O Flamengo em que acreditamos.

Torcida do Flamengo orando e mostrando fé na mureta do Maracanã – Foto: Celso Pupo / Fotoarena

MEDIUM:
Por David Butter

O
Flamengo da Gente é um movimento de associados ao Clube de Regatas do Flamengo.
Defendemos a visão de um Flamengo sério, vencedor e para todos.
Existimos
para:
Lutar pela preservação e pela expansão da
matriz popular do clube
Acreditamos
que o Flamengo do futuro precisará renovar no dia-a-dia a aposta que o tornou
um clube imenso, a mesma aposta do estadista José Bastos Padilha: a de andar
com todo e qualquer segmento da nação brasileira — sem distinção de cor, credo,
gênero, origem ou condição social. O Flamengo dos meninos e meninas da Praia do
Russel, o Flamengo pioneiro em fazer das vitórias carnaval, o Flamengo da Praia
do Pinto e da Cruzada, de Adílio e Júlio César, o Flamengo de Jorge Ben Jor, o
Flamengo mulambo, que é nome de pano de escravo, o Flamengo que desce do trem
em São Cristóvão, o Flamengo com orgulho de ser favela também — deste Flamengo
o Flamengo dependerá sempre: na arquibancada, na instituição, na vida.
Democratizar e abrir o clube
Defendemos
a abertura política do Flamengo aos interessados em participar da definição dos
rumos da camisa mais pesada do esporte brasileiro. Hoje, como no passado, a
vida política do Flamengo está longe de representar a massa de apaixonados pelo
clube. Devemos tornar verdadeira, de uma vez por todas, a promessa contida em
um lema de campanha da Frente Ampla pelo Flamengo, lançado no auge da Ditadura:
“A democracia começa pelo Flamengo”.
Acender de novo no clube a obsessão pela
América e pelo mundo
Gritamos
a urgência de uma nova internacionalização esportiva. Quando Zico marcou, de
falta, o segundo gol contra o Cobreloa, no terceiro jogo da final da
Libertadores de 1981, o Flamengo acordou para sua vocação internacional no
futebol. E, na esteira desse despertar, o clube seguiu por alguns breves anos
na luta renhida pela hegemonia continental. Daí para não mais: por folclore,
arrogância e até pela crença irracional de que só há uma régua para medir o
sucesso, aquela de 1981, o Flamengo se apequenou do outro lado da fronteira.
Correm quase duas décadas do século, e pouco fizemos até agora. É chegado o
momento de corrigirmos essa distorção. O Flamengo deve se educar a dormir e
acordar pensando na América. Conhecer, disputar e vencer torneios continentais
tem de se constituir em política de Estado para o Flamengo. Há uma nova
mitologia nos aguardando lá fora.
Liderar, em prol da mudança do futebol no
país e no continente
O
Flamengo deve liderar o futebol brasileiro e sul-americano rumo a um novo
patamar de governança e relevância. Queiramos ou não, permita ou não o nosso
orgulho, estamos na periferia do futebol global, sob o assalto de ligas e
clubes globais. O que podemos fazer a partir da periferia? Como podemos
transformar um produto da periferia em atração? Como podemos ir além do
fornecimento pés-de-obra? Grande demais para as fronteiras dessa periferia, o
Flamengo está mais equipado do que qualquer outro clube da região para
responder a essas perguntas. Mudar confederações e federações, levar clubes à
mesma mesa para defender interesses comuns, reformar o calendário: o Flamengo
precisa estar na vanguarda. Mesmo que, aqui e ali, isso signifique deixar de
enxergar o próprio umbigo.
Reafirmar
o compromisso do clube com o profissionalismo de ponta e o equilíbrio
econômico-financeiro, assegurando que esse seja sempre um meio, e não um fim
Queremos
um Flamengo que se sustente, mas também um Flamengo que potencialize, e não
atrofie, sua identidade popular e sua vocação vencedora. Não, não podemos
retroceder à era do improviso, que quase nos lançou à bancarrota. Tampouco
podemos transformar a memória da bandalheira num espantalho para travar a
missão do clube. Um Flamengo em vias de sanar suas finanças deve ser também um
Flamengo audaz, sem complacência face ao fracasso, sem tolerância com o
improviso. Melhoramos, de fato. Contudo, a sombra da acomodação nos ronda o
caminho. O Flamengo carece, por exemplo, de um processo claro e transparente
para selecionar profissionais de ponta. Uma vez selecionados, esses
profissionais deveriam atuar em setores que se reportassem tanto ao presidente,
quanto a um conselho diretor que aparecesse pouco, cobrasse muito e deixasse de
lado “incursões heróicas” na gestão direta. No lugar disso, vemos o Flamengo
experimentar, no presente, uma combinação inusitada de voluntarismo e frieza. O
Flamengo não pode, nunca, resignar-se ao status de promessa doméstica e
internacional, na fila à espera da “lógica” e das próximas células da planilha.
O sucesso esportivo não decorre de forma automática da organização
administrativa — essa crença, aliás, apresenta-se tão folclórica quanto as
crendices boleiras do passado. Balanços nunca serão amuletos.
Defender a construção de um estádio
Precisamos
de autodeterminação para mandarmos as partidas do futebol profissional,
escapando das mercês de consórcios, federações ou adversários. Desde 1938, o
Flamengo possui um estádio próprio, e ele necessita há muito de reformas. No
século XXI, clamamos por uma casa funcional, seja na Gávea, seja noutro
terreno: O Flamengo da Gente luta por um lar para o Flamengo, uma praça de
esportes que não seja arena, um estádio que não seja boutique, uma casa que
seja nossa como nós mesmos somos: populares.
Alinhar o clube à defesa dos direitos
humanos e à responsabilidade social
Desejamos
ver o Flamengo alinhado à defesa dos direitos humanos. O Flamengo possui papel
a cumprir para além do campo. Somos o clube de Stuart Angel Jones, um abrigo
para os perseguidos. Somos o clube da Fla-Diretas, o clube da Fla-Anistia e
também o clube da Fla-Gay. Somos o clube que, há 60 anos, desafiou o mundo para
receber o Honved, de jogadores intimidados pela FIFA e pelo regime comunista
húngaro. O Flamengo não pode se furtar ao bom combate. Devemos investir em
nossa imagem, por meio do exemplo.
Por: FlaHoje

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