O estranhamento que a modernidade líquida causa ao futebol.

Por: Fla hoje

Futebol
5 Estrelas – A arenização do futebol brasileiro provoca atualmente um dos
debates mais acalorados entre os apaixonados pelo esporte. Diariamente muitos
decretam a morte da cultura da arquibancada e pregam ‘ódio eterno ao futebol
moderno’.

De
repente, nosso esporte foi invadido por uma multidão louca por selfies e o cara
do lado comemora a renda obtida pelo clube. Não existe apoio incondicional e se
o time está perdendo o jogo essa galera vai embora mais cedo do estádio.
Esse
novo torcedor veio para ficar. Ele é o alvo de muitos clubes cujos dirigentes
preferem um estádio de futebol vazio a diminuir o valor dos ingressos. Esse
sujeito é mais do que uma tendência no futebol brasileiro. É produto direto de
nosso tempo.
O
sociólogo polonês Zygmunt Bauman é famoso mundialmente por cunhar o conceito de
modernidade líquida que basicamente explica nosso modo de vida atual. As
relações modernas se caracterizam pela liquidez e falta de profundidade.
A
fragilidade define a sociedade moderna. Seja nas relações de trabalho, no jeito
que lidamos com nossa vida amorosa e, ao que parece, com no modo com que
torcemos para clubes de futebol. Veja bem… Não estou defendendo esse novo tipo
de torcedor. Só que ele está aí.
Evidente
que a regra não é geral. Que boa parte dos torcedores de cada clube ainda é
vitimado pela paixão avassaladora que especificamente o futebol desperta. É
essa visão diferente do futebol que desperta tanto estranhamento.
As
selfies e o uso do smartphone é parte do cotidiano da maioria dos brasileiros.
É natural que parte dos torcedores leve esse costume aos novos estádios. As
arenas modernas do futebol brasileiro oferecem uma série de comodidades que
atraem essa pessoa que consome futebol como consome uma peça de roupa.

No
futebol esse fenômeno se torna ainda mais complexo. Muitos ‘puristas’ enxergam
um absurdo tirar uma selfie no estádio, mas acham perfeitamente normal em
restaurantes, shows, teatro etc. Muitos que nutrem ordem mortal pelos
`torcedores modinhas’ costumam digitar no smartphone enquanto conversa com
outra pessoa.
Esse
estranhamento se torna ainda mais latente pela política de preços promovida por
alguns clubes. Pela elitização da torcida de clubes tradicionalmente populares
que cedem apenas para setores organizados de suas torcidas.
A modernidade
chegou ao futebol brasileiro e poucos cartolas estão preparados para lidar com
isso. Mesmo ‘diretorias modernas’ ainda esbarram no amadorismo. Vale lembrar
que o Flamengo — clube mais celebrado, com alguma razão, pela mídia esportiva
por sua gestão responsável teve que tirar um atleta do campo de treino em um
carrinho de mão por falta de… Uma maca! Isso mesmo. Em 2015, um dos clubes mais
populares do Brasil não dispunha de uma simples, maca.
O que
fica evidente é que o caminho a percorrer pelo futebol brasileiro ainda é longo
e desconhecido. O que resta ao torcedor é reivindicar — inclusive ingressos a
preços realistas e ter paciência. A modernidade líquida escorre pela cultura de
arquibancada a qual estávamos acostumados e isso pode não ter volta.

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