Na final da Champions, o racha da gestão do Flamengo.

Por: Fla hoje

ESPN –
Em plena final da Champions League, no dia 6 de junho, em Berlim, na Alemanha,
a Chapa Azul que venceu a eleição do Flamengo começou a se desfazer. Na Europa
para assistir à decisão vencida pelo Barcelona diante da Juventus estavam
figuras importantes do cenário rubro-negro: Wallim Vasconcellos, então vice de
patrimônio, Rodrigo Tostes (finanças), Gustavo Oliveira (comunicação), Rodolfo
Landim (planejamento) e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, àquela época já rompido
com o presidente Eduardo Bandeira de Mello.
Integrantes
originais da Chapa Azul, os cinco afinaram o discurso e decidiram que os rumos
do Flamengo para o próximo triênio deveriam ser outros. Na madrugada de
quinta-feira, o cenário se confirmou. De aliados a opositores, a Chapa Azul se
dividiu em dois grupos. De um lado, o presidente Bandeira de Mello. Do outro,
Wallim Vasconcellos, agora declaradamente candidato na eleição rubro-negra. Em
conversa com o ESPN.com.br, Wallim explicou o motivo da cisão interna, a
decisão por candidatura própria, confirmou os aliados que ainda integram a
diretoria atual e sonha com um processo eleitoral sem desespero. E mostrou que
a eleição já começou na Gávea.
“Vamos
levantar o nível do debate. A disputa vai ser mais dura do que em 2012, mas sem
baixo nível. Espere que consigamos mudar. Se o Flamengo voltar a personificar
tudo num salvador da pátria, o projeto vai fracassar e podemos
retroceder”, disse Wallim.
Confira
abaixo a entrevista.
Qual o motivo da ruptura da Chapa Azul?
Tem
dois aspectos importantes. O primeiro que é mais importante e simples de
explicar é a alternância de poder. O que a gente imaginava é que três anos eram
suficientes. O fundamental não é a pessoa, mas o grupo e a filosofia. Esse é o
primeiro ponto. O segundo ponto é a percepção que alguns de nós estávamos
tendo. O conceito que nós defendemos naquela época estava sendo desvirtuado. O
conceito de que um grupo iria gerir o Flamengo. O que acontece é que uma pessoa
está gerindo o Flamengo, na figura do Eduardo. Cada vez mais concentrando as
decisões. Foi uma percepção minha, do Bap, do Tostes, do Landim e do Gustavo.
Se o Flamengo voltar a ter um salvador da pátria como em outras oportunidades,
o projeto vai fracassar. O grupo foi responsável, não foi uma pessoa. Cada um
teve o seu papel. A gente vê isso com muito receio, principalmente pelo que a
economia do país está passando.
Qual a relação da economia brasileira com
a gestão do clube, na sua visão?
Pelas
perspectivas de dificuldades que o país vai passar ainda pelo menos nos dois
próximos anos. Isso significa dificuldade com patrocinadores, futebol, esportes
olímpicos. Estrutura do clube, do CT. Você precisa ter um grupo forte dentro e
fora do clube, gente que tenha relacionamento com altos escalões de empresas,
altos escalões do governo. Gente que tenha capacidade de falar com essas
pessoas para ultrapassar esses dois anos afetando o mínimo possível a
capacidade de gerência do clube. Então não é qualquer grupo quer vai ter
capacidade. Sem isso podemos ter uma reviravolta, um retrocesso. Vamos perder
tudo e voltar para 2012. Para captar R$ 30 milhões e finalizar o CT, você vai
precisar de projeto. E quem está avalizando financeiramente? Não é qualquer um
que bate na porta de um investidor e pede R$ 30 milhões para terminar o CT.
Para deixar claro, o grupo que participa
da diretoria atual e o apoia tem nomes como Rodolfo Landim, Rodrigo Tostes e
Gustavo Oliveira, certo?
Isso.
Tem mais alguns que não querem se manifestar. Se você pega o quadrinho que a
gente fez no lançamento de 2012 você vai ter o (Cláudio, vice de administração)
Pracownik a favor do Eduardo, e o (Flávio, ex-vice de relações externas)
Godinho que não está lá desde 2013. Todos os outros, muito mais gente de peso
da economia brasileira, já manifestou que vai apoiar o nosso grupo. A gente não
mudou o pensamento, eles que mudaram o pensamento deles.
Mas não é conflitante que aliados seus
permaneçam na gestão do presidente Bandeira de Mello?
Eu,
efetivamente, vou ter que sair. Já falei com o Eduardo que, na próxima reunião
da diretoria, vou oficializar. Landim, Tostes e Gustavo entendem que por eles
não serem cabeça de chapa e tudo mais, podem permanecer. Basicamente nosso
grupo que colocou o Eduardo lá e não o Eduardo que os colocou lá. Eles estão
trabalhando pelo Flamengo, não pelo Eduardo. Landim e Tostes estão no conselho
de futebol. Essa intenção nossa vem desde Berlim, onde a gente estava
assistindo à final da Champions. Falamos de Guerrero, Sheik, Ederson. Eles vão
fazer o melhor possível. Até porque se a gente ganhar a eleição eles vão estar
no barco. Ninguém ia querer destruir algo para ter de fazer de novo. Nós não
estamos rompendo. Queremos cumprir o que foi vendido, entre aspas, para os
sócios em 2012. A nossa chapa continua com o mesmo discurso de 2012 e continua
gerindo o Flamengo não com uma pessoa, mas com um grupo de pessoa qualificadas
e bem intencionadas.
Quando você saiu da vice-presidência de
futebol em 2013, a alegação foi falta de tempo para conciliar com o lado profissional.
E até comentou que estaria “frito” se fosse presidente. O que mudou
para se lançar candidato agora?
Desde
dezembro para cá me desliguei da companhia na qual eu era sócio. Hoje em dia
faço trabalhos pontuais. Estou com muito mais tempo livre por enquanto. Já que
tenho tempo livre, vou mergulhar nesse projeto. Perguntei aos cinco se algum
deles gostaria de ser presidente. Vou voltar ao grupo inicial da Chapa Azul,
grupo fundador e vamos retomar o conceito de gestão que a gente falou para os sócios
naquela época.
Durante sua passagem na vice-presidência
de futebol houve muitas críticas sobre a gestão do departamento. Acredita que cometeu
erros naquela época?
Acho
que houve muito erro. Você imagina um cara que sempre esteve na arquibancada e
ter de chegar na vice-presidência de futebol em janeiro de 2013? Coisa de
maluco. Na minha vida eu nunca fugi de desafio. Encarei a eleição de 2012
porque era o único que podia ir. Encarei a vice-presidência de futebol porque
precisava. Errei? Errei bastante. Futebol é um dos casos em que você mais erra.
Você só sabe se dá certo depois do negócio. No final das contas, por um meio ou
outro ganhamos uma copa do Brasil, uma Taça Guanabara e um Carioca. Tive ajuda
grande do (Paulo, ex-diretor de futebol) Pelaipe, cara experiente. Foi ajuda
valiosa. Se não fosse ele nem teria conseguido tocar aquilo. Não tenho o menor
problema em reconhecer erro. Reconhecer e consertar. Durante toda essa gestão
tivemos acertos e erros. Acertos temos que ver se ainda podemos melhorar e os
erros ainda tentando corrigir. Isso é a vida.
O que deveria mudar no futebol?
Acredito
que vamos ter de mudar o modelo de gestão no futebol. Não só no Flamengo, mas
no Brasil. Não existe planejamento. Essa mentalidade tem de mudar, de trocar
muito treinador. A frase do Vanderlei (Luxemburgo), de que não entendemos e
futebol, me marcou. Mas nem nós, nem ele. Essa mentalidade atrasada que
praticamos levou à situação de hoje. Vamos procurar pessoas, gente que transita
pelo futebol no mundo, principalmente na Europa, para discutir que tipo de
gestão queremos no Flamengo. Devemos chamar para a discussão pessoas que
passaram pelo Flamengo como, por exemplo, os ex-presidentes George Helal e
Marcio Braga. Qual a estrutura do futebol que preciso? Um vice de futebol, um
manager? A gente precisa discutir isso exaustivamente. Um dos baluartes é
terminar o CT em três anos, passo fundamental para o desenvolvimento do futebol
do Flamengo. Temos de pegar parâmetros lá de fora. Se quiser dar um salto no
futebol, vai ser diferente do que está hoje.
Mas qual seria a participação dos
ex-presidentes, poderia explicar melhor?
O que
eu falei é que assuntos como o futebol, não no dia a dia, mas a parte de
estratégia, o modelo. Por que não debater com as pessoas com experiência na
matéria? Falei o futebol como exemplo, mas serve para o CT, estádio, sede
social, etc. Mudanças relevantes estruturais e não cotidianas. Outro exemplo:
interagir mais com o Conselho de Grandes Beneméritos nas questões maiores do
clube.
A saída do Bap e o confronto dele com o
presidente Bandeira de Mello foi o ponto inicial para a cisão. Qual seria a
função do Bap nessa gestão à qual você se propõe? Teria um cargo oficial, como
antes?
Essa
pergunta tem de ser feita ao Bap. Na nossa chapa ele vai fazer o que ele
quiser. Já disse que poderia ser presidente se quisesse. É um dos maiores
rubro-negros que conheço, uma pessoa apaixonada. E essa paixão passa uma imagem
de arrogante, mas não tem nada disso. É uma pessoa correta, de princípios, que
ama o Flamengo e agora defende suas posições mais do que outros. O Flamengo
nessa parte de marketing se ressente muita da falta dele. Se o Flamengo tivesse
um Bap as perspectivas de patrocínios e recursos estariam um pouco mais claras
e viáveis. Ele vai fazer o que quiser. Tem o meu respeito, do Landim, do
Tostes, do Gustavo.
As chapas devem ser inscritas até
setembro. Já há uma ideia de qual apoio buscaria no restante do clube?

estamos começando a construir as nossas propostas para o Flamengo. Gostaria de
colocar um compromisso: só vou ficar três anos se ganhar. Depois podem me
cobrar. Seria um orgulho estar no quadro com quem iniciou e com os
ex-presidentes que fizeram a história do Flamengo.
Vale qualquer tipo de apoio então?
Apoio
não se descarta. Se puder ter apoio de 100% dos sócios, ótimo. Uma coisa é ter
apoio se der. Todos os apoios hoje são em cima do programa. Se você vai
aproveitar ou não as pessoas no futuro é outra coisa. Primeiro ganha para
depois você saber quem você pode utilizar. Apoio em troca de cargo, jamais. Isso
não vai acontecer. De trabalhar no clube, não posso prometer. Depende de como
vamos montar depois. Apoio por apoio qualquer pessoa que seja sócio pode dar.

MAIS LIDOS

Escalação do Flamengo contra o Macaé; veja quem deve jogar

O Flamengo joga neste sábado a sua segunda partida no Campeonato estadual. Após vencer o Nova Iguaçu no jogo da última terça-feira, o time...

Goleiro do Flamengo é anunciado pelo CSA

O Flamengo está se organizando pensando na próxima temporada. O Rubro-negro carioca tem hoje o elenco mais qualificado do futebol sul-americano e, por conta...

Flamengo irá economizar R$ 15 milhões com Arrascaeta e Rodrigo Caio

O Flamengo é o time mais rico do futebol brasileiro, porém, a temporada 2021 promete ser mais apertada. O clube já não tem a...

Salário gigante de Rafinha no Fla irrita torcida; veja os comentários

O Flamengo tem hoje um dos grandes elencos do futebol sul-americano. Porém, o Mais Querido continua atento ao mercado da bola, podendo fazer mais...