Não sejamos clubistas diante da tragédia.

Por: Fla hoje

Foto: Divulgação

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

E
aconteceu mais uma vez. No que parece ter sido uma combinação de
desorganização, falta de policiamento e violência, antes mesmo que a partida
entre Flamengo e Botafogo começasse já tínhamos um torcedor morto e ao menos
mais sete hospitalizados após incidentes no entorno do Engenhão. As imagens
mostram um ambiente praticamente de guerra, com explosões, relato de troca de
tiros e ao menos mais um torcedor atualmente hospitalizado em estado grave
Uma
tragédia chocante mas que infelizmente se repete com uma frequência absurda, o
tipo de problema que todos nós conhecemos muito bem e que vem afastando
torcedores sem que sejam tomadas soluções realmente efetivas – proibir
organizadas dentro do estádio ou a entrada de bandeiras não representa
exatamente uma solução, se as pessoas podem continuar se matando do lado de
fora dele.
E
ainda que o torcedor assassinado, Diego Silva dos Santos, fosse botafoguense, a
tragédia obviamente afeta a todos nós, independente de clubes, por sermos todos
torcedores e todos humanos. Todos nós frequentamos estádios, amamos futebol,
desejamos poder fazer isso em segurança e com os nossos entes queridos como a
diversão e a paixão que isso representa, e não como um risco para nossa vida.
Por
isso me surpreende, como sempre, a falta de empatia e sensibilidade que surgiu
de todos os lados não só antes, como durante e depois da tragédia.
Flamenguistas dizendo que o Botafogo queria adiar a partida por “medo de
perder”, quando diante de um contingente policial reduzido para o clássico essa
talvez fosse a atitude mais sensata ou ao menos algo que deveria ser
considerado. A postura de ambos os times nas redes sociais, primeiro com a
postagem do Flamengo que, ainda que sem má-intenção, foi extremamente
inoportuna, seguida pela reação do Botafogo que foi desproporcional, e em
seguida a resposta da diretoria rubro-negra, que preferiu seguir elevando o tom
em vez de buscar uma posição mais sensata diante da discussão.
Diante
de uma tragédia, diante da perda de uma vida, não existe Flamengo, não existe
Botafogo, não existe Vasco nem Fluminense. Ninguém precisa “ter razão” numa
hora dessas porque este tipo de discussão nem mesmo importa quando existem
pessoas hospitalizadas apenas porque decidiram ir a um estádio ver um jogo de
futebol. Tudo isso é pequeno diante do problema real e só serve pra distrair as
pessoas da verdadeira questão, que é a frequência com que precisamos deixar de
falar de futebol pra falar sobre a violência que o cerca e acaba nos tornando
mais distante dele.
Mais
do que postar tuites inoportunos ou acusar tal tuite de ter tal intenção era a
hora de Flamengo e Botafogo estarem pensando em como juntos podem fazer a sua
parte para evitar que situações desse tipo se repitam. Seja exigindo critérios
melhores de segurança para entrar em campo, seja pressionando o governo, seja
cortando vínculos com grupos que levam a violência para os estádios.
Porque
podemos estar uns contra os outros numa disputa esportiva que dura 90 minutos,
mas durante todo o resto do tempo era para sermos capazes de ter a percepção de
que estamos no mesmo time e só juntos vamos conseguir transformar o nosso
futebol em algo mais seguro, organizado, cuja pior tristeza possível seja
apenas uma derrota dentro de campo num clássico.

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