quarta-feira, setembro 30, 2020
Início Notícias Porque a Copa Sul-Minas-Rio é fundamental para os clubes.

Porque a Copa Sul-Minas-Rio é fundamental para os clubes.

OLHAR
CRÔNICO – “Vou discutir futebol com quem
paga folha, com quem não pode andar na rua quando o time perde. Esse é que
manda no futebol, que conhece futebol.”
Alexandre
Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro e CEO da Liga Sul-Minas-Rio,
explicando que não quer discutir com o pessoal de federações e confederação
que, segundo ele, não conhecem a realidade dos clubes.
“O
primeiro trimestre é a pior fase do ano para os clubes. A receita é muito
baixa, pois não tem bilheteria em janeiro. E nem em fevereiro, com o Carnaval
atrapalhando ainda mais na maioria dos anos. A rigor, nem em março a receita é
boa. As despesas, porém, não deixam de existir. Os clubes zeraram totalmente os
cofres em dezembro, pagando salário, férias e 13º. Nunca há reservas para
começar o ano e todo ano é a mesma história: “cheque especial” (linhas de crédito
automático) no limite e dinheiro emprestado dos bancos. O começo de ano quebra
a maioria dos clubes.”
Executivo
da área de finanças e controle de um dos maiores clubes brasileiros e também um
dos mais organizados.
As
citações acima traduzem o porquê da criação da Liga Sul-Minas-Rio e de sua
Copa. Os grandes clubes trabalham hoje com folhas de pagamento muito grandes e
precisam de injeções maciças de dinheiro todo mês.
Como
os balanços de nossos clubes são, na maioria, pouco detalhados, tomei como base
o custo total do futebol, formado, por salários, direitos de imagem, obrigações
trabalhistas e todos os demais custos de um time grande jogando por todo o
Brasil, para dar uma ideia da ordem de grandeza dos valores gastos e que
precisam entrar no caixa dos clubes.
Considerando
os oito maiores clubes da nova Liga, a saber: Cruzeiro, Internacional, Atlético
Mineiro, Flamengo, Grêmio, Fluminense, Coritiba e Atlético Paranaense (em ordem
pelo custo total do Futebol em 2014), temos um total de R$ 1,125 bilhão.
Naquele ano, porém, parte dos custos do Fluminense foram bancados pela Unimed.
Para ter uma visão mais realista, fiz uma estimativa por comparação para o
custo total inteiramente por conta do clube, chegando ao valor de R$ 1,2
bilhão.
Esse
valor representa um custo médio anual com o futebol, para esses oito clubes, no
valor de R$ 150,4 milhões.
O que
nos dá um custo mensal médio, por clubede R$ 12,5 milhões.
Esse
valor representa um custo total médio de R$ 37,5 milhões para o primeiro
trimestre do ano. Hoje, possivelmente, o único clube que talvez consiga bancar
esse valor é o Flamengo, mas somente em teoria, como se não houvesse
adiantamentos de valores de patrocínio e direitos de transmissão.
Os
valores de 2015 são menores que os de 2014, aparentemente e pelo que mostram
números preliminares de alguns clubes, mas trabalhando ainda com os números da
temporada passada, Cruzeiro, Internacional e Atlético Mineiro gastaram com o
futebol um total próximo de R$ 600 milhões!
Somente
no primeiro trimestre de 2014, os três clubes dispenderam quase R$ 150 milhões
com o futebol. Mais de R$ 16 milhões cada um deles por mês!
Apesar
dos direitos de transmissão, os estaduais não proporcionam nada que se aproxime
desses valores, principalmente para os times gaúchos e mineiros.
A
sangria é brutal.
Essa
é, sem a menor dúvida, a principal razão que leva esses clubes a brigarem pela realização
da Copa Sul-Minas-Rio: melhorar o fluxo de caixa nos três meses críticos de
início de temporada. Para isso, contribuirá o interesse dos torcedores pelas
partidas, muito mais atraentes que as dos estaduais, a possibilidade de
melhores patrocínios e, claro, um reforço sensível no caixa pelos direitos de
transmissão.
O recuo da CBF
Quando
tudo parecia certo, com a bênção da CBF, entrou em cena o presidente da
Federação Carioca, a FERJ, que confrontou a CBF e exigiu o cancelamento da Copa
Sul-Minas-Rio.
Diante
dessa investida a CBF recuou e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária
para discutir a questão e liberar ou não a realização da Copa.
Nos
últimos meses, logo depois da prisão de José Maria Marin e da movimentação e
aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, a Confederação ficou
mais “simpática” e efetuou várias mudanças, inclusive estatutárias.
Dentro
de uma nova política “CBF boazinha”, em tudo diferente do que se viu na longa
direção de Ricardo Teixeira, a criação da Liga e a realização da Copa
Sul-Minas-Rio já estavam aprovadas, até a FERJ protestar.
A
briga política iniciada no Campeonato Carioca ganhou um novo palco e novos
atores.
À
primeira vista a posição da federação do Rio de Janeiro, estimulada por
Botafogo, Vasco e os clubes pequenos, parece que sairá vencedora, mas do outro
lado estão quatro federações de peso – Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Paraná e Minas Gerais – e há articulações em curso. Creio que o resultado é
incerto, embora penda para a posição da FERJ.
O
grande pano de fundo, porém, continua sendo o calendário e o número de datas
reservadas aos torneios estaduais. Em algum momento, que não poderá demorar
muito, o futebol brasileiro terá que discutir tudo isso a fundo e procurar uma
solução de consenso, que permita aos grandes clubes maiores receitas e garanta
sobrevivência digna aos pequenos.
Por
Emerson Gonçalves

MAIS LIDOS

Eliana participará de Flamengo x Del Valle

O Flamengo joga nesta quarta-feira com transmissão do SBT para quase todo o Brasil. A emissora de Silvio Santos transmitirá o dueloentre Flamengo x...

Segundo jornalista, Flamengo acertou novo patrocínio

Segundo jornalista Leo Burlá, do Uol Esporte, o Flamengo acertou nos últimos dias detalhes de seu novo patrocínio para o calção. Trata-se da operadora...

Flamengo pode se classificar pela Libertadores hoje; saiba como

O Flamengo entra em campo diante do Independiente Del Valle hoje, no Maracanã. Com um número considerável de desfalques e para certas posições a...

Gabigol e Bruno Henrique são criticados por Arnaldo Ribeiro

O Flamengo possui um dos times mais qualifiados do futebol sul-americano. Com tantos atletas a disposição, qualquer nome que esteja no time titular e...