sábado, setembro 19, 2020
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Opositor da diretoria do Fla pode ser suspenso por um ano.

Bastidores
F.C. – Um dos líderes da oposição no Flamengo, Gonçalo Veronese, que é
procurador federal, pode sofrer uma pesada punição no próximo dia 7, quando
será julgado em plenário do Conselho Deliberativo por suposto vazamento de
documentos do clube para um jornalista. A comissão de inquérito encarregada do
caso recomenda, em seu relatório, 360 dias de suspensão. Veronese nega o
vazamento e promete brigar na Justiça para manter sua candidatura à presidência
do clube para a eleição no fim deste ano.
O
opositor faz parte do Fla-Tradição, mesmo grupo de Leonardo Ribeiro, ou Capitão
Léo, que também deverá ter recurso no Deliberativo julgado no fim do mês e
corre risco de exclusão. O plano de Veronese é lançar sua candidatura no
próximo dia 13.
Apesar
de, nesta quinta-feira, só estar em discussão o suposto vazamento de um
documento para a imprensa, a situação do conselheiro no clube pode ficar ainda
pior. Há uma acusação de adulteração de documento feita com base em uma análise
do perito José Carlos Grottgtroy Ferreira. O carimbo do documento supostamente
vazado por Veronese teria sido trocado de lado de forma a evitar a comprovação
do vazamento. Esta infração poderia, se comprovada, eliminar Veronese do quadro
social.
O conselheiro
não nega que tenha havido adulteração, afirma que chegou a avisar a comissão
deste fato, mas ressalta que o documento que possui é autenticado em cartório e
possui fé pública, ao contrário do documento publicado na reportagem que
motivou a ação. Veronese afirma que se trata de um procedimento político para
expulsar a oposição do clube. Por isso, diz que já entrou em contato com um
advogado para iniciar o processo judicial.
– Já
contratei um advogado. Eles ainda me acusam de falsificar um documento meu. Na
verdade, o documento que apresentei como prova foi registrado em cartório,
autenticado e tem fé pública. O verdadeiro é o meu. Se alguém vazou um
documentou, mudou carimbo… Eu mesmo falei isso no inquérito, que o teor é o
mesmo, mas o carimbo está do outro lado. Se alguém fez isso, não fui eu. Por
que, se o meu é o que está autenticado? O jornalista disse que não fui eu.
Lógico que alguém adulterou e mandou. Eu fiz 35 petições ao Conselho
Deliberativo e ao Conselho Diretor. Por que só vazou essa? Por que então não
vazou tudo? Isso é claramente problema político. O que vai acontecer, já está
acontecendo. O Paulo César Ferreira (conselheiro de oposição) também foi punido
por 360 dias, mas já conseguiu liminar derrubando a votação. Também não tinha nada
a ver. Eles inventam as coisas e vira verdade dentro do Flamengo – defendeu-se
o conselheiro.
Questionado
sobre quais providências tomará para anular uma possível punição, Veronese
explicou:
– Não
só isso (ação contra a suspensão de 360 dias), vou entrar com processo criminal
de calúnia contra quem me acusou de ter falsificado, adulterado, seja lá o que
for, um documento meu. Eles estão me acusando de um crime. Só aí já há uma
irregularidade jurídica. Quem define o que é crime não é o Flamengo, é o
Judiciário. Mas se eu cometesse um crime, quem teria de definir como crime é
delegacia, Ministério Público e Judiciário. O objetivo dele é expulsar todos os
membros da oposição.
A
comissão de inquérito tem Alan Flávio da Fonseca Moraes como relator e o
desembargador federal do Trabalho José da Fonseca Martins Júnior como
presidente. Os demais membros são Marco Aurélio Asseff, Youri Saramago de
Araújo Pugliese (neto do advogado Clóvis Sahione, que foi apoiado por Veronese
quando se candidatou à presidência do clube), e Rafael Barroso Fontelles. A
recomendação da pena de 360 se deu por unanimidade.
O blog
teve acesso ao parecer, que recomenda também a abertura de nova comissão de
inquérito para apuração da possível falsificação de documento. O texto do
parecer diz ainda que o presidente do Conselho Deliberativo, Rodrigo Dunshee de
Abranches, deve tomar as “providências cabíveis” junto à Corregedoria
Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e ao Ministério Público
Estadual.
Veja alguns trechos do parecer da comissão
de inquérito:
“Ao
buscar a via do documento pertencente ao CRF constatou-se que na mesma o
carimbo fora posicionado no lado direito, contudo, em inspeção visual fora
observado que a grafia do seu preenchimento era totalmente incompatível com a
do documento publicado.
Indagado
sobre a via original do documento o associado Gonçalo Veronese Moniz Vianna
informou que a havia perdido e só lhe restou duas cópias autenticadas.
Por esta
razão os membros da comissão de inquérito deliberaram e decidiram promover a
contratação de um perito grafotécnico para averiguar de qual via fora extraída
a cópia utilizada na publicação, se na via pertencente ao associado ou na
pertencente ao CRF. (…)
No
laudo pericial foi concluído que o documento publicado não fora extraído da via
original do CRF pois em várias partes do carimbo há divergências entre letras e
números que descartam se tratar de documentos idênticos.
Fora
constatado ainda que o documento publicado possui apenas duas diferenças com o
documento apresentado pelo Associado, quais sejam, o fato de estar rubricado em
todas as folhas e a posição do carimbo no papel, vez que a grafia do conteúdo
dos dois carimbos era fielmente idêntica.
Obedecendo
os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e do
contraditório, o Associado foi notificado para manifestar-se sobre o laudo,
contudo, quedou-se inerte”.
Em
outro trecho, a comissão de inquérito diz que o depoimento do jornalista é de
“baixa confiabilidade” e que o conselheiro tentou ludibriar o
conselho:
“Desta
forma, diante da manifestação escrita do jornalista de que não teria sido o
associado a fonte direta que lhe forneceu a informação, prova esta de baixa
confiabilidade face o direito constitucional estabelecido para preservar a
profissão do jornalista, fora produzida prova técnica para dirimir qualquer
dúvida, sendo atestado que o documento distribuído à imprensa fora efetivamente
extraído da via do associado e não da via do Clube, sendo posteriormente
promovidas modificações. (…)
O r.
laudo do Ilmo. Perito contratado indica que o documento publicado e a cópia
autenticada da via do associado apresentada junto com sua defesa foram
extraídos do mesmo original, qual seja, a via original pertencente ao
associado.
Verifica-se
portanto que o associado Gonçalo Veronese Moniz Vianna tentou deliberadamente
ludibriar a comissão de inquérito constituída para servir a este E. Conselho e
consequentemente tentou ludibriar este próprio conselho com fito de esquivar-se
de sansão possivelmente imposta”.

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