segunda-feira, setembro 21, 2020
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Paulo Cesar Vasconcellos: “A mania de atacar o sintoma”.

Olá,
Ao ver as imagens da precisa reportagem exibida pelo Fantástico na noite de domingo, Fred Luz, CEO do Flamengo, não consegue evitar o desconforto e sugere que o clube poderá jogar a temporada de 2018 fora da cidade do Rio de Janeiro, em determinadas ocasiões. Não conheço o FL pessoalmente, mas a carreira profissional antes do desembarque no Flamengo e o trabalho no clube mostram capacidade administrativa e seriedade. Mas ao admitir a impossibilidade de uma ação que evite as cenas protagonizadas por torcedores rubro-negros entre a madrugada de quarta feira e a madrugada de quinta feira – mais de 24 horas de atos criminosos -, ele, tal e qual o nosso elenco, trata do sintoma e não da doença. Sair da cidade do Rio de Janeiro, em razão da incerteza de transformar um grande jogo do clube em um espetáculo para civilizados, é evitar a busca de uma solução.
Nada garante que em outra cidade, a depender da importância do jogo, o que se viu durante 24 horas na cidade do Rio de Janeiro não vá se repetir. Está certo de que a falência da autoridade – quantas cidade no mundo tem dois ex-governadores no xilindró e outra com tornozeleira eletrônica? – no Rio de Janeiro é um abre alas para o que se viu entre as madrugadas de terça e quinta feiras. Mas virar as costas para o berço do Flamengo não é a solução. Pode ser a de caminho mais curto, como foi colocar grades nos prédios, depois câmeras, contratar segurança privada, escurecer o vidro dos carros e depois blindá-los. Todas ações atacando sintomas. Nenhuma delas a doença.
Quando os agentes envolvidos na organização de um grande jogo deixarem de praticar o jogo preferido da vida brasileira – o empurra-empurra -, a solução estará a caminho. Os clubes brasileiros precisam aprender a se conectarem com a sociedade. O Flamengo levou quatro dias para soltar uma nota sobre o fim de um processo de cessão de ingressos para determinado tipo de torcedor e ainda não conseguiu ser enfático o suficiente no repúdio ao que se viu na madrugada de quarta feira e só terminou na quinta feira. Essa indiferença dos clubes brasileiros – o Flamengo não é o único – a dialogarem com a sociedade, a mostrarem que não compactuam com determinados comportamentos nem sequer engatinha. Dentro de uma posição absolutista, alimentada pela soberba, os clubes de futebol, representados pelo dirigente da ocasião, ignoram as maneiras básicas de repúdio ao crime, a selvageria e ao banditismo. Parecem ter medo de admitir que os torcedores com desvio de caráter e conduta _ e eles existem em todos os clubes _ merecem uma condenação. Enquanto assim for – e o Brasil tem enorme dificuldade com mudança – tudo será sempre mais difícil.
Fonte: PCV/Sportv

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