domingo, setembro 27, 2020
Início Notícias O erro e a reação em cadeia.

O erro e a reação em cadeia.

PAPO
DA NAÇÃO
: Por Mateus Garcia
Depois
de semanas assombrosas para o time Rubro-Negro, parece que finalmente
reencontramos os eixos e conseguimos jogar com decência e taticamente de forma
eficiente numa partida que foi capaz de reabrir os sorrisos daquele que torce
pro Mais Querido. Os erros, entretanto, não podem ser repetidos. Eram pequenos
detalhes que faziam toda a diferença em campo e nos transformavam de um dos
times mais envolventes do Brasil para um time monótono, sem graça, pragmático e
completamente previsível e invariável.
Ao se
analisar o time do Flamengo de algumas semanas atrás até o jogo do Atlético
Paranaense, percebemos uma equipe completamente perdida em campo. As críticas
dos torcedores começaram a ecoar, deixando o técnico Zé Ricardo sob pressão.
Era
sempre o mesmo jogo. Quando não eram dois pontas muito abertos e com apoios
distantes dos meias, principalmente nas ausências de Diego pela convocatória,
era Mancuello aberto pela direita que por outras razões, pouco conseguia se
deslocar para espaços mais contundentes do campo, sempre precisando ocupar
espaços fora da área ou em zonas muito abertas em campo, por vezes precisando
recuar para buscar o jogo, claramente mostrando aspectos que não são
compatíveis com suas características incisivas de um meia bastante agressivo.
A
designação feita por mim de que Mancuello seja um meia agressivo pode ter soado
estranho, já que é nítida a pouca movimentação e pouca participação efetiva nos
ataques mais perigosos nas últimas partidas em que o mesmo participou, mas isto
se dá a diversos fatores, sobretudo pelo principal erro tático cometido pelo
time do Flamengo: o posicionamento de Willian Arão.
A
função de um meia central numa formação 4-2-3-1, ou o popular “Segundo
Volante” no Brasil é de promover a ligação defesa-ataque na saída de bola
e manter a consistência defensiva junto ao volante do time (atualmente Marcio
Araújo). A tal consistência defensiva é um ponto positivo para o camisa 5. Com
exceção de jogos atípicos como o 3×3 contra o Fluminense, podíamos ver as duas
linhas de 4 bem montadas e um time com sistema de coberturas bastante sólido.
Desde que Zé assumiu, a defesa tem sido algo ótimo taticamente. Mesmo com erros
individuais ocasionais, quase sempre os jogadores conseguem fornecer cobertura
necessária para rejeitar os ataques adversários. Mas o problema continua no
ataque. A transição defesa-ataque que Arão precisa fazer é péssima.
Como
principal construtor, Arão precisa servir de apoio em todas as fases do jogo,
seja na saída de bola, à armação, podendo aparecer na finalização. O grande
problema é que a todo momento ele busca o fundo, funcionando quase como um
segundo atacante, e isso não interessa se a bola está com Diego, Marcio Araujo
ou Rafael Vaz. É comum vermos em qualquer lance ter Rafael Vaz fazendo a saída
de bola, no meio campo, enquanto Arão vai correndo entre os defensores com o
braço levantado. O zagueiro, com suas manias de lançamentos, sempre busca essa
opção, que por obviedade, sempre cai nas mãos dos goleiros. O erro maior neste
lance não é necessariamente forçar um lançamento, mas sim abandonar sua função
básica, a de apoiar. Ao avançar para o ataque quando a bola está na defensa,
Arão sempre deixa um buraco enorme no meio campo, enquanto Marcio Araujo entra na
defesa corretamente para fazer a lavolpiana. Ficam Réver, Vaz e Marcio lá atrás
e o resto do time afundado no campo de ataque, e isto é o que acaba resultando
no grande número de chutões e jogos diretos realizados principalmente pelos
defensores, também sobrecarregando o meia ofensivo, tendo que cumprir diversas
funções no campo.

Repare no erro de posicionamento de
Willian Arão (marcado em vermelho) no lance clássico do erro de Rafael Vaz (e
que também ocorreu momentos depois, no erro de Márcio Araujo, muito parecido).
Ao ter  se posicionado na região aberta
do campo, deixou seu setor livre e gerou um imenso espaço no meio campo.
Podemos facilmente contar cinco jogadores tricolores naquela zona central
contra nenhum do Flamengo. A superioridade numérica é o que facilitou a roubada
de bola e retomada num contra-ataque perigoso. Tem de se tornar explícito,
também, que houve um erro de tomada de decisão de Rafael Vaz, óbvio, mas não é
critério pra julgamento de táticas quando falamos de erros técnicos individuais.
Este
erro de posicionamento também causa incompatibilidade com a função de
Mancuello. Se Arão quer ser o jogador que ocupa espaços, o que deveria ser
responsabilidade do argentino, pela função do Raumdeuter, explicada num dos
textos mais bem-sucedidos de nosso blog (caso não tenha visto, Leia Aqui),
acaba que ambos se chocam a todos os momentos, e a responsabilidade que deveria
ser de Arão, por ninguém é feita, gerando esse enorme rombo no meio de campo
como pode ser visto na imagem. Esta incompatibilidade também é o que ocasiona a
falta de criatividade no meio, uma vez que, além de faltar jogador na
construção (etapa em que o jogo se desenvolve), aquele que deveria fazer a
dobra na armação com o meia ofensivo e auxiliá-lo a não sobrecarregar o seu jogo,
acaba sendo limitado no jogo.
O que
pode mostrar muito claro que o simples ajuste e correção nessa movimentação do
meia rubro-negro é o gol de Berrío no fatídico 2×2 contra o Vasco. Arão, bem
posicionado, foi quem apareceu para dar um belíssimo passe para o colombiano
driblar um defensor cruzmaltino e chutar forte no canto do goleiro Jordi.

Com Arão (marcado em vermelho) bem
posicionado, a transição defesa-ataque tende a ser mais qualificada porque ele
se apresenta entre as linhas defensiva e ofensiva, pela zona central, onde pode
ligar o jogo pelo chão, sem necessidade de lançamentos ou chutões. Neste lance,
ele recebe a bola de Vaz e rapidamente passa para Berrío fazer o gol.
O que
podemos tirar disso não é que Arão é um jogador ruim ou algo do tipo, muito
pelo contrário. Sabemos que trata-se de alguém com muita qualidade técnica,
ótima visão de jogo e exímio nos desarmes, muito difícil de ser passado no
mano-a-mano. A questão é que se for continuada essa sequência de erros,
acredito que seja hora de sacá-lo, pelo menos para que o atleta entenda que
algo precisa ser melhorado. Substitutos existem: tanto Ronaldo, que pode ser
improvisado na função, como Lucas Paquetá, ou até mesmo Mancuello, mas se
conseguir voltar a jogar o futebol da primeira metade de 2016 que deixou os
flamenguistas esperançosos de um novo craque, como conseguiu fazer, pelo menos
uma vez no ano, contra o Atlético Paranaense na Libertadores em pleno Maracanã,
corrigindo o grande erro, veremos um dos melhores meio-campistas do futebol brasileiro.

MAIS LIDOS

Torcida do Flamengo responde palmeirenses após provocações

O Flamengo tentou desde do meio da última semana adiar o jogo contra o Palmeiras, neste domingo. O confronto só foi adiado após o...

César não viaja para São Paulo e desfalca Flamengo

O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro suspendeu a partida do Flamengo diante do Palmeiras deste domingo. Por não ser uma decisão...

Palmeiras ameaça paralizar o Brasileirão e torcida do Fla não deixa barato

O Flamengo está com vários atletas contaminados, além de dirigentes e membros da comissão técnica. Com o jogo marcado contra o Palmeiras neste domingo,...

UFC 253 ao vivo: Adesanya x Borrachinha

O fim de semana terá muitos eventos esportivos ao vivo. Um dos mais esperados é o UFC 253 ao vivo, onde envolve o brasileiro Paulo...