terça-feira, setembro 29, 2020
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Por mudanças no Flamengo, vice-presidentes ameaçam renúncia

Rafael Strauch, Flávio Willeman, Daniel Orlean, Claudio Pracownik e Alexandre Wrobel, vice-Presidentes do Flamengo
Foto: Gilvan de Souza

MAURO
CEZAR PEREIRA
: Uma reunião entre sexta-feira e sábado pode mudar os  rumos do futebol do Flamengo. A fraca
campanha na Série A e a tumultuada chegada da delegação ao Rio de Janeiro no
dia seguinte a mais uma derrota para o Santos colocaram o clube numa crise
digna dos tempos de dívidas descontroladas, falta de estrutura e salários
atrasados. O presidente Eduardo Bandeira de Mello, que acumula a
vice-presidência de futebol, estará com os seus VPs e, evidentemente, a
situação do time será o assunto central.

Tal
encontro já estava anteriormente marcado, mas inicialmente não era essa a pauta
planejada. Todos esperavam um desempenho melhor da equipe, a 15 pontos do
líder, Corinthians, e virtualmente fora da briga pelo título brasileiro, mesmo
com o maior investimento feito no departamento de futebol rubro-negro em muitos
anos. Bandeira deverá tentar contemporizar, contando com o apoio dos vices que
ainda são extremamente leais a ele, mas as discordâncias se acentuaram e é
provável que fique isolado, ou em minoria.
As
pessoas esperam ouvir do presidente quais as providências que serão tomadas em
meio à queda de rendimento. Como é possível que a resposta os decepcione, ou
seja, que nenhuma medida seja anunciada, ficará a cargo de cada um fazer o que
quiser. Não são poucos nos bastidores do clube que defendem a renúncia de VPs
para que Bandeira se curve diante dos fatos e deixe o poder absoluto que mantém
sobre o futebol profissional.  Hoje ele
centraliza as decisões ao lado do CEO, Fred Luz, acima do diretor executivo,
Rodrigo Caetano.
O
grupo que apoia Bandeira de Mello, chamado SóFla, está agitado. Alguns vices o
integram e há quem sugira que entreguem os cargos. No entanto, prevalece até
aqui a estratégia defendida por quem acha o afastamento de VPs perigoso, pois
perderiam o comando de vez, totalmente. E há quem tema a volta de velhos
personagens da política rubro-negra no eventual surgimento de um vácuo. Não
existem, até aqui, algo como uma ameaça de renúncia coletiva, mas enorme
irritação que pode levar a tal decisão individual de um ou mais.
Na sua
próxima entrevista, Eduardo Bandeira de Mello provavelmente minimizará a crise.
Ele tentará manter o técnico Zé Ricardo, mas será pressionado como nunca. O
futebol está em suas mãos e o peso das derrotas sobre os ombros do presidente.
E a estratégia de apontar “falsos rubro-negros” já está desgastada.
Tampouco há clima de eleições (elas só acontecerão em aproximadamente 16 meses)
para que sejam apontados adversários políticos como artífices da crise. Até
porque os responsáveis por ela são facilmente identificados pelo torcedor.
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