domingo, setembro 20, 2020
Início Notícias O Saco de pancadas.

O Saco de pancadas.

Buteco
do Flamengo – Salve, Buteco. O Flamengo, na temporada 2015, conseguiu a façanha
de se tornar o “saco de pancadas” do Vasco da Gama e perder quatro
partidas em oito disputadas. Nos números, pura e simplesmente, quase iguala o
ano de 1993, quando perdeu quatro partidas em cinco confrontos, muito embora
ainda falte um pouco para alcançar o “recorde” de 1988, quando foram
nada mais, nada menos do que cinco derrotas seguidas. A diferença, em ambas
sequências, é que o Vasco da Gama tinha equipes formidáveis e de primeira linha
no futebol brasileiro; já em 2015 é um catado formado no desespero para não
retornar à Série B do futebol brasileiro, de onde escapou com muito esforço e
em circunstâncias dramáticas em 2014, o que torna o desempenho atual
particularmente vexaminoso. Para quem gosta de debater a responsabilidade
presidencial pelo momento do futebol rubro-negro, em 1993 o presidente era Luiz
Augusto Velloso, na minha opinião o pior e mais fraco presidente da história
recente do Flamengo. Em 1988, Márcio Braga, indiscutivelmente o mais vencedor.
Em comum nos três cenários, um velho inimigo: Eurico Miranda, antes
vice-presidente de futebol, hoje presidente do Vasco da Gama.

Para a
missão a qual Eduardo Bandeira de Melo se propõe cumprir, inclusive por mais
três anos, é preciso ter não apenas a sensatez e o equilíbrio que devem nortear
as exemplares medidas tomadas em nível administrativo no clube, mas também
sensibilidade para a paixão do torcedor e a rivalidade com os adversários mais
tradicionais, ínsitas ao cenário do futebol. É preciso sobretudo mais cuidado e
respeito com o “produto” que é “entregue” ao torcedor,
consumidor final, e que constitui o “carro-chefe” do clube.
É
preciso também ter a consciência de que, quando se propõe desafiar o sistema, e
com um clube que tradicionalmente tem inúmeros inimigos entre jornalistas e
profissionais do próprio meio futebolístico carioca, que dirá nacional, não
pode faltar uma estratégia de defesa contra represálias, como por exemplo as
ultimamente rotineiras arbitragens tendenciosas.
Quando
se manda para dentro de campo um time despreparado em níveis estratégico,
psicológico e emocional para a guerra que a Diretoria resolveu comprar e
assumiu fora de campo, coloca-se todo o projeto na berlinda, sobretudo porque o
discurso, a ideologia, as metas que se pretende atingir são duramente enfraquecidos
e colocados em xeque quando uma instituição centenária é humilhada por
personagens do nível de Eurico Miranda (e a forma pela qual conduz seu próprio
clube), Rodrigo, Julio dos Santos, Jorge Henrique, Riascos e Guiñazu.
A
verdade é que, dentro das quatro linhas, pois convenhamos é de futebol que
estamos tratando, Eduardo Bandeira de Melo fracassa miseravelmente no confronto
direto contra a representação viva do atraso que busca combater, e comporta-se
como um autista ao lidar com o fato, como se irrelevante ou de importância
menor fosse. Vive em um mundo próprio de política interna do clube, austeridade
e finanças, sendo a bola um mero detalhe.
Para
ser honesto e probo não é preciso ser humilhado e nem tampouco perder a
dignidade diante dos adversários. Futebol é paixão, é rivalidade. E afinal de
contas, não estamos falando de bocha, canastra, xadrez, patinação artística ou
curling. Então, não se pode pretender dirigir um time de futebol sendo
indiferente a esses sentimentos, e não custa frisar que isso também vale para
todos os profissionais do Conselho Diretor e do Departamento de Futebol, e não
somente para o presidente.
***
O
árbitro Leandro Pedro Vuaden inventou as duas infrações nos lances de bola
parada que resultaram na virada do Vasco da Gama. Tanto a falta em Andrezinho
foi escandalosamente inexistente quanto o lance de Jorge foi absolutamente
acidental. O árbitro também foi flagrantemente parcial na marcação das faltas,
podendo-se dizer, sem exagero, que o crescimento do Vasco da Gama na partida,
iniciado na metade do primeiro tempo, em uma parte não desprezível se deveu à
tolerância em relação às faltas sequencias praticadas a partir de seu campo de
defesa, parando o meio campo e o ataque do Flamengo. Por fim, deixou de
expulsar Luan ainda no primeiro tempo quando agarrou Sheik e o impediu de
seguir em um contra-ataque.
Ponto.
Em que
isso exime a equipe de responsabilidade pela apatia com que se portou diante do
crescimento do adversário na segunda etapa? Na minha opinião, em nada.
Compreende-se
a dificuldade de enfrentar um contexto hostil como esse, o qual, quando
encarado pela primeira vez em uma situação real de jogo, embora previsível,
pode até certo ponto surpreender, como ocorreu nas semifinais do Campeonato
Estadual. Todavia, é inaceitável o time sucumbir pateticamente a ele pela
quarta vez no ano, quando não pode mais ser definido como uma novidade, se é
que algo que pode perfeitamente ser previsto deve ser conceituado como tal.
Mais uma vez, o Vasco da Gama mais fraco tecnicamente passou a impressão de que
disputava um clássico e o Flamengo não, e mais uma vez se impôs na rudeza das
divididas, cotoveladas e dos gritos, enquanto nossos atletas se apequenavam
covardemente dentro de campo, a ponto de passar a falsa impressão de que havia
sido o próprio Flamengo e não o Vasco da Gama, supostamente com 8 (oito)
jogadores acima de 32 (trinta e dois) anos de idade, que havia jogado no meio
de semana pela Copa do Brasil.
Vergonhoso,
patético, pequeno, frouxo, covarde, asqueroso e ridículo esse time que é
indigno de carregar a marca do Flamengo.

***
O
Flamengo também cometeu seus próprios erros decisivos. Ontem, foi a vez de
Paulo Victor tomar um frango na cobrança de falta inexistente e dar início a
todo o processo de capitulação do time na segunda etapa, logo após Paulinho e
Sheik, no início do segundo tempo, quando o placar ainda estava 1×0 para o
Flamengo, tentarem se consagrar marcando “golaços”, embora lhes
bastasse tocar a bola pro meio onde Guerrero se posicionava livre de marcação.
Oswaldo
também foi infeliz. Se no primeiro tempo o Vasco da Gama equilibrou as ações
mas não conseguiu ser agudo, no segundo tempo, após novo início promissor do
Flamengo, menos duradouro do que no primeiro, o nosso treinador só reagiu
quando o placar havia sido invertido, sendo que suas substituições não surtiram
qualquer efeito.
Os
adversários já manjaram o Flamengo das seis vitórias. Será que Oswaldo consegue
encontrar alternativas?

***
Estou
cansado, muito cansado de jogadores rebolarem e abusarem do individualismo; da
covardia dentro de campo, com jogador tomando cotovelada na cara ou
centroavante adversário derrubando agressivamente o nosso goleiro sem ninguém
reagir ou dar a mínima confiança para o ocorrido; da postura “blazê”
do time todo, do treinador e da Diretoria quando leva de quatro três vezes
seguidas do Atlético/MG, outro rival tradicional; dos erros individuais que
comprometem partidas que eram pra ser vencidas; da falta de capacidade de
reação.
Estou
cansado de planejamentos mal feitos, de contratações às pressas no meio do ano,
com o campeonato brasileiro já em curso; da indiferença a derrotas em clássicos
e a goleadas, bem como de discursos demagógicos e vazios da situação e da
oposição numa briga fratricida e fútil por poder.
Austeridade,
organização e modernidade não precisam vir acompanhadas de empáfia, humilhação
e indiferença aos sentimentos do torcedor. Futebol é paixão, é emoção, é
devoção. No Flamengo, é ainda sintonia com a maior torcida do mundo.
***
Falando
em sintonia, abro espaço a quem foi ao Maracanã ontem para dizer se, afinal de
contas, a torcida foi “fogosa” ou “fria”, como andei lendo
no Twitter. Lamentavelmente, muitos jornalistas e torcedores embarcaram em uma
onda negativa de “culpar” a torcida de Brasília pela derrota para o
Coritiba. O tempo parece estar comprovando que o problema, inclusive de falta
de sintonia com a torcida, tornando-a “fria”, é com o time mesmo.
***
No
Buteco jamais tentamos tapar o sol com a peneira. Parabéns ao Ricardo Mattana
pelo post realista e profético de sábado, para o qual, por continuar atual,
tenho a honra de remetê-los à (re) leitura para os debates de hoje.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

MAIS LIDOS

Renato Gaúcho fala da goleada sofrida pelo Flamengo

O Flamengo está vivendo o seu pior momento na temporada. Após a saída de Jorge Jesus, o Rubro-negro investiu em Dome Torrent, entretanto, o...

Zagueiro do Del Valle revela pedido dos jogadors do Flamengo

O Flamengo foi humilhado pelo Del Valle na quinta-feira passada, em jogo da Libertadores da América. O Rubro-negro não viu a cor da bola e, por...

Entrevista de Marcos Braz não responde muita coisa

Marcos Braz deu sua entrevista coletiva neste sábado para falar sobre a derrota do Flamengo na quinta-feira e quais seriam as consequências dela. Mas...

Em coletiva, Braz banca permanência de Domenec

A tão aguardada coletiva de imprensa online de Marcos Braz na tarde deste sábado ocorreu a pouco, o tema principal, Domenec. Braz aproveitou a...