quarta-feira, setembro 23, 2020
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O realista esperançoso.

Foto: Reprodução

REPÚBLICA
PAZ E AMOR
: Torcer para o Flamengo é extremamente prazeroso, mas quase nunca é
simples. Só aceitamos ganhar tudo, só aceitamos ganhar todas e só aceitamos
ganhar de muito.

No
entanto, se fizermos um esforço para desconsiderar os devaneios e pôr os pés na
realidade, veremos que jamais foi assim. Nem nos áureos tempos do melhor time
da nossa história. E se quando tínhamos Zico e Júnior não ganhávamos tudo, não
ganhávamos todas e não ganhávamos sempre de goleada, por que seria desse jeito
justo agora que temos Fernandinho e Márcio Araújo?
Não
importa: continuamos convictos de que não pode ser de outro modo – o que tem um
lado bastante positivo, o de nos fazer exigentes ao máximo. Só que, quando as
retumbantes vitórias e as projetadas conquistas não vêm, a decepção é
proporcional e nos vemos às voltas com fantasias a respeito da falta de raça ou
de caráter dos nossos jogadores. O adversário jamais nos vence; nós é que
perdemos.
Jogamos
mal contra o Sport? Não: jogamos muito pior que isso. Não criamos um lance
ofensivo, não demos um chute a gol. Até o nosso treinador admitiu que estivemos
abaixo da crítica. Mas o que dizer do Atlético Mineiro nos empates com
Figueirense e Vitória, do Santos na derrota para o América Mineiro, do
Corinthians no empate em casa com o Figueirense, do Grêmio na derrota em casa
para o Vitória, do Palmeiras ter levado apenas um ponto nas duas partidas
contra a Ponte Preta? Não é difícil perceber que, se embarcarmos no velho
chavão “time que quer ser campeão não pode perder pontos para fulano ou
beltrano”, teremos um caso inédito de Campeonato Brasileiro sem vencedor.
Pode
parecer sofisma vagabundo de blogueiro idem, mas tenho a sensação de que nosso
grande problema não são os jogos que perdemos, e sim os que não podíamos ter
deixado de ganhar. E em 2016 já temos três desses no currículo: os empates com
São Paulo, Botafogo e Santos. Estamos falando de nada mais nada menos que seis
pontos atirados ao lixo.
O
Campeonato Brasileiro costuma ser, mesmo para os que encabeçam a bagaça, um
infindável perde e ganha, embora eu concorde com os que defendem a tese de que
a incompetência alheia não pode servir para justificar nossos erros. Porém, é
praticamente impossível que seja de outro jeito. (Desculpem se insisto no tema
e na lembrança, mas vale retomar o sebastianismo muhlenberguiano para recordar
que, em 2009, levamos uma tunda de cinco a zero de um time que acabaria
rebaixado.)
Claro
que não há, aqui, uma ode ao determinismo, e o espírito crítico continua sendo
bem-vindo. Ter consciência de como o campeonato se desenrola é uma coisa, achar
que tudo está bom e vai obrigatoriamente acabar como imaginamos é outra. Não
vamos ganhar só porque foi assim em não sei quando ou porque é assim que tem
que ser. Mas numa competição equilibrada e – é forçoso reconhecer – nivelada
por baixo, tudo o que precisamos é fazer menos bobagens que os principais
adversários. Perder para os mais fracos, todos perdem. A vantagem, ao final, fica
com aquele que não desperdiça pontos como os tais seis citados dois parágrafos
acima.
O que
mais nos encanta no futebol talvez seja o tanto que ele tem de ilógico. Há dez
dias o Grêmio amassou o mesmo Corinthians que nos goleara por quatro a zero. Pois
no último domingo nós não deixamos o Grêmio respirar e o batemos com
autoridade, numa vitória que teria sido ainda mais confortável caso Éverton não
perdesse um gol que meu neto faria e Réver não achasse bonito dar balãozinho na
nossa pequena área.
Por
falar nisso, eis aí uma linha reta para o hepta: não se conformar com falhas
cometidas por falta de seriedade e excesso de confiança, como inúmeras que já
testemunhamos nesta temporada. Errar é do jogo, brincar é inaceitável.
De
todo modo, e apesar de sua lamentável preferência clubística, nessa hora vale
lembrar Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom
mesmo é ser um realista esperançoso.”
E acho
que, lá de cima, o genial autor pernambucano não vai se aborrecer se dermos uma
ligeira adaptada em outro dos seus achados, dito pelo personagem Vicentão no
Auto da Compadecida: “Eles tão doido pra perder, nós tamo doido pra ganhar. Dá
certinho.”
JORGE
MURTINHO

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