Não é hora para ‘oba-oba’ no Flamengo.

Éverton Ribeiro sendo recepcionado pela torcida do Flamengo no aeroporto – Foto: Staff Images

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida

Éverton
Ribeiro chegou ao Rio e já foi apresentado. Desembarcou nos braços da galera. A
festa contagiou tanto que trocaram Zico por Rodrigo (Caetano), no grito de
“nosso rei”! Uma assinatura, R$ 22 mihões, e o combalido Flamengo saiu do
marasmo, voltou a ser favorito a tudo que disputa. “Melhor time do Brasil”.
Torcida e imprensa tornaram a adotar o discurso de meses atrás. Em tempos de
“pós-verdade”, o Flamengo consegue inovar. Somos o time da “pré-verdade”. Sem
“pós” nem “pré”, a verdade é que o primeiro semestre rubro-negro já está
consolidado como um fracasso.
8
times brasileiros começaram o ano na Libertadores, 6 estão nas oitavas de
final. A Chapecoense só não avançou pelo imbróglio com Luiz Otávio. Em campo,
conquistou a vaga. Só o Flamengo ficou fora. Com um orçamento abissalmente
menor, o Atlético Paranaense avançou. Estava no mesmo grupo do Mengo. Não há
desculpas para nós.
A
eliminação ainda assola, ou assolava. Estava difícil achar a fonte de ânimo,
motivação para o restante da temporada. O time invicto, com 3 empates e uma
vitória sobre o adversário mais fraco, era perfeito reflexo da aura que
envolvia o Flamengo. Não mais. A torcida voltou a sorrir.
Sorrir
faz parte do Flamengo, não há gente com natureza mais feliz que o rubro-negro.
É impressionante como flamenguista sempre tira um motivo para fazer graça, se
sentir bem, ver a metade cheia do copo. O problema é que essa alegria natural é
fortemente capaz de boicotar o torcedor de viver uma felicidade ainda maior. Se
ser Flamengo já é maravilhoso, imagina ser Flamengo e campeão?
Para
sermos campeões, temos de assumir que não há só virtudes, mas também erros. E
buscar corrigi-los para que não mais se repitam. Se do meio pra frente parece
que as coisas finalmente vão funcionar, na parte defensiva o Flamengo não só
repetiu os erros do ano passado, como fez pior.
Em
2016, começamos o Campeonato Brasileiro desacreditados e sem zaga. Excelente no
Carioca, Juan não aguentava o tranco de enfrentar “gente grande”. Fazia dupla
com Léo Duarte, substituto imediato do recém-vendido Wallace. Rafael Dumas era
o reserva. Achincalhado pela torcida, César Martins estava de saída, fora
afastado do grupo e treinava separadamente, esperando o contrato acabar. Juan
se machucou e Martins foi de barrado a titular.
Com
maior investimento e a pecha de “um dos melhores times do país”, o Flamengo de
2017 conseguiu também começar o Brasileiro com péssima zaga. O torcedor se
empolga, acredita no Mengão sempre – é verdade –, mas foi uma tremenda falha de
planejamento pensar que Réver e Rafael Vaz formariam uma dupla qualificada para
“ganhar tudo” no ano. A sombra seria de Donatti, só que uma lesão na
panturrilha já o afasta dos gramados por mais de mês. Sobram Juan e Léo Duarte,
os mesmos preteridos do ano passado. Seguimos com um Réver, que –
religiosamente – entrega a bola todo jogo, e um Rafael Vaz, que, de tão fraco,
faz Réver parecer um zagueiro seguro.
O plus
do mal planejamento defensivo em 2017 é que adentramos o ano munidos de apenas
UM goleiro com experiência profissional no grupo. Thiago e Gabriel Batista não
tinham um minuto sequer em campo como jogadores profissionais. A inexperiência
era tamanha que, para a disputa da Libertadores da América, o Flamengo retornou
de empréstimo César, que estava na reserva da Ferroviária-SP.
Como
em 2016 – quando trouxe Réver, Vaz, Fernandinho e Diego –, o Flamengo foi atrás
de reforços no meio do ano para reparar o fracasso do primeiro semestre. Nova
falha do departamento de futebol, que tem como diretor executivo o agora “rei”
Rodrigo Caetano. Na figura de Éverton Ribeiro, tais reforços começaram a chegar
(fruto da excelente venda de Vinícius Júnior. Enorme acerto de nosso
departamento de futebol, vale ressaltar).
A
torcida pode ficar feliz, confiante, mas nada de “oba-oba”. Ano
passado, muitos celebraram o título em um Brasileiro que o Flamengo sequer
chegou a liderar. Semanas atrás, vários comemoraram a classificação na
Libertadores ainda no intervalo da partida contra o San Lorenzo. Não existe
jogo ganho. Aprendamos isso, e também que contar com jogadores consagrados no
elenco não significa necessariamente ter um time bom. Mais uma vez: chega de
repetir os erros.
Éverton
Ribeiro assinou, Diego voltou, Conca está para estrear e o futebol de Vinícius
Júnior não para de crescer. Tome sorriso nos rostos rubro-negros. É hora da
Nação empurrar esse time rumo aos títulos. Festejar, só depois de
conquistá-los.

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