domingo, setembro 20, 2020
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Os efeitos no Futebol da desvalorização do Real.

O
GLOBO – Sistema criado pela Fifa para monitorar e auxiliar na regulação das
transferências de jogadores, o TMS — Transfers Matching System — tem dados
reveladores: não há país do mundo com mais jogadores envolvidos em negociações
do que o Brasil. Entre 2011 e 2014, os clubes do país fizeram 5.003
transferências internacionais. Para que se tenha ideia, os ingleses, em segundo
na lista, realizaram 3.469 negociações. Foram 2.692 entradas de jogadores no
Brasil e 2.311 saídas. Uma tendência que, para especialistas, deve se inverter.
Importar ficará mais difícil. O vilão da história é a desvalorização do real.

O futebol
não ficará imune à nova realidade cambial, com a desvalorização do real frente
ao dólar e ao euro. Para especialistas no mercado, repatriar ficará mais
difícil e as propostas para os atletas brasileiros se tornarão cada vez mais
atraentes.
O TMS
já revelava, em 2014, uma queda de 22% nas importações de jogadores em
comparação com o ano anterior. No entanto, o número era atribuído à redução de
investimentos dos clubes brasileiros. Nas próximas janelas, especialistas
acreditam que os efeitos do câmbio se façam sentir de forma mais clara.
Eles
alertam que não haverá grandes mudanças no topo da pirâmide. Ou seja, jogadores
que despertam a cobiça dos principais clubes do mundo sempre foram alvos de
propostas cujos valores, mesmo com a moeda mais forte, já eram irresistíveis
para os clubes do Brasil. No entanto, nos chamados “jogadores médios”, a
influência do câmbio será maior.

Houve um momento em que os salários no futebol brasileiro ficaram muito altos.
Havia jogador que pensava: “Por que vou morar longe para ganhar quase a mesma
coisa?” Hoje, um salário pago por um clube como o Benfica, na faixa de uns €60
mil, ou até uns €20 mil num clube como o Braga, passa a ser muito mais
atraente. O jogador que está no “sub-topo” terá propostas mais tentadoras —
analisa o empresário Eduardo Uram.
Para
que se tenha ideia, €60 mil equivaliam a aproximadamente R$ 180 mil em julho de
2014, ou seja, na janela de transferências do verão europeu do ano passado.
Hoje, tal salário representaria R$ 253 mil — aumento de cerca de 40%. Uram cita
exemplos de propostas que haviam se tornado habituais para jogadores
considerados de porte médio:
— Na
época do mercado interno inflacionado e com o dólar a R$ 2, uma proposta de US$
500 mil ao ano talvez nem interessasse tanto. Quem tivesse um salário R$ 80 mil
livres no Brasil acabava ganhando o mesmo.
Advogado
especialista no mercado internacional do futebol, Marcos Motta acrescenta que,
para os clubes, o impacto promete ser menos sentido.
— Os
jogadores, em geral, já são avaliados em euro ou em dólar e têm um valor de
mercado conhecido. Poderia haver impacto em multas rescisórias para o exterior
fixadas em reais. Neste caso, a multa teria caído 25% num espaço de tempo
curto. Mas estes casos são raros — afirma Motta. — A dificuldade maior será a
repatriação de jogadores. Se o atleta fizer a conta, ele não volta. Salvo os
que vêm por uma decisão de vida, de voltar a viver no país. Caso contrário, a
perda dele será absurda. Quem não tem perda é o que consegue negociar bem. Por
exemplo, o que volta ao Brasil mantendo o salário da Europa, muitas vezes com o
clube de lá pagando uma parte do salário.
VANTAGENS E DESVANTAGENS

situações específicas em que a alta do câmbio traz benefícios, por vezes,
involuntários. São os casos de clubes que têm recebíveis em euros. O
Fluminense, por exemplo, ainda não recebeu do Roma o pagamento por Gérson. A
operação, com valor fixado em moeda estrangeira, ficou em €16 milhões e foi
anunciada no dia 5 de agosto, com o euro cotado a R$ 3,79. Hoje, a moeda vale
R$ 4,26, ou seja, 12,4% a mais. O valor do negócio já pulou de R$ 60,6 milhões
para R$ 68,1 milhões. O mesmo acontece com o Flamengo. O Al Nassr, da Arábia
Saudida, não pagou os €2,5 milhões pela compra do atacante Hernane. A venda foi
fechada em agosto de 2014. Na ocasião, a transação girava em torno de R$ 7,5
milhões. Hoje, está em R$ 10,6 milhões, sem contar os juros pelo atraso dos
árabes.
Há, no
entanto, o caso oposto. Ao contratar Marcelo Cirino, o Flamengo se comprometeu
a pagar ao fundo de investimento Doyen €3,5 milhões até dezembro de 2017, caso
os investidores não recuperem o valor gasto para tirar o atacante do
Atlético-PR. Há, ainda, juros de 10% ao ano. À época da negociação, o valor em
moeda nacional era de R$ 11,3 milhões. Hoje, está em 14,9 milhões.

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