terça-feira, setembro 29, 2020
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O Brasil tem muito o que evoluir em organização e tática.

Goal –
O time de colunistas da Goal Brasil ganhou mais um reforço de peso! Todas as
terças-feiras, Gustavo Hofman apresentará análises com muitas estatísticas e
informação sobre o que de mais interessante acontece no mundo do futebol.
Num
aperitivo do que está por vir, Hofman bateu um papo com a Goal Brasil e falou
sobre as semifinais da Champions, o momento de Neymar e Messi, os brasileiros
na Libertadores, a atual situação do futebol nacional, a Seleção de Dunga e
muito mais. Confira!
Barcelona, Real Madrid, Bayern,
Juventus…. Qual o melhor time do mundo na atualidade?
Falar
sobre o melhor time do mundo envolve muita discussão sobre ser e estar. É uma
discussão que cabe também na disputa do melhor jogador do mundo. Hoje, Messi e
Cristiano Ronaldo são os melhores e acho que ninguém discute isso. Só que nem
sempre eles estão como os melhores, porque em algumas temporadas outros
jogadores têm mais protagonismo quando falamos em títulos. Falar sobre o melhor
time do mundo cai nessa parte conceitual também.
O que
mais se aproxima do que eu gosto de futebol e que para mim é o melhor time do
mundo, é o Bayern de Munique pelo conceito de jogo do Pep Guardiola, pelo
futebol ofensivo, por conseguir manter a posse e ser vertical. O Bayern é o
time que mais me agrada, mas o Barcelona está voando. Se tivesse que apontar o
melhor time do momento seria o Barça pelo que vem produzindo o trio Messi,
Suarez e Neymar. Essa é uma discussão bem legal, mas é importante trazer esses
conceitos para a discussão.
O que você achou dos confrontos das
semifinais da Champions? Para você, quem é o favorito para ficar com o título?
São
quatro gigantes do futebol mundial, quatro camisas pesadíssimas. Qualquer um
que ficar com o título não será surpresa, inclusive a Juventus. Se você considerar
tudo que aconteceu nos últimos anos, as contratações para a atual temporada e
os elencos de cada um, é natural você olhar para Barcelona, Real Madrid e
Bayern de Munique, não necessariamente nessa ordem, como os favoritos ao título
e a Juventus correndo por fora, mas a gente não está falando do Mônaco ou
qualquer outro time menos badalado. Estamos falando de um clube que é tão
grande quanto os outros e tem nessa temporada Carlitos Tevez arrebentando. Acho
extremamente impossível apontar favoritos. Não haverá surpresas com qualquer um
deles conquistando a taça.
Quem é melhor: Messi ou Cristiano Ronaldo?
Isso é
complicado (risos). Hoje em dia falar de Messi e Cristiano Ronaldo é Fla-Flu,
Gre-Nal…. Se você escolhe um, parece que você é contra o outro. Não deveria
ser assim. Os dois se alternam como o melhor do mundo, mas gosto mais do Messi.
O que ele já fez na carreira, tem um tamanho maior na história comparado ao
Cristiano Ronaldo, mas é claro que muita coisa ainda pode acontecer. Os dois
são os melhores do mundo, mas se tivesse que escolher um na pelada para o meu
time, seria o Messi.Quem é melhor: Messi ou Cristiano Ronaldo?
Neymar pode chegar ao nível dos dois?
Nenhum
jogador da atualidade conseguiu alcançar o nível deles. É muito difícil dizer
se o Neymar pode alcançar ou não. A única certeza é que ele já é um dos
melhores do mundo. Já era jogando no Brasil e cresceu muito com a vivência na
Europa. A evolução dele da temporada passada para essa é notória. Está ficando
mais forte e crescendo taticamente. A vivência, o nível e a exigência do
futebol europeu só lhe fez bem.
O futebol brasileiro está muito atrás do
europeu?
Em
termos de organização, não tenho dúvidas que estamos muito atrás e, em relação
aos grandes campeonatos, a mesma coisa. Aí vale uma explicação bem didática. É
lógico que tem jogo ruim na Espanha, na Inglaterra e em qualquer campeonato do
mundo. A questão é que aqui tem muitos jogos ruins e os nossos times grandes
são protagonistas deles. É difícil você ligar a TV e ver jogos ruins das
grandes equipes do Campeonato Inglês, Espanhol, Alemão…. No Brasil, isso é
comum. Claro que não vamos cobrar dos times que tem recursos menores, como a
Chapecoense, o Joinville, a Ponte Preta…. Temos que cobrar dos que tem
recursos maiores, casos do Corinthians, Flamengo, São Paulo, Internacional,
Atlético-MG, Cruzeiro…. Esses clubes precisam jogar um futebol melhor porque
gastam e investem demais e esse valor não corresponde ao futebol apresentado. O
Brasil tem muito o que evoluir em termos de organização e tática. Técnica a
gente sempre teve e sempre terá, mas só isso não basta atualmente. Isso só não
percebe quem está no comando da CBF.
O que você achou dos confrontos das
oitavas de final da Libertadores? Para você, quem são os favoritos ao título?
Essa
foi a primeira Libertadores em muitos anos que todos os brasileiros realmente
entraram para brigar pelo título. Em outras edições isso não acontecia. Só isso
já torna o torneio mais difícil e equilibrado. Saindo dos brasileiros, tem o
Boca (Juniors), que para mim é o melhor time da competição até aqui sem dúvida
alguma. O Tigres, do México, também tem um time espetacular e que vai dar muito
trabalho.
Falando
mais especificamente dos brasileiros, vejo essa queda momentânea e curta do
Corinthians natural, porque o Tite fez questão de dizer que teve que acelerar o
processo ainda na pré-temporada por conta dos jogos contra o Once Caldas, ou seja,
aumentar o seu nível de competitividade antes do ideal em questão física,
técnica e mental. Isso fez com que o time largasse bem à frente dos demais,
então uma queda agora era natural. De qualquer forma, acho que o Corinthians se
recupera e briga pelo título.  Gosto
muito também do Internacional. Acho que o trabalho do Aguirre é muito bom. Aos
poucos a imprensa e a torcida do Rio Grande do Sul foram entendendo o rodízio
dele e isso deixou o Inter muito forte e com menos desgaste. Para mim, o
Atlético-MG era o melhor time no início da temporada pelas contratações e
também pela manutenção do elenco. Teve uma fase de grupos turbulenta, mas está
em ascensão. São Paulo e Cruzeiro estão um pouco abaixo e acho difícil que
consigam avançar até a decisão, mas são todos times muito grandes e fortes e é
uma situação parecida com a da Liga dos Campeões.
Por tudo que aconteceu nos últimos anos,
você acha que o título de “país do futebol” ainda pertence ao Brasil?
Não
pertence. Para mim o futebol é do mundo e não só de um país. Temos a paixão do
torcedor inglês que lota o estádio até na quarta divisão, todo o fervor da
torcida argentina, na Bundesliga partidas sempre com a arquibancada lotada,
aqui no Brasil torcidas apaixonadas, como a do Santa Cruz, da Ponte Preta e de
tantos outros times. Essa ideia, de que o Brasil é “país do futebol” não é mais
soberana, mas infelizmente as pessoas que comandam o futebol brasileiro não
percebem isso. Para muitos o 7 a 1 foi apenas um acidente. Para mim, isso foi
resultado de uma má preparação. Claro que foi um desastre completo para o
futebol brasileiro, mas é o resultado do nosso atraso tático e da arrogância de
alguns. No passado, só a técnica bastava, mas hoje não mais. Técnica você tem
em todos os lugares do mundo. Falta para o Brasil uma melhor preparação, um
campeonato melhor e mais organizado…. Estamos muito atrás de países como a
Alemanha na questão tática e organizacional e, por isso, estamos ficando para
trás. Se a gente seguir com essa mentalidade vamos continuar perdendo. Pode até
ganhar algo vez ou outra porque temos muito talento e seguimos produzindo
jogadores, mas só isso não basta.
O que você achou do retorno do Dunga ao
comando da Seleção Brasileira e que avaliação você faz do início da segunda
passagem dele?
Por
tudo o que disse, não apoiei a chegada do Dunga e sigo não apoiando. Temos que
pensar em um projeto de longo prazo. Imaginava que depois da Copa, haveria uma
revolução em todo o futebol brasileiro, mas estava enganado. O Dunga não é o
cara para fazer isso. Ele é plenamente capaz de conduzir a Seleção ao título da
Copa de 2018. Os resultados da segunda passagem dele mostram isso, mas o
futebol brasileiro precisava de algo a mais. Não pensar apenas em resultados,
mas também na qualidade do futebol apresentado. Por isso defendia um projeto de
longo prazo. Talvez com o Tite ou com o Guardiola para recuperar todo o futebol
brasileiro. Que nós não mirássemos apenas a medalha de ouro nas Olímpiadas do
Rio de Janeiro e o título da Copa do Mundo de 2018, porque eu tenho certeza que
vamos falar em renovação e resgate do futebol brasileiro independentemente do
resultado do Mundial de 2018.
O Brasil é favorito na Copa América?
Naturalmente
chega como um dos favoritos. Só faltava não chegar, porque aí seria o cúmulo. Vejo
um time extremamente competitivo como era também a Seleção do Felipão antes da
Copa, mas não acho que esse seja o caminho para o futebol brasileiro. As
pessoas esquecem muito rápido que foi um 7 a 1, no Mineirão, em uma semifinal
de Copa do Mundo…. Foi um desastre completo que deveria sacudir o futebol
brasileiro, mas não sacudiu.
É possível vislumbrar melhorias no nosso
futebol com o Marco Polo Del Nero no lugar do Marin ou é trocar seis por meia
dúzia?
Algumas
pessoas que conhecem muito bem os dois e tudo que envolve a CBF, dizem que vai
melhorar e que o Del Nero é melhor para o futebol que o Marin. Para mim, é
difícil acreditar nisso. Não consigo ver o futebol brasileiro melhorando com
essa mudança. Em um programa há uns dois ou três anos na ESPN, ele disse que
para o estadual ficar melhor precisava de mais datas. Essa é a pessoa que está
no comando do futebol brasileiro.
Falando um pouco sobre você, quais as suas
coberturas mais marcantes ao longo da sua carreira?
Sem
dúvidas a Copa do Mundo foi espetacular. Foi a minha terceira Copa como
jornalista, mas a primeira in loco. Em 2006 e 2010 eu cobri pela Trivela, mas
da redação. Em 2014, tive a oportunidade de pela ESPN cobrir a Alemanha como
setorista. Sem dúvidas essa foi minha maior experiência na profissão. Também
adorei fazer a final da Copa Sul-Americana entre Ponte Preta e Lánus. Sou de
Campinas, então tenho um carinho muito grande pela Macaca e cobrir essa final
foi demais. Me arrepia só de lembrar do jogo lá na Argentina. A festa da torcida
do Lánus, a torcida da Ponte Preta que também foi em massa. Foi uma experiência
muito legal. Também sempre gostei de futebol alternativo. Meu sobrenome Hofman
vem por parte da família da minha mãe, que veio da República Tcheca. Por isso,
sempre tive muita influência do Leste Europeu em casa e acabei adquirindo o
gosto pelo futebol dessa região.
Que análise você faz da Copa do Mundo no
Brasil?
Cobrir
a Copa foi legal porque eu vi como o Brasil funcionou e pode funcionar. Para
isso, basta a boa vontade dos nossos políticos, da nossa população e de
investimento. Quando há tudo isso, o país funciona. Gosto de ressaltar que
peguei 27 voos em 40 dias e nenhum deles atrasou. Faz isso hoje e eu duvido que
nenhum vai atrasar. Durante a Copa tudo funcionou bem demais. A logística das
cidades, a acomodação dos torcedores… O Mundial foi um espetáculo e eu tive a
oportunidade de ver isso com meus próprios olhos.
Como foi ter acompanhado a Alemanha
durante a Copa do Mundo?
Eles
tiveram uma preparação espetacular. Foram muito felizes na escolha de Santa
Cruz Cabrália, mais especificamente a Vila de Santo André, porque lá eles
conseguiram unir a objetividade de conquistar o título e treinar com a alegria
de curtir o Brasil. Os caras estavam na praia todo dia, visitavam a escola
municipal.

Você já escreveu dois livros: “Quando o
futebol não é apenas um jogo” e “40 dias com a campeã do mundo”. Fale um pouco
sobre cada um e o que eles representam na sua carreira?

Os
dois livros são da Editora Via Escrita e foram lançados no ano passado. O
“Quando o futebol não é apenas um jogo” reuni 11 histórias das muitas que eu
contei sobre o futebol alternativo. Todas têm entrevistas com personagens ou eu
estive no local. São histórias que mostram como o futebol não é apenas um jogo.
Consigo pegar uma partida do Campeonato Russo, por exemplo, e me deliciar com
ela por todas as histórias que existem ao redor de uma partida. Já o “40 dias
com a campeã do mundo” é o meu diário de viagens durante a Copa do Mundo.
Atualizava diariamente no meu blog a cobertura e no livro tive a oportunidade
de reproduzir isso com mais histórias. Cada capítulo é um dos meus 40 dias com
a Alemanha.
O que você diria para o leitor da Goal
Brasil sobre esse seu novo espaço?

Eles
vão encontrar muita análise de futebol, muitas estatísticas, muita informação e
opinião. Gosto bastante de trabalhar com estatísticas. Sou uma pessoa que vem
do basquete, joguei a minha vida inteira e voltei a jogar, inclusive, como
adulto no ano passado pelo Tênis Clube de Campinas. Jogo a categoria adulto da
Liga Metropolitana de Basquete. Gosto muito de trabalhar com estatísticas e com
informações para fazer uma boa análise e formar uma boa opinião sobre o
futebol.

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