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Não dava mais para Zé Ricardo no Flamengo

Zé Ricardo e Daniel Gonçalves, Preparador Físico do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

De um
lado estava a consciência de que a manutenção do trabalho é um ponto importante
pro sucesso, que qualquer pessoa desenvolve melhor sua atividade quando tem
tranquilidade no cargo, que os times que vão mais longe são aqueles que
conseguem manter um técnico por mais tempo.
Por
outro lado existe a pressão óbvia dos resultados. Um time eliminado na fase de
grupos da competição mais importante do ano e que antes do fim primeiro turno
já viu suas chances indo pro ralo na segunda mais importante, além de vir de
uma série de jogos ruins e ter durante todo o ano mostrando que falha nas
partidas realmente decisivas.
Ciente
de que existem limites para o que um treinador pode fazer – ele pode treinar a
recomposição da defesa, mas ele não pode entrar em campo e roubar a bola; ele
pode orientar os ataques, mas, se tentar entrar de peixinho no cruzamento, o
bandeirinha tende a sinalizar – a dúvida era se o Flamengo vivia uma situação
em que trocar de técnico seria abortar antes da hora um projeto que poderia dar
certo no futuro, ou corrigir o quanto antes um caminho que, independente do
tempo que tivesse, não iria dar frutos ou demoraria mais tempo do que o clube
pode se dar ao luxo de esperar.
E no
caso de Zé Ricardo ficou claro que a mudança poderia ser, sim, a melhor
solução. Isso porque, por mais que a estabilidade ajude, por mais que segurança
melhore o trabalho, a cada rodada ficou mais aparente que não existia um
horizonte de crescimento, não existiam perspectivas de evolução, não existiam
sinais claros de melhora. Ainda que seja possível achar atenuantes para todas
as derrotas, desde erros de arbitragem até falhas individuais, ficou evidente
que, diante da produtividade do time, ou Zé Ricardo tem as ideias erradas ou
não foi capaz de fazer com que o time implementasse direito essas ideias, por
mais certas que elas sejam.

Ricardo é responsável por todos os erros do Flamengo, todas as fragilidades da
equipe? Claro que não. Desde o passe de Arão para o gol do Vitória, passando
pelas chances perdidas por Diego em várias partidas, indo até as deficiências
do elenco e as falas equivocadas de dirigentes, os problemas do Flamengo atual
estão em quase todas as possíveis esferas e vão exigir uma grande mudança de
postura de todas essas peças para que sejam resolvidos. Mas os problemas cuja
solução estavam ao alcance de Zé Ricardo, e que vão desde a escalação até os
grandes surtos de desequilíbrio emocional da equipe, ele não teve a capacidade
ou experiência como técnico para conseguir consertar.
A
questão agora é a dificuldade em encontrar um substituto que ofereça mais,
aproveite melhor o potencial do grupo, encontre essas soluções que Zé Ricardo
não conseguiu apresentar. Afinal, por pior que a situação possa parecer, uma
das grandes verdades no futebol e na vida é que ela sempre pode piorar. E esse
Flamengo de 2017 parece ser especialista em periodicamente nos lembrar disso.


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