No futebol brasileiro, só o dinheiro não traz felicidade.

Rodrigo Gazzanel/Futura Press/Folhapress

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Por PVC

O
antídoto para a falta de dinheiro é o trabalho sério. O único jeito de
transformar times de jogadores médios em grandes equipes é a sequência de uma
ideia. Repare na palavra: ideia. Não se diz aqui que é necessário manter o
mesmo técnico, porque os times não resistem aos resultados. Dorival Júnior foi
demitido pelo Santos neste domingo (4).
Mas
pense agora no dinheiro e observe o jogo Palmeiras 0 x 0 Atlético-MG. Se a grana
resolvesse tudo, um golzinho haveria de haver. O Palmeiras é o mais rico. O
Atlético, o segundo em contratações.
Nenhum
dos dois parece ser o time mais forte.
Cuca
confirmou a expectativa e barrou Felipe Melo, escalou Thiago Santos para marcar
Cazares individualmente. Quando Roger mexeu na disposição tática do segundo
tempo e Cazares foi jogar na ponta direita, um chute vadio, de longe, obrigou
Fernando Prass a espalmar para escanteio.
Mesmo
com marcação individual em boa parte da partida, Cazares foi perigoso.
O
Palmeiras teve a chance de vencer no pênalti perdido por Willian. Se ganhasse,
o Palmeiras teria início idêntico ao do ano passado, depois de quatro rodadas.
O início do Palmeiras mais rico desde a Parmalat é pior do que no ano passado,
quando tinha seis pontos.
Hoje,
são só quatro pontos. O líder tem dez. É o pior começo desde 2012, ano do
rebaixamento —daquela vez, tinha só um ponto.
O
começo ruim já obriga a uma reação na tabela de classificação que o Palmeiras
não imaginava no início da campanha. São seis pontos de distância para o líder.
Nas próximas duas rodadas, enfrentará o Coritiba e o Fluminense, ambos já com
nove pontos.
Cuca
deixou claro que conversou com Felipe Melo, explicou a razão de ir para a
reserva e falou sobre a necessidade de trabalhar para voltar a ser titular. O
que pega para Cuca é a dificuldade de Felipe Melo de perseguir o adversário que
está marcando por todo o campo.
Pode-se
discutir se está certo ou errado. A informação é esta: Cuca julga que Felipe
Melo tem problemas para marcar individualmente.
Thiago
Santos sempre vai bem quando entra como titular. No domingo, foi bem também.
No
futebol brasileiro, só o dinheiro não traz felicidade. É preciso trabalho.
O
Santos abre mão da sequência neste momento. Verdade que o Santos de 2017 é pior
do que dos últimos dois anos, de todo o período em que Dorival Júnior assumiu a
equipe, levou ao título paulista, ao vice-campeonato brasileiro e da Copa do
Brasil.
Mas o
Santos é o único invicto da Libertadores. Não é ruim. Dorival Júnior era um
exemplo raro de um treinador de um clube brasileiro há quase dois anos no
cargo. Caiu. Hoje, só há dois clubes com técnico há mais de um ano no comando:
o Atlético-GO e o Flamengo.
Não é
coincidência haver times que não sabem o que fazer quando têm de propor o jogo,
caso do Corinthians, ou que não sabem como se infiltrar na defesa rival, quando
têm o controle da bola, como o São Paulo. Não há tempo de trabalho suficiente.
O
contraponto é Dorival Júnior. Seu Santos estava pior do que foi há um ano. Era
o caso de trabalhar para melhorar as coisas. Não necessariamente para demitir.
Não há
trabalho. Por isso, não há time.
11 HORAS
O clássico
Flamengo 0 x 0 Botafogo registrou críticas pelo nível técnico e por ser
disputado às 11h. O horário atrapalha, mas não é definitivo para explicar o
futebol ruim. O pecado é do Flamengo, mais forte, que não conseguiu
infiltrar-se na defesa do Botafogo.
O GALO
O Galo
não precisou acordar cedo para enfrentar o Palmeiras e mesmo assim teve
dificuldades. Verdade é que o Brasileiro mantém o equilíbrio. Isso é ótimo. Não
tem o nível técnico adequado. Isso é péssimo. Os melhores times não se impõem
aos rivais. Você entendeu por quê.
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