Por que Flamengo, Galo e Verdão capengam no início do Brasileiro.

Guerrero durante Flamengo x Botafogo – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS:
Antes do início do Brasileiro, a maioria dos analistas apontava
Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras como os elencos e times mais capazes de
brigar pelo título. Passadas quatro rodadas, os favoritos não conseguiram
engrenar no campeonato, seja em resultados, seja no futebol apresentado. Por
que isso acontece?

Primeiro,
é importante que se diga que há boas chances de os três times se recuperarem e
passarem ao alto da tabela no transcorrer do Brasileiro. O campeonato só tem um
cenário mais claro a partir da 10a rodada, e só na virada do turno costuma se
definir quem disputará o título. Mas o mal desempenho no início impactará suas
campanhas.
Feitas
as contas, os três times somaram 13 pontos juntos, com uma performance de 36%
dos pontos possíveis. Houve dois confrontos entre eles, isto é, seria
impossível terem os 36 pontos máximos. De qualquer maneira, é um desempenho
decepcionante.
Tanto
que o Flamengo é 9o colocado, o Palmeiras, 12o e o Atlético, 16o. Juntos, têm
duas vitórias apenas. E o confronto entre o time alviverde e o alvinegro
mineiro, neste domingo, mostrou como essas posições refletem o pobre futebol
jogado pelas equipes no momento.
Foi um
jogo fraco em que o Galo priorizou a defesa à espera de um contra-ataque, e em
que o Palmeiras mostrou falta de alternativas para achar espaços contra um
adversário fechado. Vamos entender ponto a ponto o motivo da má fase (até
agora) dos três favoritos:
Atlético-MG
Não
falta talento à linha de frente do Atlético-MG. Só que Roger ainda não
encontrou uma forma de juntar todos eles e se mantiver um time compacto e
confiável. Até brilhou em alguns jogos da Libertadores, mas não no Brasileiro
onde não jogou nenhuma partida inteira bem.
Um dos
problemas é o fato de a equipe estar muito espaçada quando ataca. Cazares,
Otero, Robinho e Fred, quando jogam os quatro juntos, têm dificuldade para se
aproximar e recebem bolas às vezes isolados já que o meio-campo está muito
recuado. Esse problema é minimizado com Elias em campo, que conecta os setores.
Defensivamente,
o time melhorou nos jogos fora (sofreu dois gols diante de Fla e Palmeiras) com
um volante a mais ao lado de Rafael Carioca. Mas, quando tem que sair como
diante do Fluminense em casa, não tem um sistema eficiente para conter os
contra-ataques.
Flamengo
O time
carioca não tem exibido o futebol consistente que o caracterizou na maior parte
do primeiro semestre. Uma das explicações são desfalques importantes como Diego
e Everton, entre outros, que agora voltaram ao time. E a queda na Libertadores
afetou a confiança do time que passou a errar muito fundamento, principalmente
passe. Embora tenha dominado boa parte de seus jogos, o rubro-negro não exibiu
um futebol que intimide o rival.
Além
da queda na Libertadores e dos desfalques, 
o Flamengo tem um dilema em seu jogo. Em 2016 e parte de 2017, exibiu
seus melhores momentos com dois ponteiros abertos que voltavam. Só que não tem
jogadores no elenco que estejam funcionando nestas funções com Berrío
(contundido) e sem eficiência, e Gabriel sem ser incisivo.
Para
isso, há duas soluções que se vislumbram no clássico diante do Botafogo. Um é o
garoto Vinicius Jr que tem entrado bem e ensaiar queimar etapas em sua
adaptação. Outra é -com a possibilidade de ter Diego, Conca e talvez Everton
Ribeiro – o técnico Zé Ricardo fazer a transição para um jogo mais centrado nos
meias, e menos na velocidade.
Palmeiras
Campeão
em 2016, o Palmeiras ainda não sabe a fórmula para repetir o feito. Desde a
volta de Cuca o time vem procurando uma nova identidade que pode ter elementos
do ano passado, mas terá de buscar novidade. Como bem lembrou o treinador, o
time perdeu Moisés (este ainda pode voltar), Gabriel Jesus e Vitor Hugo, sendo
os dois primeiros bem difíceis de substituir.
Diante
do Atlético-MG, o time alviverde apostou em três atacantes rápidos, Roger
Guedes, Keno e Willian, em formato já testado por Eduardo Baptista. Faltava
profundidade ao time, o que não se resolveu com a entrada de Borja que continua
mal.
Além
disso, falta jogo de meio de campo ao Palmeiras, com Guerra armando o time só
em velocidade, com um Tchê Tchê apagado. Quando o time precisa rodar a bola
para achar espaço, não tem um jogador que coordene essa movimentação. Aposta-se
portanto sempre na jogada veloz pela ponta ou nas bolas paradas, e isso torna o
time mais previsível para um adversário fechado. A defesa passa por
instabilidade com Edu Dracena em má fase, e até Prass em momento hesitante
(quase entregou um gol ao Galo).

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