segunda-feira, setembro 21, 2020
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O Flamengo até aqui.

Buteco
do Flamengo – Saudações flamengas a todos,

Encerrado,
na prática, o primeiro semestre para o Flamengo, penso ser a hora de se
elaborar mais um daqueles balanços de temporada, pelo menos sob um prisma
individual, ou seja, o meu.
Acredito
que toda derrota e consequente objetivo não alcançado dá margem a abordagens
mais críticas e negativas, o que penso ser absolutamente normal, afinal de
contas estamos falando de futebol, onde impera a inexorável Lei do Resultado.
Mas,
passada uma semana da atuação desastrosa da equipe nas semifinais do Estadual,
desempenho que abriu a possibilidade de se consumar o verdadeiro assalto a mão
desarmada que todo o Brasil presenciou, penso ser relevante ponderar algumas
“cositas” sobre o que tem ocorrido no futebol flamengo até aqui.
AS ATUAÇÕES
O
Flamengo começou o ano escalado com Paulo Victor, Léo Moura, Wallace, Samir e
Pico; Caceres, Canteros e Arthur Maia; Nixon, Cirino e Gabriel. Ou seja, um
meio-campo teoricamente leve, com dois volantes e um meia, mais povoado por
dois “pontas” que tinham a obrigação de recompor, enquanto se revezavam com o
Cirino, que atuava mais ou menos como um “falso nove” (o famigerado).
Com
algumas poucas variações sobre esse tema (a principal delas a troca do Caceres
por Márcio Araújo), o Flamengo, com essa escalação, conquistou o Torneio do
Amazonas e iniciou a Taça Guanabara. O time não foi brilhante, enfrentou certa
dificuldade ofensiva em função da falta de qualidade nas finalizações, alguns
jogadores (como Nixon e Arthur Maia) apresentaram rendimento irregular, mas
mostrou alguma organização e transmitiu ao torcedor a sensação de que havia a
continuidade do trabalho iniciado ano passado.

começaram os problemas. Exatamente no jogo contra o Madureira.
Nessa
partida, Luxemburgo alterou a concepção do meio-campo. Sacou Nixon e escalou
três volantes (Cáceres, Márcio Araújo e Canteros). Arthur Maia também foi
barrado, dando lugar a Gabriel. O resultado não foi bom. A equipe começou bem,
apresentando razoável movimentação e criando chances de gol, mas desabou após
sofrer o gol do adversário (um sintoma que acompanharia a equipe no restante do
campeonato e seria uma espécie de marca negativa) e simplesmente emperrou. A
saída de Everton (lesionado) travou de vez o funcionamento do time, que somente
não saiu derrotado por conta de um gol duvidoso num lance isolado.
A partir
daí, o time passou a apresentar lampejos. O criticado esquema de três volantes
colheu uma importante vitória em Pelotas, mas a seguir o time, após alguns bons
minutos, foi totalmente envolvido pelo modesto Botafogo, levou duas bolas na
trave e sofreu uma merecida derrota. Diante disso, nos jogos seguintes
Luxemburgo cogitou tornar à formação do meio-campo com dois volantes.
No
entanto, o afastamento de Cáceres, Samir, Arthur Maia, Nixon e Éverton tirou do
treinador a possibilidade de tornar ao time original. Léo Moura se despediu
(algo já previsto), dando lugar ao voluntarioso Pará. Jogadores como o errático
Mugni, o irregular Luiz Antonio, o tosco Bressan e o veterano (ao menos nas
condições físicas) Eduardo da Silva passaram a frequentar o time titular. De
bom, o retorno do aguerrido atacante Paulinho, que fez bons jogos, marcou
alguns gols e voltou ao Departamento Médico, de onde sabe-se lá quando irá
sair.
Mas,
de todas as alterações, a mais danosa, a mais perniciosa, a mais complicada foi
a efetivação de Alecsandro no comando do ataque.
Nada
contra o rapaz. Até acho interessante a forma como ele tenta demonstrar apego à
equipe e reconheço que, vez ou outra, o atacante marca gols, alguns até
importantes. Mas o vulgo “Alecgol” é daqueles centroavantes antigos, obsoletos.
Não se movimenta, permanece a partida estático, no máximo recuando até a
intermediária adversária. Isso engessa o sistema ofensivo. Trava. Torna a
equipe previsível. Sem movimentação, os atacantes não dão ao meio-campo
alternativas de jogo. E o time perde a fluidez. Com isso, passa a viver de
chutões e bicudas.
Foi o
que se viu nas duas partidas contra o Vasco. O interessante é que em Salgueiro,
com uma formação próxima à que se iniciou o ano, o time voltou a praticar um
futebol mais interessante e organizado e chegou com certa facilidade ao
objetivo dos dois gols, em que pese a fragilidade do adversário.
CONDIÇÃO EMOCIONAL
Como
pontuado acima, o time começou a demonstrar problemas de equilíbrio emocional
quando derreteu após sofrer um gol inesperado do possante Madureira, num jogo
que parecia controlado. Após o revés, a equipe simplesmente parou de jogar e
deixou-se impor por um adversário de alguma qualidade, mas bem inferior
tecnicamente. Foi a senha. Na última rodada, o Flamengo menosprezou o Nova
Iguaçu, tentando cozinhar em banho-maria um jogo que nitidamente era o “jogo da
vida” do adversário. Quando percebeu que o gol não sairia por decreto divino,
perdeu-se. Nas semifinais, diante de um oponente mais rodado, o time, desde o
primeiro jogo, mostrou sérios problemas para controlar os nervos. E desabou de
vez após o pênalti.
O TREINADOR
Luxemburgo
aparenta mostrar algumas concepções táticas interessantes para essa equipe.
Talvez esteja, inclusive, buscando pinçar alguns elementos da forma de jogo da
Alemanha que venceu a Copa, como a busca por volantes qualificados e versáteis
(o que explica esse trabalho com o Mugni), a colocação de meias como
“falsos-pontas”, a abolição do atacante fixo, enfim. No entanto, não foi capaz
de lidar com os imprevistos, insistiu em demasia com determinadas soluções
equivocadas e, principalmente, tornou-se foco de desestabilização ao, seja lá por
qual motivo, manter acesa e alimentada a chama de sua eventual transferência
para o São Paulo, o que irritou a torcida, desnorteou os jornalistas e
provavelmente desconcentrou os jogadores. Nesse ponto, falhou também a
diretoria ao não se impor, impedindo o treinador de sair se oferecendo em
peregrinação pelas tevês do país.
AS LESÕES
Outro
ponto crítico da temporada é a questão das lesões. Samir, Pico, Cáceres,
Canteros, Éverton, Arthur Maia, Nixon e Paulinho estão ou estiveram às voltas
com contusões que os tiraram de vários jogos, muitos deles decisivos. É muito.
É excessivo. E, na maioria dos casos, estamos falando de titulares. A coisa se
torna ainda mais intrigante e inaceitável quando se constata que no ano passado
o Flamengo viveu algo semelhante no final do ano. É o tipo de coisa que requer
reuniões de emergência, planos contingenciais e, se for o caso, troca de nomes.
Porque, mesmo não entendendo de fisiologia do desporto, é possível supor que
tem coisa errada aí.
ELENCO E PERSPECTIVAS
O time
não é ruim. Mas não está à altura do Flamengo que queremos. É uma equipe que,
vestida com a camisa de um Atlético-PR, um Grêmio ou um Cruzeiro, poderia
chegar a uma colocação interessante, brigando por posições elevadas. Mas, no
Flamengo, com as pressões e as repercussões inerentes ao clube, não vejo algo
mais promissor do que a briga pelas oito primeiras posições. Há bons jogadores,
mas são todos coadjuvantes. Não há alguém pra chamar o jogo, dar esporro, botar
a bola debaixo do braço. O mais próximo que temos a isso é o Cáceres, mas ele
vive lesionado, convocado e parece ter perdido de vez a posição de titular.
Daí eu
enxergar com ceticismo as declarações do VP Rodrigo Tostes, que preconiza ser o
ideal para o Flamengo trazer jovens de 19 a 24 anos, que podem ser trabalhados
numa negociação. Mas, em outro ponto, ele aparentemente se contradiz, quando
fala que o time precisa de jogador para chegar e ser titular, não para compor
elenco. Oras, conta-se nos dedos os meninos de vinte e poucos anos que possuem
baixo valor de mercado e estão em condições de “chegar chegando” no time.
Eu já
acho que é a hora de preparar o salto. Trazer jogadores capazes de agregar
experiência e competitividade. O Raul e o Carpegiani dos anos 70, o Fábio
Luciano de 2007, alguém com esse perfil. Sempre gosto de mencionar o caso de
Augusto Recife, volante meia-boca dos anos 2000. Ao lado do Maldonado, foi
destaque e ganhou tudo no Cruzeiro. Ao lado do Da Silva, matou bola no pescoço
e brigou pra não cair no Flamengo.
Paulo
Victor, Pará, Wallace, Samir e Armero; Jonas, Felipe Melo e Canteros; Cirino,
Robinho e Everton.
Dois
nomes. Dois. Nem precisam ser exatamente esses. Mas é disso que falo. O salto.
Boa
semana a todos.
Adriano
Melo

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