terça-feira, setembro 29, 2020
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Pelaipe critica questionamentos no Flamengo sobre Muricy.

Foto: Alexandre Vidal/ Site Oficial

ESPORTE INTERATIVO: Um dos
principais dirigentes do futebol brasileiro, Paulo Pelaipe ganhou notoriedade,
especialmente, por ter montado o time do Grêmio, comandado por Mano Menezes, e
campeão da Série B em 2005 após a histórica Batalha dos Aflitos, diante do
Náutico. No entanto, a relação de Pelaipe com o Tricolor é antiga, uma vez que
na década de 70, o gaúcho de 65 anos, era o responsável por gerir o futsal do
Imortal.

Mas
foi mesmo nos gramados, ou fora dele, que Pelaipe ficou conhecido. Autêntico,
deixou de lado seus negócios pessoais para se tornar executivo de futebol
remunerado a partir de 2007. Com isso, retornou ao Grêmio em 2011 para ser o
homem forte do futebol, mas acabou por deixar o clube em 2012, após a derrota de
Paulo Odone nas eleições.
Em
2013, foi convidado por Eduardo Bandeira de Mello para ser o executivo de
futebol do Flamengo e formatou o plantel rubro-negro que acabou sendo campeão
da Copa do Brasil daquela temporada. Contudo, um ano e meio após chegar à Gávea,
Pelaipe deixou o clube e, desde então, não assumiu nenhum outro cargo oficial.
Entretanto, engana-se quem pensa que o dirigente segue afastado do futebol. Com
ampla experiência nos bastidores da bola, o gaúcho continua pesquisando e
acompanhando os principais acontecimentos do esporte. Entre os hábitos, está o
de assistir, ao vivo, todas as finais da Champions League dos últimos anos.
Em
contato exclusivo com o Esporte Interativo, Pelaipe projetou o confronto
decisivo entre Atlético de Madrid e Real Madrid, no próximo sábado (28) e
comentou sobre como a organização da UCL pode servir de modelo para o futebol
brasileiro. Além disso, até mesmo o Leicester, que foi a grande surpresa
mundial ao ganhar o título da Premier League da temporada 2015/16 com a incontestável
campanha de 38 jogos, 23 vitórias, 12 empates e somente 3 derrotas, esteve em
pauta.
“Há
dez anos no jogo entre Barcelona x Arsenal, um fato me chamou atenção, até
mesmo porque era minha primeira decisão de Champions League ao vivo. Ao final
do jogo, duas placas em formato de cheques estavam em campo para serem
entregues junto com as taças aos clubes. Uma no valor de 12,5 milhões de euros
para o vice-campeão e outra de 25 milhões de euros para o campeão. Falo de dez
anos atrás. Aí começa a diferença. Ano passado, o campeão brasileiro recebeu R$
10 milhões e o campeão da libertadores US$ 5,3 milhões. A organização do evento
(Champions League) é perfeita”.
Confira
abaixo a entrevista completa:
Você tem o hábito de assistir todas as finais
da Champions League in loco? De todas as decisões que acompanhou, consegue
relembrar e descrever quais foram os jogos mais marcantes?
Sempre
que possível procuro estar presente, pois trata-se de um jogo especial, com
atletas especiais, onde o mundo do futebol se encontra. E para quem trabalha no
meio, sempre é saudável e oportuno estar convivendo com os protagonistas deste
grandioso evento. Tive a felicidade de assistir no Stade de France (Paris), há
10 anos, Barcelona e Arsenal. Não esqueço daquele gol do Belletti pela
qualidade da jogada e finalização do lance, e por se tratar de um atleta
brasileiro que estava dando o título ao clube catalão, colocando o Barcelona no
topo da Europa. Esta foi a primeira decisão que assisti no estádio, ao lado de
George Weah, o único africano a ser escolhido o melhor jogador do mundo e bola
de ouro, e naquela oportunidade candidato a presidente da Libéria. Foi um
momento marcante. Depois assisti a outras decisões. Outro jogo marcante em que
estava presente foi Bayern de Munique e Chelsea, com o time inglês conquistando
a taça em pleno território alemão. Considero também outro grande confronto a
própria partida entre Real Madri e Atlético de Madrid realizada no estádio da
Luz, em Lisboa, que no último lance dos 90 minutos garantiu a prorrogação e
posteriormente o título para o Real.
Com isso, qual é a expectativa para a
decisão deste ano entre Real Madrid x Atlético de Madrid? Acha que há algum
favorito? Arriscaria um palpite?
São
duas escolas distintas de jogar futebol, cada um dos seus treinadores usando
estratégias muito diferentes, Zidane privilegiando a parte ofensiva, com três
atacantes, e Simeone o setor defensivo e a forte marcação, jogando com dois
atacantes e com contra-ataques em alta velocidade. Será um grande jogo e uma
grande revanche para o Atlético de Madrid, ou seja, um jogo de difícil previsão
pela qualidade das equipes.
Como você avalia a organização/execução da
Champions League e como isso poderia ser aplicado para a melhoria do calendário
e até mesmo do nível das competições nacionais?
Há dez
anos no jogo entre Barcelona e Arsenal, um fato me chamou atenção, até mesmo
porque era minha primeira decisão de Champions League ao vivo. Ao final do
jogo, duas placas em formato de cheques estavam em campo para serem entregues
junto com as taças aos clubes. Uma no valor de 12,5 milhões de euros para o
vice-campeão e outra de 25 milhões de euros para o campeão. Falo de dez anos
atrás. Aí começa a diferença. Ano passado, o campeão brasileiro recebeu R$10
milhões e o campeão da libertadores US$5,3 milhões. A organização do evento
(Champions League) é perfeita. Chego no estádio 15 minutos antes da partida
indo de trem e meu lugar está reservado esperando para ser ocupado. Horários
rigorosamente respeitados pelas equipes, trio de arbitragem, sem contar a
música tema da competição que emociona o espectador que por sua vez respeita a
cerimônia (não vaia, não canta outro hino, etc). Começo a notar no Campeonato
Brasileiro deste ano algumas mudanças que copiam exemplos utilizados na
competição europeia. Para este ano já estão sendo colocadas algumas medidas em
prática, como, por exemplo, a metragem de campo padronizada, música tema do
Brasileirão, equipes entrando no mesmo horário, lado a lado, mas ainda temos um
longo caminho a ser percorrido para que possamos atingir um nível de
excelência, tanto por parte da operação, quanto por parte do público. A
imprensa tem uma participação expressiva nestes avanços tão necessários para o
crescimento do nosso futebol, principalmente não dando espaço a uma minoria de
marginais que frequentam nossos estádios. Como podemos observar nos jogos das
11h, mais famílias estão presentes nos estádios e estamos assistindo belos
espetáculos fora de campo pela qualidade do público que frequenta.
O Atlético de Madrid tem uma folha
salarial menor que os grandes europeus e ainda assim chegou à final. O mesmo
aconteceu com o Leicester. Do ponto de vista de planejamento, como você observa
esse ‘fenômeno’?
Existe
uma diferença entre Atlético de Madrid e Leicester. O Atlético nos últimos anos
adotou uma política com estratégia, cultura e filosofia de futebol que se
encaixa na forma de jogar do seu treinador. Jogadores são vendidos e suas
reposições estão no mesmo nível ou as vezes até superior daqueles que saem.
Portanto, existe uma política no departamento de futebol do clube que prioriza
a contratação de atletas que se encaixem no sistema de jogo proposto pelo seu
treinador Simeone. Este é um fator, na minha opinião, importante para o sucesso
do Atlético nos últimos anos: a manutenção de uma equipe de trabalho. Quem
apostaria que esses mesmos jogadores que estão numa segunda final de Champions
em três anos jogariam o que jogam sob o comando de outro treinador que não
fosse o próprio Simeone? Isso mostra que as contratações e manutenção do
plantel respeitam o estilo de jogo do técnico argentino. O Leicester é um
emergente. Temos que esperar os próximos dois ou três anos para ver se existe
por parte da sua direção um planejamento e uma política para o departamento de
futebol e como será a reposição no plantel para eventuais perdas. Só o tempo
dirá para todos nós se este título não foi fortuito.
Acredita que isso seria possível no
Brasileirão? Uma equipe com folha salarial e investimento substancialmente
menor chegar ao título?
Sim,
acredito, desde que haja um planejamento correto, uma política de futebol
adotada e uma comissão técnica que tenha tranquilidade para trabalhar. Já
tivemos alguns exemplos em competições nacionais de equipes que obtiveram
sucesso e conquistaram títulos com folha salarial menor que seus concorrentes.
No futebol, não adianta contratar por contratar jogadores com salários altos se
não houver um planejamento bem elaborado e que os atletas se adequem ao estilo
de jogo proposto pelo treinador. O Atlético de Madrid é um exemplo a ser
seguido, pois mantém uma comissão técnica, entrega os jogadores para o
treinador trabalhar e não fica a todo instante mudando sua comissão técnica,
pois jogadores escolhidos para um determinado esquema de jogo às vezes afundam
com um outro estilo de trabalho. Portanto, a manutenção de uma filosofia de
trabalho é fundamental para o sucesso (muito diferente do Brasil que com 4 ou 5
derrotas já está a perigo, vide Muricy Ramalho um treinador consagrado,
competente e que já está sendo contestado no Flamengo, sem tempo para
desenvolver um trabalho).

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