domingo, setembro 27, 2020
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Onde vamos assim?

ELEIÇÕES
FLA 2015 – “Não chora, filha, é só um
jogo, é só mais um jogo”.
“Não é nada, mãe, me deixa chorar, não é
só mais um jogo, é O JOGO, o jogo mais importante da minha vida, porque é
contra o Grêmio e porque eu entrei em campo com o time. O Flamengo não podia
perder de jeito nenhum”.
A
pequena Ágatha tem 7 anos e é a única torcedora do Flamengo em toda sua escola
em Porto Alegre. Mesmo em uma terra hostil a quem não embarca na dualidade dos
times locais e pressiona as crianças a fazerem suas escolhas, Ágatha resiste
bravamente e é do tipo que discute futebol com os meninos com mais ênfase até
do que eles mesmos. É um exemplar raro, de flamenguista que cresce na
resistência, quando o mundo ao seu redor conspira para que deixe isso para lá,
que vire colorada ou gremista, ou que vá brincar de Barbie e deixe essa
maluquice de lado.

quem é Flamengo e mora no Sul consegue ter a dimensão exata do que esse jogo
representa para nós. São meses de espera e dias de preparação. A nossa, a dos
adultos da FLA RS, é mais convencional, fazemos camisas novas, faixa nova,
alugamos transporte, marcamos churrasco, cuidamos da segurança.
A da
Ágatha foi diferente: ela passou a semana que antecede a partida provocando os
guris e as gurias gremistas do colégio, confiante em uma vitória que, afinal,
só ela, seus pais e os amigos deles acreditavam. Tirando os cerca de 1 mil
flamenguistas que enfrentaram o feriadão, o frio e o desânimo para irem ao
estádio, parecia que ninguém mais dava bola para o jogo de ontem.
Eu
postei uma foto da FLA RS indo para o estádio. Logo veio uma resposta perguntando
se eu já tinha lido o programa da Chapa Azul e o que eu tinha achado dele. Fui
olhando as pessoas que curtiam a postagem e parecia uma colagem do horroroso
terceiro uniforme do Fluminense, todos os pequenos avatares com um rodapé
colorido, seja verde, seja azul.
Mais
para o final da partida resolvi postar uma mensagem otimista, o time perdia de
1 x 0, Guerrrero já tinha sido expulso, Canteros atuava como falso atacante,
Jajá era o armador, mas eu ainda acreditava e resolvi compartilhar isso. E
parei para ler a TL. Fiquei chocado.
O jogo
era só um detalhe. Não era o Grêmio o real adversário de ontem, ao menos para a
porção mais militante do universo rubro-negro nas redes sociais. O verdadeiro
oponente era a facção rival na política rubro-negra. A derrota, inclusive,
parecia cair como uma luva para os que queriam atacar a diretoria. Gozavam e
ironizavam a derrota até mais do que os gremistas.
Essa
gente, convenhamos, está vivendo em um universo paralelo. Se o Flamengo está
mal – e ele realmente está – é uma sequência de 4 temporadas terríveis no
Campeonato Brasileiro, com a colaboração inequívoca de todos os que agora se
lançam como candidatos para o próximo triênio.
Parece
que todos perdemos a alma de torcedor. Só a política importa. E eu me incluo
nesse pecado coletivo, afinal estou aqui, escrevendo em um espaço dedicado à
temática eleitoral, que consome a nossa energia.
Mas
quando a coisa assume proporções onde as pessoas vão além das preferências e
passam a ignorar que, acima de tudo, há o Flamengo, que seja como for, seguirá
grande e poderoso, como sempre foi e sempre será, é o caso de parar e perguntar
onde essa destilação de ódio vai nos levar.
Cada
um de nós deve se inspirar na Ágatha e seus 7 anos de muita sabedoria. Quando o
Flamengo perde, a gente fica triste, a gente fica com raiva, a gente fica até
com o senso crítico mais aguçado. Mas não é apontando o dedo para outros
flamenguistas que vamos sair dessa lama. Muito menos sendo sarcástico com o
time.
Nas
últimas 20 temporadas do Campeonato Brasileiro, só ficamos entre os 5 primeiros
em 4 edições. Nossos fracassos são uma realidade tão cruel quanto recorrente.
Melhor do que tentar encontrar um salvador da pátria ou um bode expiatório é
pensar que, unidos, temos mais chances de sair desse atoleiro duradouro.
Hoje
pela manhã, a primeira coisa que fiz foi ligar para o pai da Ágatha e perguntar
como ela estava. Estava dormindo, porque só conseguiu dormir às 2h30min da
madrugada, ainda abalada com o resultado da partida. E foi a tristeza dela que
me deu a certeza de que, sim, um dia vamos virar esse jogo. Ainda há quem sofra
com as derrotas ou vibre com as vitórias sem que isso seja um palanque.
É a
alma rubro-negra da Ágatha que anda em falta. Vamos em busca dela.
MAGIA
NELES!
Walter
Monteiro

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