domingo, setembro 27, 2020
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Negociações travam e Globo pode ficar sem o Flamengo no Carioca.

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Matheus Palmieri

ESPN: O
Fluminense não resistiu à pressão e se juntou a Vasco e Botafogo. Os três
assinaram o “de acordo” com a Federação de Futebol do Rio (Ferj) para
renovação dos direitos de transmissão do campeonato Carioca com a TV Globo. Só
falta o Flamengo. E enquanto o rubro-negro não assinar, ninguém recebe. A cinco
meses do fim do ano, as negociações estão estagnadas e o Estadual está perto de
ficar sem o rubro-negro na TV pelos próximos oito anos.

Embora
com a decisão em suas mãos, o Flamengo está cada vez mais pressionado a ceder.
A emissora já avisou que não pagará adiantamentos a Vasco, Bota e Flu (nem
Ferj) enquanto não tiver os quatro grandes. Os clubes precisam de dinheiro e
tentam colocar o rubro-negro contra a parede. O Flamengo, por sua vez, não abre
mão de alguns pontos:

receber diretamente (sem que o dinheiro passe pela Federação);
– que
o contrato esteja vinculado a regras de transparência, como saber quanto a Ferj
empresta de dinheiro aos clubes e as condições desses empréstimos;
– que
a Ferj diminua de 10% para 5% a taxa nos jogos;
–  que a entidade seja impedida de interferir em
preço de ingressos;
– que
o decidido nos arbitrais não possam mudar contratos assinados;
– que
os clubes possam explorar a publicidade nos estádios;
– e
que o valor pago aos clubes seja maior que o recebido pela federação;
Segundo
apuração do Blog, a TV Globo dobrou o valor para compra dos direitos do
campeonato (2017-2014), oferecendo R$ 120 milhões por ano, no total. Dos quais,
R$ 12 milhões (10%) serão pagos à Ferj, enquanto os quatro grandes receberiam
R$ 15 milhões (15%) cada. Desta forma, a Federação acabaria ganhando mais do
que os clubes, uma vez que ela ainda tem o direito exclusivo de comercialização
de propaganda nos estádios, o que pode dar, de acordo com cálculos de quem
acompanha o setor, um total de R$ 24 milhões de faturamento.
Descontando
os R$ 60 milhões dos quatro grandes e os R$ 12 milhões da Ferj, sobram R$ 48
milhões que seriam divididos a maior parte para os clubes considerados médios:
Boa Vista, Volta Redonda, Madureira e Bangu, seguidos dos demais considerados
pequenos e ainda as premiações e outras despesas da federação.
Fluminense
era aliado contra a Ferj
No
início das negociações, Flamengo e Fluminense se colocavam do mesmo lado:
contra o controle da Ferj. No entanto, nos últimos dias, o Tricolor acabou
cedendo e assinou o “de acordo”. Procurado, Peter Siemsen disse que
não comentaria. O presidente apenas afirmou “não recebemos nada até agora
pelo Estadual”.
A Ferj
se limitou a dizer que “o contrato atual dos direitos de televisionamento
do Campeonato Estadual tem vigência até o dia 31 de dezembro de 2016 e a
Federação de Futebol do Rio de Janeiro, por obediência à cláusula de
confidencialidade, não se manifestará a respeito da renovação”. O Blog, no
entanto, também havia questionado sobre as críticas feitas pelo Flamengo, mas a
Federação se negou a responder.
O
Flamengo também alegou questões de confidencialidade para tratar dos detalhes,
mas informou que “o clube não se opõe a que ninguém assine, mas se recusa
a fechar um contrato lesivo à instituição e ao futebol carioca. Receber mais do
que a federação é o mínimo que se espera. Queremos receber um valor compatível
com a importância e a exposição do clube”, disse o presidente Eduardo
Bandeira de Mello, completando:
“Estamos
tratando com a TV Globo e sabemos que eles também têm boas intenções. Mas se
não der para o Flamengo participar com o time principal do Estadual, vamos
lamentar. Podemos colocar o time B, mas não teremos nossos jogos
transmitidos”, disse.
Em
tese, o rubro-negro pode aguardar o andamento do Brasileiro, para saber como se
posicionar no primeiro semestre do ano que vem. Entre as opções estão jogar o
Estadual com o time B, e priorizar a Primeira Liga ou a Libertadores, caso
consiga estar no G4 ao fim da temporada.
Neste
ano, a moeda de troca da Ferj foi justamente o dinheiro da TV Globo. A
federação, quando não atrasou, ameaçou não transferir para a dupla Fla-Flu as
cotas do Estadual, como poder de barganha na tentativa de impedir que os dois
participassem da Primeira Liga.
Dentro
da TV Globo, o assunto é tratado com cautela e provoca divisões de
posicionamento. Há um grupo que já vê como necessária a desvinculação dos
pagamentos à Ferj para maior independência dos clubes. Já outro, ainda vê a
federação como aliada e prefere a manutenção do modelo.
A ver
até quando Flamengo segura a pressão. E até que ponto o campeonato perde com a
possível retirada do time rubro-negro de campo.

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