O caro que é barato.

Por: Fla hoje

Renato
Maurício Prado – O craque nunca é caro. Caro é o cabeça de bagre, que ganha
pouco, mas não dá retorno; ao contrário, causa prejuízo ao clube e ao time, com
a sua ruindade. Esse era o raciocínio de Domingo Bosco, o maior supervisor de
futebol que vi em quase quarenta anos de estrada — os atuais “profissionais” do
ramo não passam de escoteiros lobinhos, perto do saudoso Bosco.

Com
sua tradicional verve, ele costumava filosofar, em papo com os repórteres
setoristas na Gávea (e eu era um deles, no inícios dos anos 80). “Não vale a
pena trazer jogador ruim, com esse papo de que vem só pra compor o elenco. Vai
chegar um dia, ele vai jogar. E você vai se arrepender amargamente de tê-lo
contratado”.
Dentro
dessa teoria, Domingo Bosco trabalhou com vários craques. De Rivelino, no Flu,
a Zico, no Fla, passando por vários outros da “Máquina Tricolor” (75/76) e do
melhor time rubro-negro de todos os tempos (78 a 83). E era adorado não somente
por seus craques mas também pelos dirigentes que o contratavam — e que
dirigentes! Francisco Horta, José Carlos Vilela, Márcio Braga, Antônio Augusto
Dunshee de Abranches, Eduardo Mota etc.
A essa
altura do campeonato, certamente, o leitor já sabe o porquê das lembranças de
Domingo Bosco e de sua sábia filosofia. Quanto o Flamengo gastou, nos últimos
anos, com Carlos Eduardo, Val, Bruninho, Diego Silva (ou Costa, sei lá),
Feijão, Thalyson, Pará, Anderson Pico, Elano, André Santos, Lucas Mugni, Chicão
e tantos outros — quase 40 contratações sem que a maioria esmagadora delas, de
fato, justificasse qualquer investimento, por menor que fosse (e em alguns
casos, não era!)? Acerto mesmo só o Elias, que logo foi embora.
Agora,
porém, os dirigentes resolveram investir pesado e no alvo certo (antes tarde do
que nunca). E a contratação de Paolo Guerrero, já no seu jogo de estreia,
confirmou a teoria de Domingo Bosco.
O
sorriso na cara dos rubro-negros, ontem, pela manhã, era indisfarçável. E o
time ainda está na décima terceira posição na tabela! Mesmo assim, imagine
quantas camisas nove serão vendidas nos próximos dias (e anos, enquanto o
peruando envergar o “manto”). E quantos sócio torcedores vão aderir ao
programa? E como estarão as arquibancadas, daqui pra frente? E quantas empresas
passarão a gostar da ideia de patrocinar o Fla?
O
craque, de fato, não é caro; caro é o cabeça de bagre. Ave, Bosco! Parece que,
enfim, a atual diretoria entendeu a sua lógica. Aleluia!
Enfim, um ataque
Com
Guerrero e Emerson (outra boa contratação recente), o Flamengo passou a ter um
ataque de respeito. Se Marcelo Cirino voltar a ser o atacante insinuante dos
tempos do Atlético Paranaense e do seu início no Fla, o trio de frente será dos
melhores do Brasil. Ainda falta o meia, é verdade. Mas o avanço já é
indiscutível e elogiável.
A diferença que o craque faz
O gol
foi importantíssimo, mas a grande jogada de Guerrero, na vitória sobre o Inter,
no Sul (onde o Flamengo não vencia há 13 anos), foi a do segundo gol. O
artilheiro recebeu de Emerson e, marcado por dois adversários, dominou a bola,
girou, entre ambos, e fez um passe açucarado. Lance de craque, que Éverton
concluiu com perfeição. Claro, não foi somente Paolo que jogou, na quarta à
noite. O time inteiro esteve bem. Mas, é como escrevi logo após a partida, em
meu blog:
O
craque decide e ajuda os outros a decidirem. O craque faz o time inteiro jogar
melhor. Ao seu lado, os bons se tornam ótimos, os regulares viram bons e os
medíocres, pelo menos, razoáveis. O craque impõe respeito ao adversário e o
mantém acuado. O craque entusiasma os companheiros, que passam a correr muito
mais, por ele e para ele.
Um
time sem craque é um time sem alma.
O
Flamengo recuperou a sua aura de grande clube nesta noite, graças à estreia de
um único craque.
Seja
bem-vindo Paolo Guerrero.
Salva-vidas
E
Guerrero salvou a pele de Cristóvão…
Nem tudo são flores
Amigo
rubro-negro assistiu à vitória do Flamengo sobre o Inter, ao lado do filho.
Terminada a partida, o moleque disparou:
— Pai,
posso cortar o cabelo igual ao Guerrero?
É, meu
caro, tudo tem o seu preço…

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