quarta-feira, setembro 30, 2020
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Por que o Flamengo com peças contestadas dorme na liderança?

Foto: Gabriel Lordello/ Parceiro/ Agen

ANDRÉ
ROCHA
: Os primeiros vinte minutos do segundo tempo em Caricacica foram os
melhores do Flamengo no Brasileiro. Organização, intensidade, volume de jogo.
Quinze até a boa jogada de Fernandinho e o toque de letra de Mancuello que
venceu o goleiro Santos, mais cinco mantendo a pressão e tentando o segundo com
o Atlético Paranaense ainda zonzo.

Sim, o
time de Paulo Autuori que tirou a liderança do Corinthians na rodada anterior.
Equipe bem coordenada, com duas linhas de quatro compactas sem a bola e os
volantes Otávio e Hernani saindo para o jogo. Que reagiu, avançou as linhas e
empurrou o oponente para o próprio campo.
Mas
foi engolida da volta do intervalo até sofrer o gol único do jogo. Pelo Fla de
Zé Ricardo. De Pará, Rafael Vaz, Chiquinho, Márcio Araújo, Fernandinho e
Everton. Todos contestados ou até execrados mais ou menos em algum momento da
temporada. Ou há mais tempo.
Em
campo, uma base questionável sob o comando de um técnico novato. Como consegue
ser sólido taticamente em quase todos os jogos e dorme na liderança do
Brasileiro?
A
resposta é simples: jogo coletivo. Não há um grande craque, mas todos sabem o
que fazer em campo. Quem está com a bola tem opções de passe porque os
companheiros se deslocam. Os toques são simples, a circulação da bola é
paciente e só sai em profundidade se houver espaços às costas da defesa
adversária.
Por isso
Zé Ricardo insiste com velocistas pelas pontas, mesmo que eles tantas vezes se
atrapalhem na tomada de decisão quando conseguem chegar ao fundo ou em
condições de finalizar. Porque combinam as características com os passadores
William Arão e Mancuello ou Alan Patrick e o móvel e técnico Paolo Guerrero.
Mantém a intensidade.
Na
recomposição, o time alterna pressão no campo de ataque e linhas compactas
guardando a meta de Muralha, muitas vezes num 4-1-4-1. Com Márcio Araújo, que
joga e deixa Cuéllar no banco para desespero de muitos torcedores. Qual a
vantagem do brasileiro sobre o colombiano na visão do treinador? Leitura de
jogo e noção da função que exerce. Repare: sempre que Cuéllar entra muito bem é
jogando mais adiantado.
O
Flamengo cercado de incertezas e desconfianças, que ainda prepara a estreia de
Diego se consolida como um dos candidatos ao título numa disputa de raro
equilíbrio e muitos postulantes. Está no bolo. Oscila como todos, não desperta
confiança. Mas compete, até quando é goleado, como nos 4 a 0 para o Corinthians
em Itaquera.
Méritos
de Zé Ricardo. Na primeira experiência no time principal, dando confiança a
tantos renegados. E o principal: fazendo seus comandados jogarem futebol atual.
Porque o coletivo bem pensado e treinado faz com que o time dependa menos das
individualidades e, paradoxalmente, transfira confiança para que se arrisque a
jogada pessoal na zona de decisão.
Ainda
não cheira a título, mas já é forte e pode evoluir para lutar até o fim.

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