O Flamengo acordou, mas precisa ficar de olho aberto.

Guerrero durante Flamengo x Chapecoense – Foto: Gilvan de Souza

ESPN FC: Por
João Luis Jr.

Se
você falar que já sabia, você está mentindo. Time vindo de partidas horríveis,
o retorno da mesma dupla de volantes da qual nós achávamos que finalmente
estávamos livres, Zé Ricardo mais uma vez colocando seu emprego na balança jogo
a jogo como naqueles momentos no Street Fighter, em que a sua barra de vida tá
quase invisível, você sabe que se tomar mais um soco morre, mas precisa ir pra
luta mesmo assim. A diferença é que o hadouken dele é um lançamento do Márcio
Araújo.
Mas o
Flamengo venceu. E não apenas venceu, como venceu bem. E não apenas venceu bem,
como goleou. E isso se deve a alguns fatores.
Primeiro,
dois homens que, juntos, traduzem o Flamengo: Diego e Guerrero. Diego porque é
a superioridade técnica, é a fina classe, é a categoria do chute perfeito no
ângulo, do passe que encontra o atacante sozinho, da jogada que desmonta a
defesa adversária como se ela fosse um lego empilhado por aquele seu primo que
a família toda disfarça, mas sabe que não é tão esperto assim. Diego é o
jogador que é capaz não apenas de desequilibrar, como também de empurrar uma
partida, derrubar a partida no chão, só não chuta a partida caída porque é um
cara de ótima índole.

Guerrero é o outro lado do Flamengo. Guerrero é a briga, a tensão, a paixão
pelo drama e pela dificuldade, a incapacidade de optar por uma solução fácil se
existe a possibilidade de uma solução mais sofrida, mais complicada, que
envolve disputar a bola com seis zagueiros, o goleiro, o juiz, um urso pardo,
dois vigilantes armados. O peruano personifica a raça rubro-negra, em que a
vontade de vencer e de lutar nunca acaba, ainda que em alguns momentos ela
possa, sim, se virar contra ele mesmo, o que é absolutamente mais Flamengo
ainda.
Mas a
noite não foi apenas de Diego e Guerrero. Também doi de Juan, o único ancião
mais onipresente que o Mestre dos Magos, resolvendo na defesa e ajudando no
ataque; Éverton, o motorzinho rubro-negro, talvez nem sempre brilhante, mas com
uma regularidade impressionante; Rodinei e Trauco, dois laterais que, ainda que
precisem evoluir, contribuem seja com velocidade, seja com chutes loucos e
aleatórios, como o peruano costuma fazer. Exceto pela falha de Thiago no gol,
de Berrío em diversos lances em que parecia não estar acostumado a ter duas
pernas e de mais uma partida variando entre confusa e regular da nossa dupla de
volantes, o que se viu foi um Flamengo que venceu totalmente na base do
material humano, da capacidade individual dos jogadores, do talento apresentado
em campo.
O que
é bom, ótimo, é sempre importante ver o quanto sua equipe é talentosa, o quanto
seus craques podem resolver uma partida. Mas, ao mesmo tempo, isso não disfarça
o fato de que o time segue tendo muito o que evoluir no aspecto tático. Zé
Ricardo segue fazendo opções equivocadas e talvez contra uma equipe mais
fechada ou mais organizada que a Chapecoense, não haveria tanto espaço para que
Diego e Guerrero decidissem e o Flamengo teria novamente se contentado em rodar
a bola pelo campo sem criar jogadas realmente perigosas.
Que o
Flamengo tem um time forte nós já sabemos, ainda mais agora com Éverton Ribeiro
e Geuvânio esperando pra estrear e com opções como Conca e Rhodolfo já
disponíveis. A questão é descobrir se a vitória dessa quinta-feira representa
um triunfo do esquema tático e das ideias de Zé Ricardo ou, como por enquanto
parece mais provável, essa goleada foi conquistada não por méritos dos
professor, mas exatamente apesar dos contínuos esforços dele para complicar o
que poderia ser mais fácil. E isso só as próximas rodadas conseguirão nos
dizer.

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