do São Paulo, que eu já trabalhei. Mas tem outros
grandes times que mudaram a mentalidade, de organização e vão ser times de
futuro no Brasil. Times que sempre foram muito grandes, mas tinham muito
problemas internos. A gestão desses clubes melhorou e você precisa ficar de
olho nesse mercado também. Existem os grandes que sempre foram bem estruturados
como Cruzeiro e Atlético-MG também. Só que também existem os clubes que
compraram a ideia de cuidar da dívida e se equilibrar. Daqui a pouco vão dar o
estirão e quero ver segurar.
Só que se a ideia é escolher time
estruturados, bem geridos, o São Paulo não sairia da sua lista pela crise
política que vive?
Muricy:
O São Paulo tem mais que um lado racional. Você faz ideia do que é andar na rua
e ser parado a todo momento por um torcedor do clube? Ou estar em casa vendo um
jogo de Libertadores, como foi contra o Cruzeiro -quartas de final da última
edição – e 40 mil pessoas gritarem o seu nome. Então aí já é uma questão
sentimental. O São Paulo é um clube que nunca seria descartado por tamanha
gratidão que tenho a eles.
Mas o cenário político do clube te
assusta?
Muricy:
Assusta. E estou decepcionado. É um clube gigante e que e parece simples não
viver uma situação como essa. Mas todo mundo quer mandar, dar pitaco. Aqui no
Barcelona você não vê nenhum dirigente em treinamento. Cada um no seu lugar. O
São Paulo quando eu voltei – setembro de 2013 – aquilo ali era um desastre. Aos
poucos as coisas foram se ajeitando, então dá para imaginar que a
reestruturação pode ser rápida.
Sua decepção é com o Aidar?
Muricy:
A minha relação com ele sempre foi contratado e contratante. Ele me ligava,
queria saber se estava bem de saúde. Mas eu sabia dos problemas de bastidores
do clube sempre por boatos. A decepção é na política como um todo. Só que dava
para imaginar que uma hora a coisa ia estourar por ali.
Então a sua escolha de clube depende do
que como prioridade? Bom elenco? Estrutura? Liberdade de trabalho?
Muricy:
Sempre fui bem em escolhas de clube. Eu acho que a captação de um plantel não é
a prioridade. Claro que quero começar um trabalho em dezembro, montar elenco,
ligar para jogador, mostrar o trabalho, mas não é isso. O clube precisa ter uma
gestão profissional e se organizar como um todo. O Palmeiras é um caso de boa
gestão e que entrou na linha. Clube que voltou a ter o respeito de grande e
deixa cada um com sua função. Um clube promissor.
E do mesmo jeito que você sente gratidão
pelo São Paulo, acha que deve algo ao Palmeiras?
Muricy:
Näo sinto que devo nada a nenhum clube. No Palmeiras eu passei por lá sem
conquistar títulos, tive momentos ruins. Mas o trabalho desenvolvido foi o
melhor no momento. É aquilo que falo: você vai até o limite do seu espaço, e
hoje as coisas são diferentes. Vejo mais espaço para trabalhar em muitos
clubes. A gestão do futebol brasileiro, dos clubes brasileiros, melhorou muito.
Muito mesmo.
E está acompanhando o futebol brasileiro?
Tem times que você gosta mais de ver jogar?
Muricy:
Eu assisto jogo de futebol o dia inteiro. Vejo da Inglaterra, Espanha,
Alemanha, e assisto tudo que posso no Brasil. Mas é o tal negócio: no Brasil
tem dez jogos acontecendo de uma vez só, e como tenho que escolher o time que
vejo é o Santos. Depois o Atlético Mineiro. São times vistosos, de velocidade,
saída de bola rápida. O Dorival (Júnior) – treinador do Santos – também esteve
aqui no Barcelona e faz um trabalho incrível. Tem o Lucas Lima que para mim é o
melhor jogador do campeonato. Gosto dessa coisa de molecada e velocidade do
Santos. Muito legal ver jogar.
Mas o Corinthians, que está bem, à frente
não te empolga?
Muricy:
O Corinthians é bom. Muito tático. É só uma questão do que eu prefiro ver do
futebol. O Tite faz um trabalho fantástico, claro. Poxa, é de tirar o chapéu
ver o que ele fez com o time tendo perdido jogadores. Você faz ideia do que é
sair um jogador como o Guerrero? A cada um que saia imaginava que o time ia
cair de rendimento, mas não. É um belo trabalho do treinador.

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