quinta-feira, outubro 1, 2020
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Patético! Ex-ator de ‘Casseta e Planeta’ critica vídeo do Flamengo.

Cláudio Manoel, ex-ator do Casseta e Planeta – Foto: Edonio Alves Nascimento

O
GLOBO
: Um torcedor do Flamengo com a mão direita coberta por uma tinta vermelha
em um ambiente escuro, sombrio. Em seguida, surgem rostos de outros torcedores.
Mãos apertam corações cenográficos, que sangram. Algumas imagens do título
mundial de 1981 aparecem. E a tinta vermelha cobre uma imagem do planeta pouco
antes do mesmo torcedor do início do filme enfiar a boca na tinta e se lambuzar
com ela. Este filme de 81 segundos, lançado no último dia 15 de março, faz
parte da campanha “Isso aqui é Flamengo!” para a campanha de
sócio-torcedor.

“O
objetivo do filme é mexer com o emocional do torcedor e despertar o amor
incondicional dele pelo clube”, afirma o vice de marketing do Flamengo, Daniel
Orlean. 

Pelos comentários nas redes sociais do clube, o trabalho recebeu muitos
elogios, mas há quem veja uma incitação à violência na maneira de explorar esse
sentimento no torcedor, ainda mais no momento em que o assunto volta à pauta,
devido à recente divulgação das imagens de prisões de integrantes da Torcida
Jovem do Flamengo depois do assassinato do botafoguense Diego dos Santos,
ocorrido em 12 de fevereiro. Tudo isso levanta discussões sobre a estética da
produção e o timing da exibição.


As
contrárias se tornaram bastante enfáticas, como a do comediante rubro-negro
Claudio Manoel, do Casseta & Planeta, que escreveu ontem no Facebook:
– Além
do ufanismo meio babaca e metido a machinho, a “peça” tem uma óbvia
associação de futebol/torcida com raiva/violência, não só no tom e conteúdo do
texto, como em várias imagens de gosto e conceito pra lá de duvidosos,
mostrando um coração sendo esmagado, um líquido vermelho que faz alusão a
sangue e o slogan escrito em chamas com também simbologia óbvia. Acho que
orgulho e paixão são uma coisa, raiva e testosterona descontrolada, outra. A
campanha visa encher os estádios com famílias ou hooligans?
O
sociólogo Maurício Murad, que estuda a violência das torcidas há quase 30 anos,
estava assistindo ao clássico Flamengo e Vasco, no último domingo, quando viu a
campanha pela primeira vez. Para ele, o futebol representa a festa, a cultura,
algo que une as pessoas, o que o leva a discordar da abordagem do vídeo:
– O
filme é todo sombrio, com uma batida de tambor, sangue… Passa a impressão de
que o futebol é uma batalha, uma guerra. O Flamengo é um clube com uma grande penetração
em todas as camadas da sociedade, é capaz de unir pessoas de diferentes
culturas, classes sociais. Ou seja, uma propaganda do Flamengo tem um
público-alvo muito plural, atinge todos os tipos de pessoas. Por isso tem que
ter um cuidado ainda maior com os símbolos que usam para despertar a paixão do
clube – diz o sociólogo.

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