quarta-feira, setembro 23, 2020
Início Notícias Pai do Rock in Rio pede revolução no Futebol e no Maracanã.

Pai do Rock in Rio pede revolução no Futebol e no Maracanã.

Foto: Raphael Zarko

GLOBO
ESPORTE
: Envolvido com a organização de um projeto socioambiental em Manaus
(“Amazonia Live”), de volta ao Brasil após organizar seu Rock in Rio
em Las Vegas e em Lisboa – o evento volta ao Rio em 2017 -, o empresário
Roberto Medina foi pego de surpresa com série de consultas do mundo do futebol.
Companhias interessadas em assumir o Maracanã ligaram para o pai de um dos
maiores festivais de música do mundo para buscar uma resposta: como viabilizar
o Maracanã? A Odebrecht negocia devolução do equipamento esportivo ao governo
do estado, que ainda estuda qual modelo adotar para transferir a administração
do estádio. O futuro do antigo Maior do Mundo é uma incógnita depois de brilhar
na Copa do Mundo e nas olimpíadas.

Medina
admite que foi convidado, mas antecipa que não tem intenção de participar de
administração do estádio – “quero ajudar, mas meu negócio é a música”. Ele faz
referência diretas do que conseguiu ao longo da vida no mundo do entretenimento
para provocar e pedir mudanças na forma de fazer futebol no país. O ponto de
partida para ele, como apaixonado pelo Rio de Janeiro e “mais carioca do que
brasileiro”, é o Maracanã. Os estádios vazios, a maioria dos clubes com pouco
dinheiro para investimento e a falta de credibilidade da CBF podem ser fator de
união para grande discussão do esporte número 1 do país.

Recebi algumas consultas, procura de algumas empresas, que não quero citar os
nomes, que me perguntaram se eu queria entrar no Maracanã. Disse que não vou
entrar, mas quero ajudar. Essas conversas me despertaram para o futebol. Por
que um negócio como a música é tão forte e o futebol? Se a gente não entender
isso a gente nunca vai sair do lugar. Não tem que se discutir só o Maracanã,
tem que se discutir o futebol. Se você comparar com a música, o futebol é nossa
Beyoncé, seria um Red Hot Chili Peppers e a gente não vê isso – diz o
flamenguista Roberto Medina, que compara as grandes atrações internacionais de
seus shows com o futebol. – Entendo que o futebol no Brasil é um negócio maior
que o negócio da música.
Lembrando
que o Rock in Rio é o “ingresso mais barato do Brasil para um show, com 20 e
tantas atrações num mesmo dia”, Medina se coloca contra preços direcionados
apenas às classes altas nos estádios. Defende que aqueles que podem pagar mais
subsidiem os ingressos, com melhores serviços, aos que vão pagar menos. Com
visão publicitária do negócio, lamenta que o produto futebol brasileiro não
seja bem vendido e afirma que executivos interessados em assumir o Maracanã e
os do futebol brasileiro em geral têm modelo pronto para se inspirar: o Super
Bowl americano. Para ele, a cultura do torcedor, sem costume de ver esse tipo
de espetáculo em partidas de futebol, não seria barreira.
– Não
acho que ninguém vai se incomodar pelo contrário. Primeiro, o Campeonato
Brasileiro tinha que começar com uma grande festa. Não é só para o cara que
gosta do futebol, é para todo mundo. Tem que criar valor para o futebol, para a
TV, para os clubes, para todo mundo. Temos que fazer um negócio que abra o
Maracanã às 15h, feche às 22h. Bota um jogo da seleção brasileira cada ano com
um país. Primeiro a Argentina, depois Inglaterra e por aí vai. Traz uma banda
internacional na abertura, coloca os times para desfilarem suas bandeiras, seus
jogadores. Uma coisa de gala como foi na olimpíada – imagina.
“Maracanã tem que ser de todo mundo”
No
embalo da festa olímpica – para ele, os Jogos provaram a vocação única para
grandes festas do Rio de Janeiro -, o Maracanã teria programação intensa.
Medina defende que todo recurso que o Maracanã gere seja repartido para os
clubes, com venda de naming rights, construção de shopping center, cinemas e
tudo mais que deixe o estádio – hoje, segundo destino turístico mais visitado
do Rio – como casa dos cariocas e dos turistas. A partir da bem-sucedida
experiência olímpica, ele pede reflexão para sair do ciclo vicioso atual para
um virtuoso, que mude o Maracanã, alimente os clubes, beneficie os
patrocinadores e leve na esteira o turismo nacional.

Hoje, as pessoas vão lá no Maracanã, é o terceiro destino turístico mais
visitado do Rio. E o que tem no Maracanã? Nada. Com nada lá vão mil pessoas
todo dia. Podia botar um goleiro famoso para o garoto chutar contra ele, um
museu. Tem que fazer um carnaval lá dentro. Uma ebulição permanente. Maracanã é
uma marca importante que não conseguimos usar. Uma máquina que não dá
resultado. Essa sinergia que estamos vivendo do Maracanã que precisa de uma
solução, do futebol que precisa de uma solução, na minha cabeça esse debate
precisa começar. Está na cara que o mercado de consumidor de futebol não tem
dinheiro para pagar mais e não tem volume para crescer. Tem que trazer o novo –
diz ele.
O
rubro-negro Roberto Medina recorre ao chavão “Maracanã patrimônio do povo” para
se colocar contra a cessão do estádio a Flamengo e Fluminense – que é o desejo
das diretorias dos clubes e agrada ao prefeito Eduardo Paes. A prefeitura
pretende entrar nas regras de eventual novo marco regulatório do equipamento
esportivo.
– Se o
Botafogo tem estádio, Vasco tem estádio, os que não têm ficam com fatia maior
do Maracanã. Um tem 80%, outro tem 20%, algo assim. O Maracanã é tão simbólico
que tem que ser de todo mundo – defende o criador do Rock in Rio.

Hoje, as pessoas vão lá no Maracanã, é o terceiro destino turístico mais
visitado do Rio. E o que tem no Maracanã? Nada. Com nada lá vão mil pessoas
todo dia. Podia botar um goleiro famoso para o garoto chutar contra ele, um
museu. Tem que fazer um carnaval lá dentro. Uma ebulição permanente. Maracanã é
uma marca importante que não conseguimos usar. Uma máquina que não dá
resultado. Essa sinergia que estamos vivendo do Maracanã que precisa de uma
solução, do futebol que precisa de uma solução, na minha cabeça esse debate
precisa começar. Está na cara que o mercado de consumidor de futebol não tem
dinheiro para pagar mais e não tem volume para crescer. Tem que trazer o novo –
diz ele.

MAIS LIDOS

Del Valle leva goleada e flamenguistas tiram onda; veja

A noite de libertadores da América foi com muitas emoções. No Grupo do Flamengo, o Rubro-negro conseguiu fazer um bom primeiro tempo contra o...

Pedro titular: Torcedores pedem mudança no ataque do Fla

O Flamengo jogou nesta terça-feira diante do Barcelona de Guayaquil, vencendo o jogo por 2 a 1. O confronto mostrou mais uma vez a...

Torrent desabafa após vitória do Flamengo

O Flamengo atuou na noite desta terça-feira diante do Barcelona de Guayaquil, em jogo válido pela quarta rodada da fase de grupos da Libertadores...

Jogadores comemoram vitória do Flamengo nas redes sociais

O Flamengo venceu o Barcelona de Gayaquil, na noite desta terça-feira, em jogo válido pela Libertadores da América. O Rubro-negro não fez uma das suas...