segunda-feira, setembro 28, 2020
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O Espetáculo do fracasso.

Buteco
do Flamengo – Começo esse texto abordando logo de uma vez o assunto menos
importante da eliminação de ontem, que é a arbitragem. Até as pedras sabiam que
poderia acontecer. Seja pelos pênaltis desproporcionalmente assinalados em
favor do adversário, seja pelas suspensões aplicadas ao nosso treinador e a um
atleta adversário, seja pela atuação da arbitragem, seja pela postura da FERJ,
ninguém pode se dizer surpreso. “A pedra estava cantada”. Então, não
serve de desculpa e nem mesmo de atenuante, principalmente para quem tem mais
elenco e muito mais pompa.
Foi
pênalti no Pará? Foi “bem mais pênalti” do que o assinalado contra o
Flamengo? Dois pesos e duas medidas? O Gilberto deveria ter sido expulso? O
árbitro perseguiu o Pará desde o início da partida? O árbitro marcou todas as
faltas de meio de campo e intermediária em favor do Vasco, evitando ao máximo a
fluência do jogo do Flamengo e assim mantendo a bola em nossa defesa? Eduardo
da Silva estava em condições legais no perigoso lance de contra-ataque no final
da partida no qual foi assinalado impedimento?
A
resposta a todas essas perguntas é afirmativa, mas nada disso impediu o
Flamengo de colocar a bola no chão no primeiro tempo, criar as melhores oportunidades
de gol e envolver o Vasco da Gama com melhor futebol, assim como não obrigava o
treinador a mexer no time como fez no intervalo.
Foi o
Flamengo que transformou a partida em um terreno propício para o que todo mundo
temia acontecer. Ninguém mais.
***
O
início de jogo no qual o Vasco da Gama pressionou o Flamengo lembrou vários
momentos da partida de domingo retrasado e trouxe alguma inquietação. Contudo,
como o amigo bittencourt23 bem apontou durante os comentários, Luxemburgo
posicionou bem o time em duas linhas de quatro, com maior compactação, e logo
vimos o Flamengo tomar conta do meio de campo. Ao atacar, tal como em sua
partida de estreia na Vila Belmiro (os inesquecíveis 5×4), Luiz Antonio emulou
o Willians de 2009, porém com melhor qualidade técnica, sem dúvida a posição em
que melhor consegue render. Por sua vez, Everton flutuava buscando espaços na
acuada defesa cruzmaltina. Márcio Araújo e Jonas, um pouco mais recuados e
guardando posição, garantiam a posse de bola e a permanência do Flamengo a
maior parte do tempo no campo do Vasco. E foi assim que boas chances de gol
foram criadas, uma concluída para fora por Everton dentro da grande área e
outra por Alecsandro, que fez bom primeiro tempo.
A
despeito do risco assumido ao escalá-lo de início, dada a sua irregularidade.
Luxemburgo apostou no bom histórico de Luiz Antonio em decisões (Copa do
Brasil/2013) e na evidente maior qualidade técnica que possui em relação a
Márcio Araújo, o que eleva sensivelmente o nível técnico nas articulações de
jogadas ofensivas. A decisão poderia perfeitamente ter dado errado, pois não
foi uma nem duas vezes que vimos Luiz Antonio ter atuações completamente
apagadas e desligadas das partidas. Porém, Luiz Antonio entrou focado e
determinado, podendo-se dizer que foi uma das principais peças do time no
primeiro tempo e que Luxemburgo conseguiu fazer o Flamengo jogar uma de suas
melhores partidas no ano, dados os altos graus de tensão e de disputa
envolvidos.
Mas
como explicar o que se passa na cabeça de Luxemburgo? Por que aquela pressa
para lançar Arthur Maia na partida, tal como fizera no intervalo contra o
Botafogo? O padrão é evidente e só não o enxerga quem não quer: contra o
Botafogo, o Flamengo tinha dificuldades em penetrar na área adversária, mas conseguia
encurralar o adversário dominando amplamente o meio de campo. Ontem, contra o
Vasco da Gama, terminou a primeira etapa envolvendo o adversário e criando
oportunidades claras de gol. Em ambas as partidas Luxemburgo tirou de campo um
jogador que havia feito bom primeiro tempo e sido essencial para o domínio
rubro-negro. Contra o Botafogo, Gabriel; contra o Vasco da Gama, Luiz Antonio.
Em ambas as partidas, a entrada de Arthur Maia, precipitada e desnecessária,
produziu o mesmíssimo efeito: perda de marcação, de volume de jogo e da
capacidade de articulação no meio de campo, seguida de domínio adversário.
Quando
a torcida achava que não poderia piorar, após o gol cruzmaltino vieram as
substituições de Everton e Marcelo Cirino para as entradas de Eduardo da Silva
e Gabriel. A formação que dominara o Vasco da Gama nos primeiros 45 minutos
estava então desnecessária e inexplicavelmente desfigurada sem ter jogado
sequer um minuto no segundo tempo. O Flamengo passou a ter um meio de campo com
Jonas, Márcio Araújo e Arthur Maia precisando buscar o resultado, e ainda por
cima com Eduardo da Silva e Alecsandro juntos, tornando o ataque pesado e com
pouca mobilidade. Obviamente, a estratégia passou a ser alçar bolas na área
para Eduardo e Alecsandro, pois a articulação desaparecera. Arthur Maia acertou
um passe para uma boa conclusão de Gabriel e de resto os balões sem rumo para a
grande área adversária apenas consagraram o zagueiro Rodrigo.
***
Para
não dizerem que não falei das flores, por mais frustrado e chateado que esteja,
não vou passar de uma hora para outra a temer rebaixamento no Brasileiro e
achar que o elenco é um dos piores do Brasil. Acredito que esse elenco, em
condições normais, tem condições de subir três a quatro posições em relação ao
campeonato do ano passado. É claro que não é o bastante sequer para uma
Libertadores da América e nem estou afirmando que subir três ou quatro posições
seja a meta mais adequada para o ano.
Também
não considero produtivo fechar os olhos para fatores importantes como a
estranha e avassaladora sequência de lesões, assim como para o evidente
prejuízo por ela impingido ao time em níveis de treinamento, entrosamento,
ritmo de jogo, condição física dos atletas e até psicológico (concentração e
resistência para enfrentar adversidades).
Apesar
disso, indago se é possível não considerar negativo o saldo do primeiro
semestre de 2015. Como se não bastassem os pífios resultados, o Flamengo em
tese montou um elenco que, longe de ser brilhante, deveria ser homogêneo e por
isso mesmo sólido em nível tático, pois afinal de contas temos um treinador
experiente e supostamente atento ao que de mais moderno se passa no mundo
futebolístico. Ocorre que, mesmo quando encontra algum padrão consistente
durante as partidas, é o próprio treinador o primeiro a destruí-lo. No saldo,
além de superado por equipes em tese mais fracas no Estadual, o Flamengo não
apresentou um futebol minimamente convincente.
Quero
deixar claro que, por mais decepcionado que esteja e por mais que minha
confiança em seu trabalho tenha se abalado, não estou pregando a demissão de
Vanderlei Luxemburgo, pois não creio que seja trocando de treinador a cada
semestre que o Flamengo chegará ao lugar que a torcida almeja. Ao mesmo tempo,
contudo, começa a apresentar um preocupante padrão a sequência de decisões por
ele tomadas em partidas decisivas, concretizadas por substituições
incompreensíveis, desastradas e desafiadores do senso comum. Se antes eu achava
que era o treinador ideal para enfrentar um 2016 sem Maracanã a maior parte do
ano, hoje eu me questiono se a Diretoria tem o direito de ser tão pouco
ambiciosa, pois tudo indica que, como os amigos Bcbfla e Carlos Eduardo –
Campos/RJ sempre disseram, é improvável que o Flamengo conquiste os títulos
mais altos com Vanderlei Luxemburgo no comando.
***
Minhas
considerações finais vão para Cirino, Paulinho, Samir e o Departamento de
Futebol como um todo.
Começando
pelos atletas, parece-me óbvio que algo extracampo está ocorrendo. Não sei se a
causa é comum ou tampouco se, para cada um, mostra-se justificável ou não, mas
é passada a hora de renderem com mais qualidade, sendo que, nos casos dos dois
últimos, também de efetivamente trabalharem com mais frequência.
O time
do Flamengo, hoje, não tem alma e nem ambição. É o time com menos inspiração e
empolgação que já vi na minha vida de torcedor rubro-negro. Contraditoriamente,
tem uma empáfia incompatível com os resultados e atuações dentro de campo.
O
fracasso do Departamento de Futebol no primeiro semestre é retumbante e
incontestável, seja quanto aos resultados, seja na qualidade do trabalho
apresentado.
Como
diz aquela propaganda de automóvel, é hora de rever determinados conceitos.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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