Nem o futebol brasileiro valoriza os treinadores nacionais.

Por: Fla hoje

Cosme
Rimoli – Os treinadores do Brasil não ficaram apenas ultrapassados. Começaram a
ser desvalorizados. Quando Dorival Júnior aceitou ontem a proposta de R$ 250
mil do Santos, até o final de 2015, impossível deixar de pensar quanto ele
recebia no Flamengo. R$ 780 mil mensais. Isso há dois anos.

Acabou
a era dos ‘supertécnicos’. O maior salário no Brasil entre os treinadores é
Tite. Ele recebe R$ 500 mil no Corinthians. Em 2010, recebia R$ 612 mil, considerando
a inflação. O índice vale para a toda a relação. A desvalorização nos grandes
clubes brasileiros, segundo levantamento da Folha, chegou a surpreendentes 48%
em cinco anos.
O
Atlético Mineiro pagava, na época, R$ 476 mil a Dorival Júnior. Hoje, banca R$
450 mil a Levir Culpi. Joel Santana, então no Botafogo, embolsava R$ 367 mil.
Agora, René Simões ganha R$ 60 mil. Cuca recebia, R$ 313 mil no Cruzeiro.
Luxemburgo, R$ 200 mil.
O
mesmo Vanderlei Luxemburgo ganhava R$ 707 mil no Flamengo, hoje Cristóvão
Borges, R$ 200 mil. No Fluminense, Muricy alcançava R$ 748 mil, Enderson
Moreira fica com R$ 200 mil. No Grêmio, Renato Gaúcho recebia R$ 353 mil, hoje
Roger, R$ 150 mil.
No
Internacional, Celso Roth ganhava R$ 408 mil, Diego Aguirre, R$ 230 mil. Luiz
Felipe Scolari, alcançava R$ 971 mil. Marcelo Oliveira, R$ 350 mil. No Santos,
Marcelo Martelote, R$ 27 mil. Dorival, R$ 250 mil.
No São
Paulo, Paulo César Carpegiani, R$ 272 mil. Juan Carlos Osório, R$ 310 mil. No
Vasco, PC Gusmão ganhava R$ 202 mil. E agora Celso Roth recebe R$ 150 mil.
Paulo
Roberto Falcão, ex-técnico da Seleção, pediu R$ 250 mil ao Goiás. O clube
ofereceu R$ 120 mil. Não houve acerto. Julinho Camargo, que foi auxiliar de
Falcão, foi contratado. Seu salário seria R$ 80 mil.
Além da
desvalorização apontada pelo jornal, conversando com dirigentes em off, fico
sabendo que acabou aquela fábrica de multas. Ou seja, os treinadores em 2010
exigiam que, se fossem demitidos, os clubes deveriam pagar integralmente o que
iriam receber. Por exemplo, se acertasse por um ano, e fosse mandado embora
depois de um mês, receberia onze meses. Mesmo acertando até com outra equipe.
“Hoje
essa moleza acabou. Paramos de queimar dinheiro com técnicos. Sabemos da sua
importância, mas ele é apenas mais um profissional no contexto. Se ele for
mandado embora, a grande maioria dos clubes banca um, no máximo dois meses de
multa. Caso acerte com outra equipe imediatamente, nem isso. Acabou a
submissão. Talvez descobrimos que eles não são tão importantes como achavam que
era”, me diz o dirigente que prefere o anonimato para não se indispor com
seu treinador.
Os
técnicos brasileiros perderam prestígio. Vanderlei Luxemburgo chegou a ter uma
Comissão Técnica que carregava para cima e para baixo, com cerca de 12 profissionais.
Hoje precisa se contentar com apenas dois. Seu parceiro de décadas, o
preparador físico Antônio Mello. E seu mais recente auxiliar, o ex-jogador
David. O mesmo acontece com a maioria dos treinadores no país.
A
crise financeira que domina o país espantou os patrocinadores. Os clubes têm
enorme dificuldade financeira. Salários atrasados não só de jogadores, mas de
técnicos, são cada vez mais comuns. Há cinco anos, o treinador era sempre
poupado nas crises. Hoje, não.
Os
fracassos da Seleção Brasileira também servem para enfraquecer ainda mais a
situação dos técnicos. Está cada vez mai transparente que o país exporta pés e
não cérebros. Os grandes clubes europeus levam jogadores mas não treinadores.
Os dirigentes de lá não confiam nos organizadores de times daqui.
O
retumbante fracasso de Scolari no Chelsea e de Luxemburgo no Real Madrid são
sempre lembrados. O ex-lateral Roberto Carlos deixou claro que os jogadores não
respeitavam Vanderlei. Não faziam o que ele queria. Ele não soube se impor
diante dos galácticos.
Assessores
de Felipão espalham que, no Chelsea, houve um boicote. Drogba seria o grande
vilão contra o brasileiro. Por isso os resultados pífios. A imprensa londrina
vai por outro caminho. O técnico tentou formar uma ‘família Scolari’, tentando
aproximar os atletas, mas eles o rejeitaram.
Os
idiomas espanhol e inglês também foram considerados dois grandes obstáculos.
Tanto Vanderlei quanto Felipão teriam penado para se expressar.
Luxemburgo
foi para a Espanha há dez anos. Scolari esteve no Chelsea em 2008.
Ou
seja, há sete anos nenhum clube da elite do futebol europeu pensa em técnico
brasileiro. Não é por acaso.
Eles
se sujeitam à periferia do mundo do futebol como China, como Felipão e Cuca.
Japão, Paulo Autuori. Ou Emirados Árabes, Caio Júnior e Abel Braga.
Mano
Menezes foi demitido da Seleção em 2012. Abandonou o Flamengo. O Corinthians
não quis renovar seu contrato. A expectativa era que iria trabalhar na Europa,
no futebol português. Após seis meses ele segue desempregado. Apenas estudando
inglês. E esperando propostas que nunca chegam.
O pior
é a grande maioria finge que não percebe o que está acontecendo. A falta de
interesse em se aprimorar. Passar seis meses, um ano no berço do conhecimento
tático, a Europa. Com humildade, acompanhando de verdade os grandes treinadores
do mundo. Guardiola, Mourinho, Klopp, Simeone, Ancelotti e tantos outros. Não
só fazer visita de um, dois dias. Tirar foto ao lado deles e postar em redes
sociais.
Além
disso estudar psicologia, gestão. Inglês e espanhol precisariam ser
obrigatórios. Há muita acomodação. O tempo perdido na concentração é absurdo.
Puro ócio. No máximo, os técnicos assistem jogos dos adversários. Dão preleções
repetidas, monótonas. Nas decisões, mandam filmar mães, esposas e filhos dos
atletas. Passam pedaços de filmes motivacionais. Decoram trechos de livros de
autoajuda e ‘vamos que vamos’.
Além
disso há o importante ingrediente. Desunião. É treinador de olho no emprego do
outro. Sem a menor ética. Vários recados chegam aos dirigentes quando um deles
balança em uma grande equipe. Há sempre um desempregado salivando.
A
única hora que se juntam é para evitar, de qualquer maneira, a quarentena.
Alegam, em off, que é inconstitucional. O que é a ‘quarentena’, usada na
Europa? Simples. Um treinador demitido por um clube fica impossibilitado de
trabalhar em outro no mesmo campeonato. Nem os dirigentes querem. Por quê?
Porque assim obrigaria mais responsabilidade na hora de escolher. Se errasse, o
mercado ficaria muito escasso.
Assim
segue a vida. E depois, Marco Polo del Nero ainda estranha a vontade popular de
um treinador estrangeiro para a Seleção Brasileira. Nem o futebol brasileiro
acredita nos nossos técnicos.
Por
isso passou a pagar 48% menos do que gastava com eles em 2010.
A
decadência está evidente.
Só não
enxerga, quem está preocupado demais com o FBI…

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