segunda-feira, setembro 28, 2020
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No Brasileirão Feminino, faltam médicos e até água.

Lancenet
– O Campeonato Brasileiro feminino tem nesta quarta o início de sua segunda
fase. A expectativa, acima de quaisquer resultados em campo, é que os
acontecimentos bizarros da primeira fase não sejam repetidos nesta reta final.
O mais grave dos casos diz respeito à ausência de médico nas comissões técnicas
dos times envolvidos em sete dos 40 jogos, segundo levantamento da reportagem
do LANCE!.
A pior
consequência da ausência de médicos foi vista no jogo entre América-MG e Foz
Cataratas. Leticia Cordeiro, jogadora do Foz, sofreu ruptura nos ligamentos de
um dos joelhos. Um profissional que estava na única ambulância do estádio levou
a atleta a um hospital. O jogo ficou paralisado por 46 minutos aguardando o
retorno do veículo.

Prestaram atendimento, não parecia ser médico, era um paramédico (enfermeiro,
socorrista). Se tivesse ao menos um médico nas comissões técnicas, haveria
tranquilidade, pois qualquer problema, contusão, acidente que ocorrer com a
atleta, ela estará segura de ser atendida por pessoas capacitadas. Não tendo
isso você fica à mercê do que tem por lá – afirmou Roberto Costa, técnico do
Foz Cataratas, em entrevista ao LANCE!.

Deveria ser obrigatória a presença de médicos como é no masculino. Tem
campeonatos estaduais que nem é obrigatória a ambulância. Competições amadoras
eles consideram que não precisa, mas isso é bem perigoso – completou.
América-MG
e Tiradentes-PI (presentes na segunda fase) não apresentaram médico em nenhum
jogo, segundo súmulas. Em contato com a CBF, os mineiros alegaram que não
sabiam da necessidade, achando que a presença da ambulância bastaria. Oséias
Canuto, presidente do clube piauiense, em contato com o LANCE!, negou a
ausência de médico e não soube explicar o porquê de o nome do profissional não
constar nas súmulas.
– É
mentira que não temos médico nos nossos jogos como mandante. É difícil
trabalhar com futebol amador, às vezes o médico não pode sair do plantão do
hospital antes do horário, então chega atrasado. (…) É complicado esse
negócio de ambulância, porque os preços são exorbitantes. Como 99% dos nossos
sócios são militares, fizemos um acordo com o hospital da PM, aí eles mandam
ambulância para os jogos – relatou Canuto.
Ao ser
informado pela reportagem sobre a ausência de aparato médico em jogos do
Brasileirão, Marco Aurélio Cunha, diretor de futebol feminino da CBF, prometeu
entrar em contato com as agremiações para cobrar mudanças. Poucas horas depois,
o dirigente retornou o telefonema para informar que já havia conversado com
responsáveis pelo América-MG.

Temos de orientar, mas sempre com tolerância. O regulamento é frio, mas quando
você põe as questões didaticamente, as coisas vão melhorando – comentou Cunha.
– O
que temos que entender é que certas coisas são imprescindíveis, como uma
ambulância e um médico que possam servir as duas equipes. Vamos ficar de
prontidão. Tenho certa tolerância com isso porque o futebol feminino carece de
muito recurso. Depender só do socorrista da ambulância não é o que quero, até
como médico não gostaria. Mas temos de entender a dificuldade dos clubes em compor
uma comissão técnica – acrescentou.
Em
tempo: os clubes mandantes recebem R$ 7 mil por jogo da empresa Sport
Promotion, parceira da CBF, para custear despesas das mais diversas. Entre
elas, o pagamento de um aparato médico.
OUTRAS BIZARRICES DO BRASILEIRÃO FEMININO
Sem banho
Centro
Olímpico x Duque de Caxias aconteceu sob forte calor (em meio à semana mais
quente do inverno paulistano, com temperatura acima dos 30ºC), mas não havia
água no vestiário do estádio de Osasco.
Calor de matar
Jogo
entre Tiradentes-PI e Viana-MA foi dado como encerrado aos 36 minutos do
segundo tempo devido ao forte calor (cerca de 39ºC). Cinco atletas desmaiaram e
foram levadas a um hospital.
Juízes na mão
Entre
árbitro, bandeirinhas, quarto árbitro e assessor de arbitragem, cinco
profissionais relataram não ter recebido pagamento após as partidas.
Responsabilidade do pagamento é dos clubes mandantes, que recebem verba da
Sport Promotion.
Olha a hora!
Três
partidas tiveram mais de 20 minutos de atraso por conta da falta de
policiamento e/ou ambulância no estádio. Os jogos entre Vitória-PE x
Botafogo-PB, Vitória-PE X Caucaia-CE e Iranduba-AM X Santos só tiveram seus
inícios autorizados com a chegada dos profissionais.
Como entrou?
Revista
da Polícia Militar na entrada do jogo Rio Preto x Santos não foi muito
eficiente. Santistas explodiram rojões nas arquibancadas durante a partida.
FEDERAÇÕES ABREM MÃO DE AMBULÂNCIAS EM
ESTADUAIS
Se a
situação do Brasileirão ainda está longe da ideal, não é de se estranhar a
precariedade por trás dos estaduais femininos. Algumas federações – casos da
Mineira e da Paranaense, por exemplo – não obrigam os clubes mandantes a
disponibilizarem ambulância nas partidas.
Em um
desses jogos, o tamanho do problema ficou explícito: Ipatinga e Bola de Fogo se
enfrentavam em Minas Gerais quando uma atleta do time visitante sofreu
convulsão. Como não havia ambulância no local, tão pouco médicos nas comissões
técnicas, uma pessoa que estava na arquibancada e se identificou como
enfermeira teve de prestar os primeiros socorros à jogadora.
Em
contato com o LANCE!, a Federação Mineira de Futebol explicou que não obriga os
clubes a chamarem ambulância por se tratar de uma competição amadora. O
Estatuto do Torcedor cobra presença do veículo em torneios profissionais.
Para
uma competição esportiva ser considerada profissional, tem de haver contrato de
trabalho. Tal vínculo pode ser fechado entre clube e jogadores (as) ou entre
patrocinador do torneio e clubes. No caso do Brasileirão, por exemplo, apenas
as jogadoras do Santos são registradas como profissionais.

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