quinta-feira, outubro 1, 2020
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Palmeiras, Flamengo e a falácia do “jogar pra ganhar”.

Pará e Wellington durante Fluminense x Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

ANDRÉ
ROCHA
: Outro dia este que escreve ouviu o comentarista Alexandre Oliveira da
ESPN Brasil analisando a situação do São Paulo no programa ”Bate Bola” da
hora do almoço e concluindo que Ricardo Gomes deveria esquecer sua visão de
futebol, não pensar em jogar bem e tentar ”arrumar um jeito de ganhar”.

Obviamente
que o colega não sugeriu nada ilícito, mas o blogueiro aqui ficou imaginando,
como o Bobby no seu Fantástico Mundo, o técnico do tricolor em uma espécie de
videogame usando uma combinação de teclas, o velho ”macete”, para alterar o
placar para 1 a 0 a favor do seu time. Sem jogar.
Porque
para vencer tem que jogar. E quem joga bem normalmente está mais próximo da
vitória. A menos que o adversário faça ainda melhor. O ”jogar bonito” é outra
discussão, mais subjetiva. O que é belo para um pode ser chato e enfadonho para
outro. A Espanha campeão do mundo em 2010 é um bom exemplo dessa dicotomia.
O
debate não é novo. Por aqui se intensificou em 1994 depois da conquista do
título mundial que a seleção de 1982 não conseguiu. O trauma da derrota na
Espanha criou uma falácia de que só havia dois caminhos: jogar bem e perder ou
jogar pelo resultado e levar a taça para casa.
Como
se o time de Telê Santana abrisse mão dos dois pontos à época – e não sofresse
o terceiro gol de Paolo Rossi no Sarriá com todos os jogadores postados na
defesa – ou a seleção de Parreira não tivesse sido superior e com mais posse de
bola que todos os adversários na disputa nos Estados Unidos.
Agora
a polêmica volta com a disputa entre Palmeiras e Flamengo pela liderança do
Brasileiro. Nos últimos jogos, um discurso em comum: ”o que importa é
ganhar”. Não por acaso, o desempenho caiu. Contra América e Santa Cruz, os
dois piores times da competição, vitórias construídas sem brilho. Na última
rodada, sofrimento diante de Cruzeiro e Fluminense. O alviverde deixou dois
pontos pelo caminho.
Cuca é
uma pessoa ansiosa e passa isso para seus times, que quando estão vencendo
ficam mais à vontade e praticam um futebol mais fluido. Mas até construir a
vantagem normalmente apelam para o ”atalho” do abafa e das jogadas ensaiadas.
Como para abreviar o sofrimento.
Legítimo,
mas se demora a acontecer a tensão fica no ar. Contra o Cruzeiro de Mano
Menezes na Fonte Luminosa o gol não saiu no primeiro tempo de domínio e a
proposta de jogo degringolou na segunda etapa e Zé Roberto salvou o gol de
Robinho.
Já o
Fla de Zé Ricardo perdeu um pouco da paciência de quem prefere trocar passes e
controlar a bola. Teve menos posse que o Fluminense em Volta Redonda porque
tentou decidir mais rapidamente as jogadas. Venceu em duas falhas tricolores,
mas podia ter cedido o empate se Sandro Meira Ricci tivesse validado o gol em
impedimento de Henrique ou se Muralha não salvasse chance cristalina de
Wellington Silva no final.
Porque
jogar bem e jogar para vencer deveriam ser sinônimos. Mas o embate 1982 x 1994
não morre. Nem o título de 2002 conquistado com sete vitórias e um estilo
competitivo com momentos de beleza foi capaz de arrefecer. Nem com o exemplo
recente de Tite, que focou na melhora de desempenho da seleção e conseguiu as
quatro vitórias nas Eliminatórias que passaram longe do time de Dunga, que
priorizava resultado até em amistoso.
É
claro que todo mundo deseja a vitória. Não fosse assim, o último confronto
entre Pep Guardiola e José Mourinho não terminaria com o catalão, símbolo do
jogo vistoso, enfiando cinco na última linha de defesa no Manchester City e o
português, adepto do ”ônibus” protegendo sua meta, buscando o empate com um
United cheio de atacantes. Algo circunstancial dentro de linhas de trabalho e
pensamentos antagônicos.
O
Cruzeiro de 2003, de Vanderlei Luxemburgo e Alex foi o melhor time da era dos
pontos corridos no país. Dos 100 pontos e dos 102 gols em 46 partidas. Mas na
reta final conquistou algumas vitórias sofridas, arrancadas meio à forceps.
Quando o adversário joga a vida, o time que se destaca está mais que estudado e
é preciso marcar um gol para depois administrar os três pontos. Normal. Mas
deve ser exceção, não regra. Até porque o risco é maior.
Entre
Palmeiras e Flamengo, separados por apenas um ponto, quem voltar a olhar para o
campo e buscar melhorar o próprio jogo terá mais chances de terminar no topo.
Porque ”arrumar um jeito de ganhar” é para os medíocres. Como o São Paulo de
hoje, lutando para não cair. Como não podem ser os candidatos ao título mais
importante do país cinco vezes campeão mundial.

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