quarta-feira, setembro 30, 2020
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“O Flamengo vem se estruturando”, destaca Kayke.

Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

LANCE: O atacante
Kayke Moreno fala com carinho sobre sua relação com a torcida do Flamengo. Ele
voltou ao clube que o revelou no ano passado e conquistou o afeto da enorme
torcida rubro-negra. Em entrevista exclusiva ao LANCE! , o jogador falou sobre
sua adaptação ao Japão, relembrou o retorno ao Fla e ainda revelou que segue
acompanhando o clube, mesmo do outro lado do mundo.

Foram
apenas 209 dias, de 11 de agosto, data da oficialização do retorno ao clube
carioca, até 7 de março, dia em que rescindiu contrato. Mas o jogador de 28
anos, que chegou para suprir as eventuais ausências de Paolo Guerrero, não
deixou de receber boas mensagens pelas redes sociais.
– A
torcida do Flamengo me surpreendeu muito positivamente. Pelo carinho, pela
força. Até hoje eles vêm me surpreendendo. Muitos me seguem, recebo milhares de
mensagens para eu voltar ao Flamengo, que o time precisa de mim, enfim, me
deixa muito feliz. Sei que a torcida é paixão, aquilo que vê no momento, mas
fico feliz. É o reconhecimento de um bom trabalho que foi feito. Fico muito
agradecido pelo carinho de todos – contou o atleta.
Hoje
no Yokohama F. Marinos, do Japão, Kayke ainda não pensa em voltar ao Brasil,
mas disse que chegou a receber propostas de times brasileiros. Atualmente seu
clube está na terceira posição do Campeonato Japonês e vem de três vitórias e
dois empates no segundo turno. O jogador marcou três gols em cinco jogos e foi
eleito o melhor da partida em três oportunidades.

Ainda é cedo para falar em retorno para o Brasil, estamos no meio do ano e do
campeonato. Esse tipo de situação deixo para o fim da temporada. Recentemente
recebi algumas propostas de clubes brasileiros para retornar e agradeci o
interesse dessas equipes. Fiquei muito feliz pelo reconhecimento do trabalho.
Mas eu e meu empresário decidimos que não era o momento ainda. Preciso terminar
bem a temporada e acreditamos que ainda tem muitas coisas boas pela frente.
Como é a vida aí no Japão e sua adaptação
ao campeonato nacional?

Minha vida no Japão é muito tranquila. A adaptação foi muito boa em relação a
tudo. Venho fazendo aulas de japonês com a minha esposa, faço em casa e no
clube. Me dedico bastante para aprender o suficiente pra me virar no dia a dia.
O Campeonato Japonês é difícil, tem, no mínimo, cinco ou seis times que brigam
pelo título e a minha equipe é uma delas. Estou muito feliz com esse momento e
espero que a gente dê continuidade nisso e consiga conquistar nossos objetivos,
o título nacional e a classificação para a Champions League da Ásia. É um
futebol diferente, mas acredito que peguei rápido as coisas aqui. Procuro
aprender a cada dia com os jogadores e o treinador.
Sua família não se mudou com você logo de
cara. Como foram esses primeiros meses longe deles?
– A
questão da minha família não ter vindo foi a pior coisa. Minha adaptação
demorou um pouco por conta disso. Fiquei dois meses longe deles, meu filho
tinha acabado de nascer. Minha esposa não podia vir e isso acabou me
atrapalhando muito. A gente sente falta, ainda mais do outro lado do mundo e
com filho recém-nascido. Mas as coisas caminharam da forma que a gente estava
esperando e tudo entrou nos trilhos. Vivemos muito bem e recebemos até visita
dos familiares já.
Você viveu um susto aí no Japão em abril,
com aquele tremor em Kumamoto. Como foi a sensação naquela época?
– É
muito complicado. Infelizmente assim que cheguei teve um grande tremor aqui e
eu acabei sentindo. Já senti duas vezes, mas já foram vários. Para eles é uma
coisa normal, pois acontece sempre. Quando acontece de uma forma mais forte
todos acabam ficando mais assustados. Dessa vez foi uma situação chata porque
eu não tinha experiência nenhuma em relação a isso e via todos assustados. Isso
me deixou nervoso, fiquei uma semana perguntando para todos no clube como era,
o que podia acontecer. Depois que minha família chegou também teve mais um.
Rezamos para que não aconteça mais porque é uma situação chata e ruim para o
país. Acaba afetando algumas famílias. Mas o Japão é muito estruturado, tudo é
preparado para isso.
Você começou a carreira no Flamengo e
retornou ao clube depois de muitos anos. Como foi voltar?
– Pra
mim foi uma realização. Como jogador profissional e como torcedor. Eu comecei
no Flamengo quando criança, com 8 anos, e depois fui para o time de cima. Foi
muito marcante para mim, para os meus familiares e meus amigos. Retornar no ano
passado e poder de fato vestir a camisa do Fla. Foi uma passagem muito boa para
mim, fui muito feliz, vou levar para o resto da vida.
Você consegue descrever como é sua relação
com o Flamengo? Porque nós sempre pudemos perceber uma ligação emocional forte.
– A
gente tenta ser o mais profissional possível quando atuamos pelo clube do
coração, mas no fundo levamos o sentimento de torcedor junto. No Flamengo é
mais ou menos isso. Não tem como dividir muito as coisas, pois tem uma vida
inteira dentro do clube, o lugar onde você passou todas as suas experiências. É
difícil separar e ser só profissional do futebol. Levamos a paixão e o carinho
pelo clube para dentro de campo e acho que isso ajuda. Minha relação com o Fla
sempre foi muito boa, levo as lembranças maravilhosas e as coisas que já vivi
ao longo desses anos.
Você ainda acompanha o Fla? O que acha
desse momento atual do time?

Acompanho sempre que posso. Entro no site oficial, vejo os programas
brasileiros de esporte, para que nunca fique longe, mesmo estando do outro lado
do mundo. Atualmente o Flamengo vem se estruturando com o elenco para fazer jus
ao nome. O clube precisa ter um time de peso, jogadores que são respeitados no
mercado. Tenho certeza que eles vão fazer o máximo para conquistar os objetivos
maiores com essa camisa, que é sempre ganhar títulos. O Fla vem fazendo um
excelente trabalho dentro e fora de campo. Espero que as coisas aconteçam de
uma forma positiva.
Quais são seus planos para o futuro?
Pretende continuar no Japão?

Procuro viver um dia após o outro. O futebol nos surpreende bastante. Espero
sempre ser surpreendido positivamente. Para que isso aconteça, precisamos fazer
um presente bom. Procuro me dedicar ao máximo nos treinamentos, agarrar as
possibilidades nos jogos para ir bem nas partidas. Se isso acontecer, tenho
certeza que o futuro será melhor do que o presente. Meu contrato aqui é de
quatro anos. Quero fazer meu papel bem feito hoje. Vivo um bom momento aqui e
quando acabar essa temporada vamos ver o que temos pela frente.

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