sexta-feira, setembro 18, 2020
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O título deste país é decidido fora de campo?

Foto: Divulgação

COSME
RIMOLI
: “Bruce Buffer, a voz do UFC, apresenta.

Dois
lutadores diferentes no octógono.
De um
lado, com luvas verdes, paulistano de 48 anos, bilionário, piloto de rali nas
horas vagas. Apontado como o homem que reergueu um gigante. Emprestando do
próprio bolso sem fundo, R$ 135 milhões. Nos últimos meses de mandato, tem
tanto poder que fez seu sucessor, com a oposição não tendo coragem nem de
apresentar candidato. Conseguiu usar na plenitude a mais bem localizada arena
do país. Inclusive dobrando quem a construiu. Sonhando em acabar com o jejum de
22 anos de conquistas do Campeonato Brasileiro. Paaaaaaaulo de Almeida Nobre.
Do
outro lado, com luvas rubro negras. Carioca da gema, 63 anos. Ex-executivo do
BNDES. Presidente apontado como exemplo por conseguir diminuir em mais de R$
400 milhões as dívidas do clube. Usando como arma gestão moderna, transparente
e a força do clube mais popular da América Latina. Inclusive junto ao governo
federal, aos patrocinadores, à Globo. Precisa da conquista do Brasileiro de
2016 para calar críticos e provar que entende também de futebol. Eduaaaaaardo
Carvalho de Bandeira de Mello.
A luta
durará oito últimas rodadas.
O
árbitro será Marco Polo del Nero…”
Seria
ótimo essa transloucada utopia, digna do mais alto nível de jornalismo gonzo,
que os dois se enfrentassem no octógono. Fora de forma, sem excesso de proteína
e aminoácidos, não trocariam socos, joelhadas voadoras, chaves de braço,
cotoveladas. Sentariam e discutiriam sobre a guerra de influência nesta reta
final de campeonato. Com os dois clubes que comandam estando separados apenas
um ponto da liderança do Brasileiro.
Mas
não será assim. Bandeira de Mello representa cerca de 33 milhões de
flamenguistas por esse país. Paulo Nobre, perto de 12 milhões. São cerca de 55
milhões de pessoas influenciadas pelas palavras destes dois homens. Fora o
restante da população deste país.
O
duelo verbal coloca em dúvida a credibilidade do futebol.
Tudo
por causa do clássico Flamengo e Fluminense em Volta Redonda.
“O
Palmeiras não joga nos bastidores. Joga dentro de campo. Nós tínhamos ontem em
campo o trio de arbitragem mais experiente do país. E com a pressão que os
árbitros estão recebendo, mesmo um trio experiente demora 13 minutos para
decidir sobre um gol. Foram 13 minutos numa reunião de condomínio, uma
balburdia . Nunca vi aquilo. E pega muito mal isso. Você começa a colocar em
dúvida a credibilidade do campeonato.
“Senhores,
tivemos ontem no Rio o trio de arbitragem mais experiente do Brasil. Já foram
para duas Copa do Mundo. Não dava para ter arbitragem mais experiente do que a
de ontem. Mas árbitros são seres humanos e o ser humano é sujeito a pressão.
Não é possível mais aceitar esse nível de pressão que estão fazendo no
Brasileiro. Futebol se joga dentro de campo. Palmeiras foi considerado campeão
do Século 20 por jogar futebol em campo. Palmeiras tem 12 títulos nacionais
dentro de campo. Palmeiras foi rebaixado e voltou dentro de campo. Falta
vergonha na cara no futebol brasileiro.
“Ninguém
vai levar esse campeonato na mão grande.”
Quando
Paulo Nobre convoca uma coletiva e deixa nas entrelinhas que já houve
campeonatos conquistados na ‘mão grande’, tudo fica sob suspeita. O presidente
da Sociedade Esportiva Palmeiras abre brecha a um questionamento que fere quem
acredita na lisura de uma partida de futebol. Se há ‘mão grande’, porque
acompanhar o esporte de ‘cartas marcadas?’.
A
resposta de Bandeira de Mello veio pesada.
“O
que mancha a credibilidade do campeonato é a expulsão do Márcio Araújo no
primeiro tempo daquele jogo. É colocar a Mancha Verde vestida de branco,
bandidos vestidos de branco, embaixo do camarote do Flamengo. Escandaloso é
encharcar a área do goleiro do Flamengo.
“Isso
é escândalo. Vergonha na cara? Queria que ele fosse mais explícito. Gostaria
que as pessoas tivessem vergonha na cara. Gostaria também que as arbitragens
fossem imparciais, que o Flamengo não tivesse sido prejudicado da forma absurda
que foi contra o jogo contra o São Paulo.
“Não
gostaria que tivéssemos sido prejudicados no jogo contra o Palmeiras, que
jogamos parte do primeiro tempo e todo o segundo tempo sem um cara importante
que tomou dois amarelos. Não gostaria que tivéssemos sido prejudicados no
último minuto contra o Santos, com um pênalti clamoroso. Não gostaria que
tivéssemos sido prejudicados contra o Corinthians, que tivemos um jogador
massacrado no primeiro tempo e ele nem se recuperou ainda.”
Os
dois principais dirigentes das equipes, que estão em primeiro e segundo lugar
no Campeonato Nacional, deixam claro. Não acreditam que na lisura da disputa.
Isso é gravíssimo.
O
Campeonato Brasileiro já tem um nível muito baixo. Os melhores jogadores que
nasceram neste país estão na Europa há muito tempo. Nem no continente
sul-americano, os clubes daqui tem a primazia. Apesar de mais ricos. Há três
anos, não há campeões da Libertadores falando português. Em 2014 foi o
argentino San Lorenzo. Em 2015, o também argentino River Plate. E este ano, o
colombiano Atlético Nacional venceu. O pior é que o futebol brasileiro não
conseguiu nem fazer os segundos colocados nestas disputas.
Em
abril foi divulgada uma pesquisa que deveria ser levada a sério. O Instituto
Paraná Pesquisa mostrou que a maioria dos brasileiros, 19,4%, não tem time
preferido. Não torcem por nenhum. A falta de credibilidade foi um grande fator
que afasta os brasileiros do esporte.
Se os
próprios presidentes de Palmeiras e Flamengo colocam a honestidade do principal
campeonato do país em dúvida, como seguir amando, acompanhando, perdendo horas
de sono, de lazer, de trabalho assistindo futebol?
A
audiência do futebol no país caiu 22% nos últimos dez anos.
E a
CBF se cala.
Pior.
Se
nega a tomar uma atitude obrigatória.
Profissionalizar
os árbitros.
Pagar
para que se dediquem 24 horas para sua profissão.
Permitir
que o Sindicato dos Árbitros seja realmente independente.
Deixar
que a Comissão de Arbitragem saia da sede da CBF.
Tenha
vida própria.
Todos
os presidentes que passaram pela CBF nunca deixaram.
Quem
mais deveria cuidar, preservar o futebol, não age.
Incentiva
a lenta morte de sua credibilidade.
Como
estará a cabeça de duas pessoas amanhã?
O
goiano Wilton Pereira Sampaio…
E o
mineiro Igor Junio Benevuto.
Eles
apitam Internacional e Flamengo.
E
Figueirense e Palmeiras.
É
justa toda a desconfiança que estará sobre seus ombros?
Palmeirense
e flamenguistas têm todo o direito de duvidar.
De
questionar, de suspeitar.
Assim
como qualquer torcedor.
Paulo
Nobre e Bandeira de Mello deram a senha.
Questionam
o próprio título que um dos dois conquistará.
Tornam
impossível acreditar só no que acontece nos gramados.
O
campeão brasileiro ganha a taça fora dos estádios?

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