segunda-feira, setembro 28, 2020
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Não passem o pano, o Flamengo perdeu.

Alexandre Schneider/Getty Images

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida

Pela
segunda vez no ano, o Flamengo saiu do Rio de Janeiro para disputar um jogo de
Libertadores. Pela segunda vez, foi derrotado. Isso é – e tem de ser – o
principal. Claro que, como torcedores, podemos apontar culpados, por um pouco
na conta da sorte e até destacar pontos positivos. O que não podemos é achar
que está tudo bem com um time que manda no jogo e perde.
Contra
a Universidad Católica foi assim. Embora não tenha criado chance clara de gol,
o Flamengo dominou a partida. Sem jogar nada, em um estádio calado – embora
cheio –, os chilenos ganharam. Imprensa, torcida e a própria equipe do Flamengo
reagiram bem. Lamentaram os gols perdidos e usaram a mais dada desculpa do
futebol moderno: “a bola parada”. Houve um consenso zelado de que o azar havia
sido o protagonista da derrota, embora a sorte tenha nos sorrido quando Rafael
Vaz entregou a bola a Santiago Silva.
Nesta
quarta, diante do Atlético-PR, o desfecho foi o mesmo, por mais que o jogo
tenha sido diferente. Nos primeiros 7, 8 minutos, sufoco absoluto atleticano.
Pressão, chute na trave. Perdemos boa chance, em contra-ataque de Guerrero, e
equilibramos as ações. Aí veio a tal “bola parada” e Alex Muralha falhou
clamorosamente. Fomos para o intervalo com o 0 a 1 nas costas.
Você
já ouviu falar em José Ivaldo? 20 anos, zagueiro do Atlético-PR. Improvisado na
lateral direita, mesma faixa do campo onde atuaram Trauco, Renê e Rômulo. Nada
o Flamengo fez por lá. A ala esquerda do time era improdutiva, uma vergonha.
Vergonhosa também a quantidade de bolas bobas perdidas. Passes de 5 metros
tortos e displicentes, tabelas que deixamos de criar por erros de um fundamento
básico. Guerrero é um leão, amarra a defesa, chama o jogo, mas peca demais em
passes simples por excesso de confiança. Com tudo isso, sem Diego e com Gabriel
titular (Zé Ricardo não desiste), só deu Flamengo no segundo tempo.
A bola
era nossa, o Atlético-PR mal conseguia passar da metade do campo, e nada de o
Flamengo ameaçar, de verdade, o gol de Weverton. Aos 25 minutos, troca dupla.
Saíram os piores jogadores de linha em campo – Renê e Rômulo, entraram Matheus
Sávio e Leandro Damião. Melhora nítida no time. Bem mais à vontade que no jogo
do Maracanã, Sávio foi bem. Pela esquerda, cruzou forte demais para Damião. De
volta à lateral, e sem as duas âncoras, Trauco cresceu de produção. Também
acionou o centroavante, mas a bola subiu muito e – mesmo sem goleiro – ficou
difícil para Damião testar para baixo. Já pela direita, Gabriel levantou para
mais um cabeceio de Damião. Dessa vez, ela foi no travessão e Guerrero não
conseguiu aproveitar o rebote. Mas a grande chance foi com Gabriel. Pará o
deixou na cara do gol… E aí Gabriel foi Gabriel. Poderia ter dominado,
resolveu pegar de primeira, com a perna ruim. Bola para fora. Na primeira
chegada real, aos 42’, o Atlético-PR marcou. Descontamos, com Arão, e acabou
aí.
Venceu
quem fez mais gols, e o abstrato “jogar melhor” novamente de nada adiantou. O
pós-jogo foi igualzinho ao da Católica: lamentar a derrota, e “celebrar o bom
futebol”. “O time está de parabéns. Só faltou capricho, faltou aproveitar
melhor as oportunidades”. Outra vez, parece que está tudo bem, tudo sob
controle. Não é assim. De novo, o Flamengo perdeu fora. Dificilmente quem ganha
todas como mandante e perde todas como visitante é campeão. A verdade omitida é
que, sem ser na bola cruzada/parada – mesmo com Diego em campo – raramente esse
time deixa alguém em plena condição de balançar a rede, seja qual for o
estádio.
Podemos
nos classificar na quarta-feira que vem, sem pontuar fora de casa, caso
vençamos a Universidad Católica – no Maracanã – e o Atlético-PR não perca para
o San Lorenzo, em Curitiba. Não podemos, de forma alguma, achar que “tá no
papo”.
Ah,
que blogueiro exagerado, pessimista!
Não
sei se pessimista é o termo exato, “traumatizado” cabe melhor. Nos meus 26 anos
de vida, vi o Flamengo disputar 6 Libertadores. Todas com final vexatório. É
inadmissível cair pela terceira vez seguida na fase de grupos. E para avançar,
precisaremos vencer. Jogando bem, melhor ainda. Mas o necessário é a vitória. O
bom desempenho é fundamental, porém não pode ser colocado acima do resultado.
Sem
salto alto, sem oba oba, sem se preocupar com a final do Estadual. Esse ano, nosso
sonho é maior, extrapola o Rio, extrapola o Brasil. Na hora do mata-mata, não
vai dar para depender do resultado de ninguém. Com os pés no chão, chegaremos
lá.

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