terça-feira, setembro 22, 2020
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O Maraca (ainda) é ‘deles’.

MAURO CEZAR PEREIRA: O “O Estado de S. Paulo”
traz matéria com a transcrição de diálogo entre o empreiteiro Marcelo Bahia
Odebrecht, preso há 249 dias, o diretor-presidente da construtora Odebretch,
Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o “BJ”, encarcerado hoje em Curitiba (PR) — clique aqui para ler. O diálogo e envolve, entre outros temas,
o Maracanã (veja abaixo a reprodução de trecho da transcrição da conversa
publicado pelo jornal).

Troca de mensagens enrte Odebrecht e BJ publicada pelo Estadão: Maraca é deles. Imagem: Reprodução
Pela conversa reproduzida, o objetivo parecia ser somente a
obtenção de obras para as Olimpíadas. A estratégia: dar apoio ao
“GERJ” (Governo do Estado do Rio de Janeiro) no Maracanã e deixar
preparada uma saída após os Jogos de agosto deste ano na capital fluminense.
Assim, receberiam o que seria investido na operação do estádio.
Sem novas obras e financiamentos para as mesmas no complexo
desportivo (caso dos Parque Aquático Júlio Delamare e do ginásio do
Maracanãzinho, que serão reformados pelo Comitê Olímpico), a estratégia seria
cair logo fora (“wayout”) do Maracanã. Mas antes, recuperariam o
valor investido (perdido?) no estádio durante o período de concessão. Como?
Quem pagaria tal conta? O governo do Rio, falido e sem dinheiro até para seus
hospitais em pandarecos?
Lá atrás, quando firmado o contrato entre o
“GERJ” e o consórcio que administraria o Maracanã, encabeçado pela
Odebretch, seriam demolidos o parque aquático e o estádio de atletismo Célio de
Barros. Após pressão popular, inclusive de atletas, o governador Sérgio Cabral
(em período pré-eleitoral), voltou atrás. Assim, a construtora perdeu a chance
de naquelas áreas explorar estacionamentos e um shopping.
O vazamento das mensagens é mais um capítulo da nebolusa
novela da concessão do Maracanã, inciada durante o governo Cabral e que prossegue
com o seu companheiro de PMDB, ex-vice e sucessor, Luiz Fernando Pezão.
Fluminense e Flamengo, que firmaram acordos com a concessionária que se
desmancha, tentam, nos bastidores, planejar o futuro com o estádio que hoje
inexplicavelmente não podem utilizar.
Torcedores promovem tuitaço com a hastag #omaracaenosso.
Historicamente sim, ele é do povo. Mas hoje, outros o detêm e dele querem se
livrar. O diálogo que vazou na Operação Lava Jato torna tudo ainda mais claro.
Em tempo: desde maio se sabe que nenhuma obra de porte será realizada no
Maracanã para os Jogos, mas ainda assim ele seguirá fechado até o final de
outubro. Não faz sentido.
Em tempo: o estádio foi reconstruído com dinheiro do
contribuinte. Em 10 de setembro de 2010 o blogueiro entrevistou a então
secretária de turismo, esporte e lazer do Rio de Janeiro, Márcia Lins. Em
pauta, as obras no Maracanã, que estava sendo interditado naquele momento para
ser semi-demolido no atendimento à Fifa e suas exigências antes da Copa do
Mundo de 2014. Veja o vídeo abaixo e responda: PPP pra que?

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