Organizada do Flamengo paga R$ 10 para ter prioridade no ingresso.

Eduardo Bandeira, Presidente do Flamengo, com integrantes da torcida Organizada Urubuzada – Foto: Gilvan de Souza

UOL: A
estreia do Flamengo em seu novo estádio na Ilha do Governador, nesta
quarta-feira (14), marcará mais um episódio da difícil luta de torcedores por
acesso ao setor popular das arquibancadas rubro-negras. Uma fatia dos
flamenguistas, no entanto, não vem encontrando problemas para garantir o seu
lugar: os integrantes das torcidas organizadas.

Com um
plano especial, membros das facções Raça Rubro-Negra, Fla Manguaça e Urubuzada
têm ao menos 800 ingressos por jogo garantidos para o disputado setor Norte – o
mais barato (R$ 208 no pacote de três jogos) do estádio, com capacidade para
4.600 torcedores.
Os
organizados fazem parte de um plano chamado “corporativo”, modalidade
de sócio-torcedor que, em tese, permite que empresas garantam ingressos mais
baratos aos seus funcionários. Na prática, porém, as torcidas rubro-negras são
as únicas cadastradas no plano, que foi anunciado discretamente e nem sequer é
citado no site do clube.
Enquanto
isso, o torcedor comum que deseja participar do programa de sócio-torcedor
precisa se enquadrar em modalidades pré-definidas. Ele pode pagar de R$ 29,90 a
R$ 199,90 por mês para entrar em uma das sete categorias. Só a mais cara delas,
porém, tem o mesmo privilégio de compra dos organizados.
Mensalidade de R$ 10
No
chamado “plano corporativo”, integrantes das três organizadas pagam o
valor de R$ 10 ao mês e garantem presença na primeira linha de prioridade de
vendas (semelhante àquela dos torcedores comuns que desembolsam R$ 200 por mês
no plano “+Paixão”, o mais caro).
A
prioridade diante de um valor tão menor incomoda torcedores comuns, que pagam
até mais na mensalidade do sócio-torcedor e não conseguiram adquirir ingressos
para o setor Norte no jogo desta quarta, contra a Ponte Preta.
“É
complicado pagar R$ 70 por mês, investir em uma categoria acima do plano mais
popular para ter a prioridade na venda, e não ter acesso ao ingresso mais
barato. Fica difícil entender qual o benefício para o torcedor comum, aquele
que é o grosso do plano de sócio-torcedor”, analisou o economista
Alexandre Padilha, de 44 anos, adepto do plano “Raça+”, que acabou
desembolsando R$ 400 para acompanhar os próximos três jogos no setor Oeste.
O
Flamengo não foge da polêmica e admite internamente que o caso é delicado, mas
entende que a viabilização de um plano deste modelo mantém uma relação
transparente com as torcidas organizadas – sem distribuição de ingressos,
acabando com a farra de cambismo de outros tempos.
“Em
2015 o Flamengo lançou uma categoria de ST corporativo, grupos com 20 membros,
no mínimo, que pagam valores fixos mensais e não têm nenhum outro benefício do
programa além da compra antecipada de ingressos para apenas um setor do estádio
em que o Flamengo é mandante (no caso do Maracanã e da Ilha, é o setor Norte).
Essas empresas, entre elas torcidas organizadas associadas ao projeto, são
obrigadas a comprar uma quantidade mínima de ingressos por jogo durante todo o
ano, caso contrário perdem o direito ao benefício. Todos os seus membros
possuem cartão ingresso nominal com dados cadastrais”, explicou o clube,
reforçando o controle sobre os integrantes das torcidas, em nota enviada à
reportagem do UOL Esporte pela assessoria de imprensa.
“Existem
regras rígidas para todos os requisitos do contrato, que foi aprovado pelo CODI
[Conselho Diretor]. Dentre elas, além da quantidade mínima de ingressos para
cada jogo, o plano ST corporativo exige que se pague uma mensalidade fixa para
a empresa fazer parte da categoria. Existe também um limite máximo de planos
permitidos”, reforçou o Flamengo.
Questionado
se não enxergava um privilégio a integrantes de organizadas em detrimento de
torcedores comuns, o Flamengo disse que “acredita que é justo, existe um
compromisso de presença dessas pessoas. No fim das contas, acreditamos que fica
‘pau a pau’ com quem paga e não necessariamente vai a todos os jogos”.
E o
prejuízo aos torcedores comuns poderia ser ainda maior, uma vez que a carga de
800 ingressos para as organizadas já significa uma redução. A facção Torcida
Jovem do Flamengo chegou a fazer parte do plano corporativo, mas foi retirada
após ser suspensa dos estádios pelo Ministério Público.

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