quarta-feira, setembro 30, 2020
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Patrocínios da CBF crescem “um Flamengo” em 2016.

GLOBO
ESPORTE
: A crise financeira no país e no futebol passou longe dos cofres da
CBF. Com faturamento recorde, a entidade registrou em 2016 um salto de 21% nos
ganhos patrocínios: de R$ 339,6 milhões para R$ 411 milhões. Apenas o valor do
aumento, de R$ 71,4 milhões, é maior do que todo o montante arrecadado pelo
Flamengo com patrocínios no ano passado, que foi R$ 66,3. Os números estão no
balanço financeiro da CBF, que foi aprovado na última terça-feira em assembleia
com representantes de todas as federações e divulgado, na íntegra, nesta
segunda.
A
crise institucional no futebol mundial, com investigações e prisões de vários
dirigentes – incluindo o ex-presidente da CBF, José Maria Marin –, não teve
grande impacto nas finanças da entidade. Ao contrário da Fifa, que registrou prejuízo
de US$ 369 milhões, o órgão regulador do futebol no Brasil apresentou um
resultado surpreendente, que lhe permitiu aumentar em 15% o investimento nas
suas seleções e nas competições. Para o especialista em gestão esportiva da BDO
Brazil, Pedro Daniel, há um motivo principal para tal panorama: a seleção
brasileira.

Receitas da CBF desde 2009 (Foto: BDO Brazil)

– A
confederação é a dona do produto mais valorizado, que é seleção. É um produto
internacional e que vende no mundo inteiro. Estamos falando de 411 milhões em
patrocínio. Isso é receita total de um clube grande. É óbvio que o mercado está
em recessão, mas ainda assim mostra que a camisa do futebol brasileiro é muito
valorizada. O patrocínio cresceu de 340 milhões para 411. É mais do que a
receita de patrocínio do Flamengo. Eles cresceram um Flamengo – detalha Pedro.
Os
patrocínios obtidos com a Seleção representam quase 70% de todos os ganhos da
CBF. Em 2009, a entidade faturava R$ 164,9 milhões com publicidade. O valor
teve um aumento de 164% desde então. No período, o maior salto foi de 2013 para
2014, quando cresceu 29% – de R$ 278,1 milhões para R$ 359,4 milhões –,
impulsionado pela Copa. Em 2016, o bom momento da equipe comandada por Tite
ajudou.
– A
CBF se blindou da crise, mas o ponto é por que se blindou. Tem um produto que é
extremamente vendável. Não precisa de uma enorme estratégia comercial para
vender esse produto, que é a seleção brasileira. Eu imaginava que a receita não
cresceria tanto. De 2014 para 2015 não cresceu por causa da Copa. Imaginei que
o crescimento seria mais à médio prazo. Mas voltou a crescer. O que é bom,
ainda mais com a questão do campo. O time voltou a ter brilho, e qualquer marca
gosta disso. É muito propício para bons negócios – analisa Pedro Daniel.

 As despesas da CBF: grande aumento no investimento nas seleções (Foto: BDO Brazil) 

Alto investimento explica menor lucro
desde 2007
O
enorme faturamento permitiu à CBF aumentar em 14% o seu investimento nas
seleções e campeonatos que organiza: de R$ 422 milhões para R$ 480 milhões.
Nesse quesito, chama atenção o incremento no valor gastos nas seleções de base
e femininas. Em dois anos, a entidade mais que dobrou as despesas em tais
setores: passou de R$ 22,7 milhões para R$ 48,7 milhões, um aumento de 113%. Ao
mesmo tempo, reduziu as despesas administrativas e pessoais em quase R$ 58
milhões. O número indica um bom caminho para a CBF, segundo o analista Pedro
Daniel.
– Em
resumo, a CBF teve crescimento interessante de receita e com isso um aumento do
investimento no fomento ao futebol. É a sinalização positiva para o mercado. Um
ponto fundamental, está transmitindo que está investindo na base, no futebol
feminino. As empresas querem se aliar a essa marca. A gestão está evoluindo.
Não foram as despesas administrativas que diminuíram o superávit, e sim o
investimento em futebol.
    “A CBF se blindou da crise, mas o
ponto é por que se blindou. Tem um produto que é extremamente vendável. Não
precisa de uma enorme estratégia comercial para vender esse produto, que é a
seleção brasileira”, Pedro Daniel, especialista em gestão esportiva
O
aumento nos gastos com seleções e nos torneios que organiza ajuda a entender a
queda no lucro. A CBF registrou R$ 43,7 milhões de superávit, o menor valor
desde 2007, de acordo com o estudo da BDO. No entanto, o resultado não é
preocupante. O lucro acumulado nos últimos oito anos é de R$ 506,8 milhões. A
expectativa é de números maiores em 2017.
– É o
menor lucro desde 2007. Foi aumento de despesas operacionais do futebol. O
conceito de empresa privada é valorizar o ativo, mas a CBF tem caráter social.
E seus resultados indicam que está investindo em seu principal produto, que é o
futebol – define Pedro.

 Os gastos em competições: Série D é quem mais dá despesas à CBF (Foto: Reprodução/CBF) 

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