terça-feira, setembro 22, 2020
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Orgulhoso, Eduardo Bandeira destaca transparência no Flamengo.

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Divulgação

UNIVERSIDADE
DO FUTEBOL
: “Temos uma responsabilidade muito grande e não podemos decepcionar
a Nação. Terminamos o Brasileiro como o quarto time do Rio de Janeiro e eu
sofri muito com o fantasma da segunda divisão. Só que fora de campo os
problemas são mais preocupantes. Temos uma fama de um clube mau pagador, que
desrespeita contratos, que não tem transparência e responsabilidade
”.

Desde
o discurso de posse como presidente do Clube de Regatas Flamengo, o
administrador e funcionário público de carreira do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eduardo Bandeira de Melo, mostrou a
que veio.
Longe
das demagogias dos cartolas tradicionais, o mandatário rubronegro destacou no
seu primeiro pronunciamento presidencial o foco na reestruturação da gestão do
clube com seriedade e transparência.
Liderando
um time de executivos de sucesso, Bandeira de Melo e sua diretoria
reconstruíram a credibilidade do clube de maior torcida do mundo. O Flamengo
virou destaque nas manchetes como exemplo de gestão.
Em
apenas três anos, Bandeira de Melo iniciou uma revolução administrativa no
Flamengo e quebrou paradigmas. Foi protagonista na tramitação da Lei do Profut
no Congresso Nacional, no enfrentamento à Federação Estadual do Rio de Janeiro,
na criação da Primeira Liga e nada indica que ele pare por aqui. O presidente
do Flamengo quer colaborar na reforma geral do futebol brasileiro.
Apresentou-se
aos grupos de trabalho do Comitê de Reformas da CBF para defender as propostas
da Primeira Liga e do Flamengo. E está disposto a colaborar na elaboração de um
Plano Diretor de Desenvolvimento do Futebol Brasileiro, um projeto ousado que
pretende apontar diretrizes modernizantes para serem executadas durante os
próximos dez anos.
Em
2015, o Flamengo teve um superávit de R$ 115 milhões. Quando assumiu o clube, a
dívida atingia R$ 750 milhões. Sob seu comando, o clube ainda conquistou uma
Copa do Brasil (2013), um Campeonato Carioca (2014) e a tradicional Copa São
Paulo de Futebol Júnior (2016).
Com
cerca de 60% dos votos foi reconduzido a novo mandato em dezembro de 2015. Leia
a entrevista de fôlego e exclusiva concedida à Universidade do Futebol, em que
o presidente do Flamengo fala sobre gestão, cobranças por resultados de campo,
relação com a FERJ, crise da CBF, Primeira Liga e seu otimismo em relação ao
futuro do futebol brasileiro.
Universidade do Futebol – Como foi a sua
entrada no mundo do futebol?
Eduardo
Bandeira de Melo – Em 2012, uma quantidade grande de rubronegros insatisfeitos
com os rumos que o Flamengo tinha tomado e a situação que o clube vinha
enfrentando naquela época, resolveu participar mais ativamente da vida política
do clube e isso acabou desaguando numa candidatura à Presidência. Como tinham
alguns amigos envolvidos nesse grupo, eu fui junto. A princípio a candidatura
não seria a minha, mas a pessoa que seria o candidato na época não tinha
condições estatutárias para concorrer, eu assumi a candidatura como um plano B.
De uma hora para outra a minha vida virou ao avesso, eu acabei virando
presidente. O primeiro cargo que eu exerci no Flamengo foi o de Presidente.
(risos)
UdoF – Quais os principais desafios o
senhor encontrou ao assumir a Presidência do Flamengo?
Bandeira
– O que saltava aos olhos na época era a situação financeira caótica, a crise
de credibilidade. Ninguém acreditava no que o Flamengo dizia, até com uma certa
razão. O Flamengo desenvolveu uma fama de mau pagador, a de um clube que não
cumpria os seus compromissos. Nós chegamos, fizemos uma auditoria da dívida,
chegamos à conclusão de que estávamos devendo R$ 750 milhões, com uma conta de
apropriação indébita e sonegação enormes também, com as receitas todas
penhoradas. Esse foi primeiro problema que a gente teve que enfrentar.
UdoF – Como foi a reação da torcida às
primeiras medidas do seu plano de gestão?
Bandeira
– Nosso discurso de responsabilidade foi comprado pela torcida imediatamente.
Eu sempre conto a história do dia que, uma semana depois da gente ter assumido
o Flamengo, tendo que cortar os gastos de maneira dramática, a primeira solução
– que não tinha outra – era se desfazer do maior jogador do elenco naquele
momento, o Vagner Love. Fechamos a volta dele pra Rússia e nos livramos de um
pagamento de 6 milhões de euros que a gente ainda devia pro CSKA e tiramos R$ 1
milhão por mês do nosso fluxo de caixa.
Fechamos
a saída do Vagner Love num sábado. No domingo, eu acreditava que ainda era um
ilustre desconhecido, estava no supermercado, empurrando meu carrinho, quando
um rapaz de 3 metros de altura por 2 de largura se dirigiu a mim: “Presidente,
o senhor vendeu o Vagner Love…”. Pensei: “acho que vou morrer aqui”. Já tava me
preparando para o pior e ele continua: “Fez muito bem, a gente não podia
continuar pagando tudo aquilo…” Aí eu comecei a ver que a torcida começava a
comprar a nossa briga por uma postura mais responsável.
UdoF – O resultado do pleito que lhe
reelegeu aparenta uma diminuição da pressão política interna do clube. Como o
senhor avalia essa questão?
Bandeira
– Diminuiu muito (a pressão). Inclusive nessa campanha da reeleição nosso maior
adversário era uma chapa composta por pessoas originalmente do nosso grupo. Se
não houvesse a dissidência talvez tivéssemos vencido por 80% dos votos.
Acabamos ganhando com 60% dos votos. 30% para o segundo colocado e 10% para o grupo
que representa o Flamengo de antigamente.
UdoF – Como o senhor consegue equilibrar a
pressão da torcida e da imprensa por resultados de campo, para poder manter a
coerência do seu plano de gestão?
Bandeira
– Claro que não é fácil administrar o Flamengo e nem sofrer pressão. A
facilidade que eu vejo é que não tem nenhum outro caminho possível. Eu não vou
marcar a minha passagem pelo Flamengo pela irresponsabilidade. O único caminho
que temos é esse, você trabalhar para construir uma estrutura que permita o
Flamengo ganhar tudo no longo prazo, mas no curto prazo nós temos que sofrer um
pouco. Isso fez parte do meu discurso de posse.
No dia
que eu tomei posse, foi à noite lá na sede da Gávea, sete e meia, oito horas da
noite. Às cinco horas eu estava na Procuradoria da Fazenda Nacional, no centro
do Rio, para tentar avaliar o tamanho da encrenca. Naquele momento eu vi o que
a gente tinha de apropriação indébita e o porquê das nossas contas estarem
sendo penhoradas.
Nós
íamos assinar o contrato com a Adidas e íamos separar uma parte do dinheiro
para reforçar o time. Era o Montillo na época. “Esquece o Montillo, esquece
qualquer reforço, nós vamos pagar essas contas atrasadas com todo o dinheiro
que a gente tiver”. E assim eu tornei meu discurso de posse ainda mais
cáustico, dramático. Eu falei: “não tem outro jeito, vamos sacrificar os
objetivos esportivos e sociais para poder recuperar a credibilidade do clube”.
UdoF – O senhor enxerga alguma referência
no futebol brasileiro ou de fora do país, que lhe inspire ou que lhe sirva como
modelo de gestão, mesmo que parcialmente?
Bandeira
– Não no futebol. A minha vida foi sempre no setor público. Sou filho e neto de
funcionários públicos. E essa coisa da responsabilidade sempre foi uma coisa
muito presente para mim desde garoto. Não sou só eu. As pessoas que tavam
comigo nesta empreitada, todos também vindo do setor privado, com
responsabilidade, com nome a zelar. A gente não ia admitir fazer mais do mesmo.
Mesmo todo mundo sendo Flamengo doente, a gente tem certeza que o único caminho
para o Flamengo chegar numa situação que todo mundo espera é através da
responsabilidade, da competência e da recuperação da credibilidade do clube.
UdoF – Qual, na sua opinião, deveria ser o
papel da Federação Estadual do Rio de Janeiro (FERJ)?
Bandeira
– Considerando que existe a FERJ – embora eu não veja necessidade do futebol
estar estruturado em Confederação e Federações, isso poderia ser revisto –
existem federações que exercem um papel interessante no futebol brasileiro.
A FERJ
deveria ser uma entidade de promoção do futebol carioca, zelar pelo interesse
dos clubes. Agora, a gente vê que a realidade é muito longe disso. O futebol
carioca que já foi o futebol mais dinâmico e atrativo do futebol brasileiro,
hoje está num processo de decadência, não só técnica como financeira.
UdoF – O senhor defende o fim dos
campeonatos estaduais? Como o senhor avalia a situação dos clubes pequenos?
Bandeira
– Eu não sou favorável ao fim dos Estaduais, eles têm um papel que deve ser
preservado. Agora, acho que eles devem ser organizados de forma mais atrativa
tanto técnica, quanto economicamente. Não dá pra você ter um campeonato
estadual com 19 datas e jogar várias vezes contra clubes que não sabem o que
que estão fazendo no campeonato.
Os
times pequenos cariocas já foram celeiros de craques como os times grandes,
tiveram um papel muito mais ativo e produtivo no futebol carioca. Quando eu era
pequeno o futebol carioca tinha seis clubes grandes, além dos quatro atuais
tinha o Bangu e o América que eram clubes grandes, que disputavam os títulos. E
eu lembro de vários times competitivos do Olaria, do Bonsucesso, do Madureira.
Então a partir do momento que o futebol carioca foi perdendo prestígio e foi se
deteriorando técnica e financeiramente, isso não se refletiu só nos clubes
grandes, mas nos pequenos também.
Os
clubes pequenos têm o seu papel, mas isso tem que ser combinado com o
calendário do futebol brasileiro como um todo, em que você pode e deve ter um
campeonato nacional atrativo, pode ter copas regionais como a que estamos
promovendo na Primeira Liga, que podem conviver com os campeonatos estaduais.
UdoF – Por que o Flamengo aderiu e dá
suporte à Primeira Liga?
Bandeira
– A Primeira Liga é um movimento que surgiu espontaneamente a partir da
insatisfação dos clubes com seus campeonatos estaduais. A briga do Flamengo com
a Federação do Rio todo mundo acompanhou – aquelas baixarias que aconteceram no
Conselho Arbitral em janeiro de 2015 – resultaram numa postura do Flamengo que,
a princípio, definiu por não participar do campeonato carioca com seu time
principal. Depois, por pressão da detentora dos direitos de televisão, nós
entendemos perfeitamente e resolvemos voltar atrás.
A
insatisfação do Flamengo e do Fluminense se juntou à insatisfação de clubes de
outros quatro estados brasileiros e resolvemos promover a Copa da Primeira
Liga.

Com
todas as confusões que vocês presenciaram, eu acho que de uma maneira geral nós
estamos nos saindo bem. A Copa da Primeira Liga 2016, ainda que em caráter
experimental, vai servir para que a gente possa ter um produto atrativo para os
anos posteriores que possam preencher o vazio do primeiro quadrimestre do ano.
UdoF – O senhor acredita que a Primeira
Liga pode originar a liga nacional de clubes?
Bandeira
– A liga nacional de clubes pode acontecer, não necessariamente no ano que vem
ou no ano posterior. Acredito que ela não precisa ser fruto do confronto ou de
hostilidades. Acho que pode ser um processo harmônico.
Quando
a gente fala de liga nacional por trás disso tem só o interesse dos clubes de
participarem mais das decisões que dizem respeito a eles próprios. Então, você
organizar o calendário do futebol brasileiro com participação dos clubes, você
organizar um campeonato em que os clubes sejam os protagonistas e os tomadores
de decisões, isso é o que todo mundo quer. Essa Liga pode conviver até com a
CBF, ou com a sucessora da CBF, a entidade de administração do futebol
brasileiro. Tudo é questão de diálogo entre pessoas bem-intencionadas. Havendo
pessoas bem-intencionadas e havendo diálogo a gente chega numa fórmula
interessante.
UdoF – Como o senhor avalia a
possibilidade de clubes paulistas aderirem a Primeira Liga? Esse é um dos
objetivos da sua gestão à frente do Flamengo, ajudar a construir uma liga
nacional de clubes?
Bandeira
– O objetivo é tentar melhorar o futebol brasileiro. Para ser bem objetivo eu
não vejo como os clubes paulistas possam participar da Primeira Liga no curto
prazo, porque eles já têm um contrato de televisão longo, assinado há pouco
tempo.
O
futebol paulista a gente tem que reconhecer que é um futebol dinâmico e
atrativo. O campeonato paulista é, individualmente, o mais atrativo econômica e
tecnicamente de todos os campeonatos estaduais.
Num
primeiro momento nós vamos trabalhar com a Primeira Liga para torná-la cada vez
mais dinâmica, cada vez mais atrativa e, quem sabe no futuro, se houver uma
convergência, ver se a gente pode incorporar os clubes paulistas e tentar fazer
uma coisa estruturada para o ano inteiro.
UdoF – Como o senhor avalia a crise da
CBF?
Bandeira
– É uma crise do futebol mundial e que o futebol brasileiro não é uma exceção.
Se você comparar a CBF com a Federação do Rio ela até é uma entidade exemplar –
qualquer entidade comparada a Federação do Rio é uma entidade exemplar.
A CBF
tinha todas as condições para iniciar um processo de modernização e que pudesse
levar a uma nova CBF. Acredito até que existem iniciativas internas que tem
esse objetivo. Mas essas iniciativas sempre tem esbarrado em pressões, como as
recentes da Federação do Rio, que levam a CBF para o lado contrário ao das boas
causas. Eu tinha muita esperança de que ela pudesse se juntar ao Flamengo e aos
clubes no sentido de tentar fazer o futebol brasileiro cada vez melhor.
UdoF – Qual sua opinião sobre o Comitê de
Reformas da CBF?
Bandeira
– Mais uma iniciativa que no papel parece interessante. Se o que for proposto
no Comitê servir efetivamente para reformar, eu acho que vai ser bom. O
Flamengo não participa do Comitê de Reformas, não foi convidado, mas nós fomos
convidados a indicar representantes para os grupos de trabalho.
Nos
grupos de trabalho pode surgir alguma ideia interessante. Eu gostaria muito que
as ideias interessantes fossem implementadas. Por exemplo, o Flamengo deu uma
sugestão para melhorar o nível das arbitragens do futebol brasileiro, foi muito
bem recebida, mas até agora não tive notícia sobre se ela será ou não
implementada.
Fizemos
uma série de sugestões que entregamos por escrito, por ocasião da eleição do
atual presidente e estamos na expectativa. Eu sei que a CBF está implantando –
ou pelo menos contratou a implantação – de um sistema de governança corporativa
coordenado por uma empresa de auditoria de nível internacional, que pode render
bons frutos, mas se houver vontade política. Isso que muitas vezes falta,
aquela vontade política para empurrar a bola para dentro.
UdoF – A Primeira Liga foi convidada a
participar do Comitê de Reformas?
Bandeira
– Não.
UdoF – A Primeira Liga apresentou 10
pontos como sugestão para a reforma do Futebol Brasileiro. Como a Primeira Liga
se mobilizará para que suas propostas se tornarem realidade no Comitê de
Reformas e na Assembleia Administrativa da CBF, órgão que vota a mudança de
estatuto?
Bandeira
– Eu não sei se os clubes poderão participar da Assembleia Administrativa,
existe essa dúvida ainda, se os clubes estão dentro ou estão fora. Eu, lendo a
legislação, entendo que estão dentro. Não sou advogado, mas para mim é o que
está escrito lá.
Acho
que a participação nos grupos de trabalho podem levar à proposição de vários
dos pontos que estão elencados no documento da Primeira Liga. Tudo isso pode
ser feito com diálogo.
Eu não
estou defendendo rompimento, ao contrário da FERJ, que desrespeitou o Flamengo.
Na CBF a gente simplesmente não tem sido atendido na hora que as coisas estão
para acontecer, mas vou defender o diálogo até o último momento. Apesar da
gente não estar participando do Conselho, indicamos representantes para os
grupos de trabalho e vamos ver como esses assuntos são endereçados.
UdoF – O senhor acredita que é possível
fazer o futebol brasileiro evoluir nos próximos anos?
Bandeira
– Tem que ter esperança. Todo mundo é a favor, quase todo mundo é a favor.
UdoF – Vemos o esforço do seu grupo de
fazer uma gestão séria, que dê saúde ao clube. Na sua visão há possibilidade de
se consolidar esse crescimento do clube sem que toda a cadeia produtiva esteja
também sendo oxigenada, a exemplo do próprio Flamengo?
Bandeira
– O ideal seria que todos os clubes embarcassem nesse mesmo caminho. Seria bom
para o futebol e a gente conseguiria chegar a um resultado interessante mais
rápido. A responsabilidade é o único caminho possível. Quem não seguir, acho
que vai se dar mal. A própria Lei do Profut [que refinanciou a dívida dos
clubes com a União com exigências de contrapartidas de transparência e
responsabilidade fiscal] já estabelece uma série de sanções para quem não andar
na linha. Talvez alguns clubes não tenham acordado para isso ainda mas acho que
vão ter que acordar.
Não
apenas a legislação. Hoje já tem iniciativas como o Pacto pelo Esporte, por
exemplo, que estabelece um conjunto de princípios e valores definido por 3
ONGs, que já foi adotado por mais de 20 grandes empresas brasileiras, que dizem
“nós só vamos apoiar via patrocínio, via apoio financeiro – tem alguns bancos
entre os 20 – os clubes e entidades de administração do esporte que seguirem
esse conjunto de princípios”. O Flamengo, com orgulho, já pode dizer que ele
cumpre todos eles, atestado inclusive pela própria Ernst & Young, que é uma
das empresas que participa do Pacto.
Acredito
que no futuro só vai conseguir patrocínio e apoio de qualquer natureza quem
tiver andando na linha, seja pela via legal, seja pela via da linha que as
empresas estão adotando para evitar o risco reputacional. Ninguém vai querer
associar a sua marca a um clube, a uma federação ou a uma confederação que não
adere a boas práticas de governança, transparência. Ninguém vai querer seu nome
ligado a escândalo. Já estamos vendo isso na FIFA, na própria CBF e, com
certeza, vamos ver nos clubes. O ideal seria que todo mundo caminhasse na mesma
rota, mas quem não enxergar isso vai ficar para trás.
UdoF – Está crescendo no Brasil, na
comunidade do futebol, um movimento que a Universidade do Futebol está
articulando, com a ideia de construir um Plano Diretor de Desenvolvimento para
o Futebol Brasileiro. A ideia é apresentar diretrizes para serem executadas nos
próximos dez anos, com metas de curto, médio e longo prazo, para que o futebol
brasileiro retome seu protagonismo o cenário mundial. Não se trata de criar oposição
à CBF, mas trazer uma proposta que tenha autoridade e independência para poder
propor realmente mudanças no futebol brasileiro. Qual sua opinião sobre isso?
Bandeira
– Eu acho ótimo. Vamos gostar muito de participar desse processo. O Flamengo
vai sempre aderir as boas iniciativas, vai participar de qualquer movimento no
sentido de transformar o futebol. A nossa linha no Profut foi mais ou menos
essa. É claro que a gente tinha um interesse próprio de ver a nossa dívida
refinanciada, as contrapartidas todas a gente já cumpria como questão de
princípio. O Profut não é a redenção, longe disso, mas foi um excelente ponto
de partida para gente mudar o futebol brasileiro. E depois do ponto de partida
a gente tem que tomar uma série de outras medidas e nessa linha a Universidade
do Futebol pode contar com o Flamengo.

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