sábado, setembro 19, 2020
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O tipo de jogador que ninguém quer.

Foto: Divulgação

PERÓN
NA ARQUIBANCADA
: Por muito tempo fui partidário daquela famosa frase: “o
jogador pode fazer o que quiser fora de campo, desde que ele resolva o jogo no
domingo”.

Quando
comecei a trabalhar com futebol e conversar longamente com técnicos e jogadores
– eu sei que para quem acompanha futebol atualmente, ou até quem trabalha, isso
parece mentira, mas houve um tempo em que era possível falar longamente com os
profissionais depois dos treinos, sem assessores de imprensa ou as gessadas
entrevistas coletivas – descobri que a famosa frase não é utilizada no
cotidiano do chamado “mundo do futebol”.
Talvez
por isso, eu passei a entender a razão de um clube não contratar determinados
jogadores e também os treinadores afastarem alguns jogadores considerados bons
tecnicamente, aparentemente sem nenhum motivo.
Nada
mais irrita aos que vivem no futebol do que aquele jogador que se considera
mais do que ele é – todos sabem quem é craque ou aquele que só engana.
Pode
reparar que os jogadores que deixam um clube sem explicação são aqueles que
adoram chamar a atenção. Ou seja, aquele tipo de jogador que sente a extrema
necessidade de ser elogiado pelos seus companheiros e pela imprensa.
E
quando isso não acontece, eles fazem de tudo para turbinar seus predicados.
Esse é o tipo de atleta que adora falar; “eu fiz”, “eu sou o
primeiro a chegar e o último a sair”, “eu tenho mais vontade e
“eu sou mais dedicado que os meus companheiros”.
Ou
seja, é aquele caso típico de alguém que adora cobrar, mas que detesta receber
uma crítica – mesmo declarando que espera retorno e que as observações só o
fazem ter um desempenho ainda melhor.
Esse
tipo de jogador, que ninguém quer no time, é personalista ao extremo, adora
amplificar suas obras e se sente insubstituível. Se ele faz um gol após receber
o passe do companheiro, vai enaltecer o seu sentido de colocação. Se ele fazer
o passe para alguém marcar o gol, ele logo vai fazer questão de ficar anotado
que sem o seu lançamento nunca o tento saído, além de cobrar publicamente o
autor do gol por não ter dado um único abraço pelo presente dado.
O mimado adora jogar para a torcida,
fazendo coisas que para quem está de fora pode parecer um grande feito, mas
para o time – ou para o resultado final – nada acrescenta.
Também
faz questão de entregar quem foi responsável – mesmo que não nominalmente –
pela derrota da equipe, como essas frases: “Perdemos num erro
individual”, “Em um jogo de poucas chances não poderíamos ter perdido
a única chance que tivemos”.
Internamente também acaba minando um
elenco.
É comum esse tipo de jogador um dia tratar um companheiro
como seu melhor amigo e no outro ignorá-lo totalmente. Também ele adora montar
as famosas “igrejinhas” para falar mal da diretoria, técnicos e,
principalmente companheiros.
Além
de influenciar negativamente alguns colegas, principalmente aqueles que vivem
um situação mais intranquila ou os mais novos, os usando para ter alguma
vantagem. Lógico que quando a corda estoura, o “traíra” entrega a
cabeça do “parceiro” em uma bandeja, mesmo falando que fez de tudo
para salvar o seu novo amigo.
No
futebol – e também na vida – não basta dizer que ter talento, sempre lembrando
que também não é possível enganar por muito tempo (se tiver alguma habilidade
também e preciso saber conviver com seus companheiros de clube).
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