quinta-feira, outubro 1, 2020
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Nixon, do Flamengo, tenta superar drama de lesão.

Globo
Esporte – Os 23 anos de vida ainda não foram suficientes para transformar Nixon
num atleta experiente, mas o drama profissional vivido por ele em 2015 está
fazendo-o, na marra, dar um salto de maturidade tanto como jogador quanto como
pessoa. Há um mês, quando se recuperava de cirurgia no tendão patelar do joelho
esquerdo realizada em março para corrigir um problema congênito, o atacante
sofreu ruptura do mesmo tendão, desta vez uma lesão bem mais grave, e teve de
passar por nova operação que o fará retornar aos jogos do Flamengo somente no
ano que vem. Após meses de academia e fisioterapia e alguns trabalhos leve no
campo, fez o primeiro treino com bola num nível um pouco maior de intensidade.
No primeiro chute a gol ocorreu a lesão.

– A
cena não sai da cabeça. No dia eu tinha feito academia, normal, e fui fazer trabalho
no campo. Fiz coisas normais, de coordenação, que todo mundo faz. Já vinha
fazendo isso. Nesse dia eu fiz esse trabalho e fui fazer um joguinho com
aqueles golzinhos pequenos. Depois fomos para o gol grande com os juniores. Não
tem como alguém prever algo, a perna estava forte. Eu estava mais cansado do
que os outros, porque era muito tempo sem fazer aquilo, e o passe saía mais
fraco, o que é normal. A lesão foi num lance em que dominei a bola e
automaticamente pensei em chutar para o gol. Quando chutei, rompeu o tendão. Já
caí gritando. Dominei, coloquei de lado e chutei, lance normal. Creio que tenha
sido o apoio da perna. Não sei explicar. Nunca imaginava. Coloquei a mão no
joelho e todos pediram para eu ter calma. A pressão na hora baixou um pouco e
passei mal. O carrinho me pegou e me levou até o Dr. Márcio Tannure, que disse
na mesma hora que poderia ter rompido – contou.
O
problema de Nixon vem desde criança e é no tendão dos dois joelhos, mas somente
um precisou de cirurgia. Desde o ano passado, o atacante sente queimação no
joelho esquerdo, mas tratava e conseguia jogar. Piorou no fim do ano, e a
operação ocorreu após a disputa de oito jogos em 2015, quando ele não suportava
mais as dores. Primeiro, passou por processo de raspagem e retirou um pedaço de
osso que incomodava, para liberar o tendão. Na segunda cirurgia, teve de
refazer o tendão rompido. Nesse meio tempo, outra preocupação: um quadro de
falta de ar fez com que Nixon fosse submetido a uma bateria de exames, mas
felizmente não passou de um susto. Com muita fé, ele está firme na recuperação.
Apesar de ficar boa parte do tempo com a perna esquerda imobilizada, já largou
as muletas e está em processo de ganhar o arco de movimento do joelho. Nixon
trabalha a questão da ansiedade e está confiante de que voltará com tudo. E sem
medo.

Não acredito em azar nem em sorte. Creio que Deus tem um propósito para tudo,
que Ele não vai querer nos ver sofrer, nos ver mal. Mas isso ocorre na vida de
qualquer um. Assim como aconteceu comigo, aconteceu com outros. Muitas outras
pessoas passaram por momentos difíceis. Confesso que nunca imaginei que teria
de passar por uma operação complexa como essa e que requer tempo maior de
recuperação. Estou aprendendo com esse tempo. A gente fica triste porque quer jogar,
mas ao mesmo tempo sabe que tem que tratar, cuidar com calma. Graças a Deus
está sendo uma recuperação muito boa. Tenho me sentido forte. Meu joelho está
mais forte. Após a segunda cirurgia não cheguei com tanto medo para a
fisioterapia, porque já sabia como era. Claro que há dor, não vou negar, mas
faz parte. Creio que, com os bons profissionais que temos, vou voltar no tempo
certo, com calma, e ajudar o Mengão.
Nixon
falou mais sobre o drama. Veja a seguir, por tópicos:
Origem do problema:
Meu
problema nos dois joelhos vem da infância. Lembro bem quando morava na minha
cidade, Juazeiro-BA, eu sentia dores exatamente no ponto onde passei a sentir
depois. Na época jogava em escolinha. Tocava com o dedo nos joelhos e já doíam.
Mas sumiu, foi rápido, passou. Aí não me preocupei mais. Achava que era uma dor
momentânea por causa da fase de crescimento.
Gota d’água para operar:
Na
pré-temporada o problema (no joelho esquerdo) começou a me incomodar muito. A
gente tentou fazer de várias formas. Eu não participava de alguns treinos mais
fortes e ficava fazendo um trabalho específico de fortalecimento para conseguir
jogar. Joguei os primeiros jogos do Carioca e depois não consegui mais por
causa da dor, que era muita. Passei a não conseguir mais fazer os trabalhos
paralelos de fortalecimento também porque sentia muita dor. Foi quando a gente
fez o exame, e deu tendinopatia com micro-roturas no joelho esquerdo, e no
direito deu só inflamação, porque compensava o peso de uma perna na outra.
Precisei operar só a perna esquerda.
Retorno ao campo foi precipitado?
Pelo
que percebi no corpo em relação à musculatura, eu estava melhor. Quando comecei
a fazer academia, só conseguia pegar 5kg, o que é muito pouco. Disseram que meu
processo estava demorando, mas depende de como a musculatura vai evoluir, e
cada um tem um processo. Perdi muita musculatura no quadríceps, lugar que me dá
força, e só conseguia pegar 5kg com muita dor. Também sentia dor correndo e em
alguns movimentos no campo. Quando sofri a segunda lesão eu já estava pegando
25kg com o mínimo de dor possível. Isso já estava dando forma na musculatura da
minha perna esquerda. Não imaginava que machucaria de novo, tanto que, no dia
em que me machuquei, foi tão rápido que eu não acreditava na hora. Mas fiquei
calmo. Não tinha como mudar mais nada. Percebi que tinha machucado porque ouvi
o estalo.
Sentimento ao perceber que havia se
lesionado de novo:
Quando
estava esperando o doutor, coloquei o dedo no joelho e já senti tudo mole, de
forma diferente. Ali já entendi que tinha acontecido alguma coisa um pouco mais
grave. Fiquei triste, mas confesso que fiquei mais tranquilo do que da primeira
vez em que fui operar.
Apoio da família e dos amigos:
Minha
noiva estava comigo no hospital, ficou preocupada e chorou, mas acontece.
Fiquei preocupado em falar para os meus pais, porque eu já vinha de uma lesão e
sabia que eles ficariam nervosos de ver o filho passando por um momento
daquele. Depois contei para eles. Tive muito apoio também do meu empresário,
Adolfo Costa, e da família dele, dos meus sogros e dos meus amigos. Todos
unidos me deram muita força. As pessoas do clube foram muito carinhosas. E tive
apoio até de gente que não conheço, pois recebi muitas mensagens nas redes
sociais. Isso foi fundamental, porque só quem vive entende. Não é um processo
fácil.
Paciência:
A
gente tem que procurar formas para não ficar ansioso, pensando muito nas
coisas. Sei que é um processo demorado e que requer uma maior recuperação para
voltar. Quando me machuquei, disse a todos que não estava preocupado com o dia
da volta, e sim com a recuperação. Estou tranquilo e conseguindo esperar. Claro
que dá saudade em alguns momentos, quando vê os treinos, os jogos, só que não
vou voltar agora. Fico lá torcendo para meus companheiros e me apegando cada
vez mais a Deus, porque Ele me dá forças e sabedoria não só para esperar, mas
para saber falar no momento certo, porque é difícil. Você imagina tanta coisa e
vê que não está acontecendo. Tem que saber esperar, e isso tem me amadurecido
bastante. É uma superação. Não vem um fardo maior do que você possa suportar.
Sou muito novo e vou ter uma carreira pela frente para viver muitas coisas.
Exemplo fenomenal:
Quando
me machuquei, lembrei bem do Ronaldo, pois ele teve lesão parecida. Creio que a
dele foi até um pouco mais complexa do que a minha. Ele acabou voltando e sendo
melhor do mundo, melhor da Copa, artilheiro, e mostrou perseverança. Passou por
tudo aquilo e conseguiu êxito.
Falta de ar e susto:
Depois
da primeira operação, comecei a ter sintomas de falta de ar. Quando se toma
anestesia para fazer essa operação, às vezes ela gera alguns sintomas, como
enjoo e tontura. Comecei a treinar e às vezes sentia essas coisas. Também senti
falta de ar e coração acelerado e fiquei um pouco preocupado, porque nunca
tinha sentido antes. Imaginei que pudesse ser por conta da anestesia. De todos
os exames que fiz, nenhum apresentou nada. Mas teve um que apontou sinusite, e
ela gera tontura e deixa enjoado. Só foi isso mesmo. A medicação simples
resolveu.
Medo de voltar:
É
uma coisa que estou procurando trabalhar bem. É natural que, em casos de lesão,
a pessoa tenha medo de fazer o mesmo movimento que causou essa lesão. Mas no
dia em que me machuquei eu não estava com medo nenhum. Fui ganhando mais
confiança conforme ganhava força. Só quando não sentia a perna tão forte ainda
que sentia um pouco de medo. Vai ser um processo longo e creio que vou ganhar
confiança para fazer os movimentos. Acho que não vou ter nenhum receio. Tudo
vai dar certo.

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