quarta-feira, setembro 30, 2020
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O Flamengo ensina.

Foto: Divulgação

REPÚBLICA
PAZ E AMOR
: Já aprendi com ele há algum tempo que não vale a pena escrever post
no calor de uma derrota. Flamengo perde, você bufa, xinga a mãe de uns 3 ou 4 e
senta em frente ao computador achando que é o martelo do mundo. As ideias se
confundem, o raciocínio é traído pelas emoções e acabamos, invariavelmente,
atirando pra todos os lados e ferindo mais inocentes do que o Manual do
Justiceiro considera de bom tom.

Pelo
menos pra mim prescrevo uma quarentena moderada de 48 horas antes de voltar a
bancar o gato-mestre. É um intervalo de tempo razoável para que a natural
superioridade filosófica e ontológica do rubro-negrismo racional volte a
sobrepujar sentimentos menos nobres tais quais a vontade de matar, de morrer,
de abandonar de uma vez por todas esse negócio de Flamengo, entre outras
pirraças. Não chego aos radicalismos de voltar a assistir ao jogo que perdemos
para identificar falhas e virtudes. Não, que se dane, perdeu já era, um abraço.
Acho que é desnecessário falar mais sobre uma derrota, tenho outros assuntos em
mente.
Entre
as muitas alegrias e ensinamentos que o Flamengo me proporciona além do jogo de
futebol em si, certamente o meu preferido é a observação e a interação com a
torcida, esses 40 milhões de irmãos e irmãs que reagem de 40 milhões de
maneiras diferentes ao fenômenos que ocorrem na Flamengosfera. Ultimamente tem
sido difícil estar na torcida do Flamengo fisicamente, mas uma parte dessa
torcida está nas redes sociais e com elas, mesmo que o Flamengo continue
jogando apenas na casa do caralho e adjacências, eu consigo interagir. Ui!
Ficou mei gay o interagir, meu querido, mas é o que temos pra hoje.
Essa
galera rubro-negra das redes sociais é pilhada, impaciente, intolerante e
muitas vezes injusta pra caramba. Igualzinho à galera das arquibancadas. O que
é lógico, já que são a mesma galera. Como estamos combinando agora que é a
mesma galera, podemos então, só pra simplificar, nos referir a essa galera como
torcida do Flamengo, ok? Pois muito bem, a torcida do Flamengo ficou bem puta
com a derrota pro porco. Até aí normal, ninguém gosta de perder.
O que
tem me chamado a atenção é uma tendência, que no domingo se viralizou, de não
culparem mais os jogadores e treinador pelos maus resultados. A moda agora é
dizer que a culpa é de quem os contratou. Não é sempre que tenho a ventura de
concordar com um suposto senso comum existente na torcida do Flamengo sobre
este ou aquele tema. Mas devo confessar que poucas vezes discordei tanto de um
argumento. Explico minhas razões.
Se
toda a responsabilidade pelos maus resultados em campo fosse exclusiva de nossa
elite dirigente, no caso de sucesso eles receberiam as taças e fariam a volta
olímpica carregados nos ombros da torcida? Lógico que não! É uma tremenda
inversão de valores. Cada um no seu quadrado. Dentro de campo quem tem que
resolver é o jogador, o técnico pode ajudar, assim como o juiz e os
bandeirinhas, mas fazer gol, evita-los e trazer 3 pontos pra dentro do
vestiário é trabalho do jogador.
Querer
criticar a diretoria é normal, previsível, faz parte do jogo. Enquanto a bola
não entra na quantidade e do jeito que a torcida exige, a cartolada sofre. E
não adianta eles falarem nada, depois de uma derrota nada que saia da boca de
um dirigente é capaz de adoçar os ouvidos do torcedor. Mas no meio dos
desabafos do torcedor às vezes aparecem boas ideias. Como um cara no Twitter
dizendo que quando for jogar em Brasília o Flamengo só pode fazer zona mista no
anel superior. O Flamengo tem quem monitore as redes sociais e de repente uma
ideia boa que aparece no meio das cornetadas pode ser colocada em prática.
Assim espero.
Essa
torcida do Flamengo no Twitter tem reclamado bastante da politica do Flamengo
não limitar a venda de ingressos para a torcida adversaria à apenas 10% da capacidade
dos estádios. Claro que a barbárie do jogo de domingo fermenta esse tipo de
pensamento, é até compreensível. Hoje a torcida do Flamengo apoia a ideia de
10% de torcida adversária nos estádios. O apoio da torcida é importante, mas
não exime a ideia de ser idiota, antifutebol e antiflamenga.
O
Flamengo joga no Brasil inteiro e a atrai hordas de rubro-negros em uma raio de
mais de 1000 km do estádio. Torcedores que passam às vezes mais de um ano para
conseguir ver o Flamengo em campo. Se limitarem a 10% a presença da Magnética
nos estádios como esse pessoal vai fazer? A Nação Rubro-Negra seria a maior
prejudicada se essa ideia idiota vingasse. Não está no DNA do Flamengo esse
apequenamento diante do adversário, essa admissão de temor, esse medo do contraditório,
essa supremacia da ideia única. O Flamengo nunca foi desses leite-com-pera, por
que começaria agora com essas frescuras?
Os
clássicos centenários no Maracanã, e até em outras praças como São Paulo,
Brasília, Manaus são uma prova de que o futebol carioca, a verdadeira matriz do
futebol brasileiro, não precisa importar nenhuma calhordice do futebol
paulista, onde os marginais venceram a guerra há muito tempo. O Flamengo tem o
dever de manter suas raízes democráticas e de bom convívio com as torcidas
adversárias. A violência não pode ser combatida com mais violência, porque ela
é autodestrutiva. Além do mais, dinheiro não aceita desaforo. Até prova em
contrário, o certo é que o Flamengo venda entradas dos seus jogos a todos que
quiserem comprar.
Ao
longos de seus 120 anos o Flamengo construiu uma cultura própria no futebol,
que compreende a forma de torcer, de vibrar e de aceitar a existência de outras
culturas do futebol. Não podemos deixar que isso se perca pelo fanatismo de
quem, lamentavelmente, vem a cada dia perdendo a capacidade de dialogar. O
Flamengo, pra ser um dia, de fato e de direito, o Maior do Mundo, tem que
combater o pecado e amar os pecadores.
Quer
um exemplo? César Martins. Fez que foi e acabou ficando na hora que a chapa
esquentou, não correu. Não é um portento técnico, mas enverga o Manto que nem
homem pra caramba. Fez cagada no primeiro gol dos porcos, mas sua atitude no
lance do segundo gol deles foi irrepreensível. Eu faria aquele pênalti 3000
vezes. César Martins demonstrou. de forma plástica e de mão trocada, que deixar
a bola entrar no gol do Flamengo não é uma opção. O Flamengo ensina, mas é
preciso que a gente também queira aprender.
Mengão
Sempre
ARTHUR
MUHLENBERG

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